Olympia e as novas fronteiras estéticas do cinema brasileiro

Por Miguel do Rosário, editor-chefe do Cafezinho

Hoje se inicia um novo ciclo de exibições do filme Olympia, dirigido por Rodrigo Mac Niven.

O filme poderá ser visto, inicialmente, em duas salas de cinema do Brasil, no Rio e em Salvador.

Rio de Janeiro – Estação NET Rio – 15h00.
Salvador – Sala de Arte Museu – 20h45 (exceto segundas e terças).

Eu tive a oportunidade de assisti-lo, há algumas semanas, no Cine Odeon.

É um filme espetacular, uma ficção baseada em fatos reais, trazendo depoimentos antológicos contra especulação imobiliária, em especial a que antecedeu as Olimpíadas, e teve, como protagonista, os atuais mandantes políticos do estado e município (incluindo o atual prefeito). A história da Vila Autódromo, um dos mais desonestos e absurdos processos de remoção de que se tem notícia no Rio, feita para se construir um campo de golfe (!), é um dos motes principais da narrativa.

E tem uma coisa a mais, e que para mim foi uma deliciosa surpresa: depoimentos de juristas que denunciam a midiatização do judiciário e a relativização das garantias individuais em nome de uma suposta luta contra a corrupção.

Um dos advogados entrevistados menciona o perigo da figura do juiz-heroi, que é uma ficção midiática criada para ludibriar a opinião pública e ampliar o autoritarismo do Estado sobre os cidadãos.

O equilíbrio entre a ficção e o documentário é genial. O lado ficcional ajuda a conferir poesia, coesão, contexto, de uma maneira que seria muito difícil apenas o documentário trazer, e o documentário agrega um sentido trágico de realidade que apenas a ficção não daria conta.

Tudo nesse filme é original, até mesmo o processo de financiamento, inteiramente independente e colaborativo – o que não impediu que se materializasse numa realização de alto nível técnico.

O Cafezinho sugere fortemente que o internauta assista ao filme!

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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