Coletiva de Rodrigo Maia (ao vivo) sobre medidas contra a crise

Cármen Lúcia critica Renan. E Gilmar, pode tudo?

Por Tadeu Porto

25 de outubro de 2016 : 17h13

Foto: José Cruz / Agência Brasil

Por Tadeu Porto* (@tadeuporto), colunista do Cafezinho

Numa resposta que escancarou a crise institucional brasileira – aquela que centenas de deputados e senadores estão chamando de funcionamento pleno das instituições – a presidenta do STF, ministra Cármen Lúcia, praticamente classificou como desrespeitosa e anti-republicana a declaração do presidente do senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), que criticou a operação da PF que culminou na prisão de quatro policiais legislativos, comandada, segundo Calheiros, por um “chefete de polícia” com mandato expedido por um “juizeco”.

Analisando os fatos isoladamente Lúcia tem mais razão que Calheiros. Evidentemente, o cargo máximo de um poder chamar a mídia para lançar críticas aos seus pares republicanos é irresponsável e desnecessário num Estado onde as instituições conversam e vivem harmoniosamente.

Todavia, na realidade brasileira, Cármen soa tão dissimulada que suas declarações soltam mais aos olhos do que o tom desproporcional que o senador alagoano utilizou em sua entrevista coletiva sobre a Operação Métis. E a hipocrisia da magistrada vem, justamente, de alguém que utiliza o argumento do respeito entre os três poderes mas tem como colega de trabalho Gilmar Mendes, um ministro que milita mais que muito deputado e tinha tudo para ser comentarista de política da Globo News.

A empatia da ministra parece estar restrita ao mundo do judiciário, sem fazer o mínimo de análise crítica – ou mea culpa – sobre as palavras fora dos autos que seus colegas de toga apresentam, como, por exemplo, as críticas que o juiz Sérgio Moro faz, em suas palestras, aos projetos de lei quais não concorda (claramente uma invasão do judiciário no legislativo, não?).

Mas o rei dos pitacos fora dos autos, imbatível a ponto de sensibilizar o âncora do Jornal Nacional (“Se você mandar repórter, decido alguma coisa importante”), certamente é o ministro Gilmar Mendes. E os exemplos são intermináveis, como críticas a um programa de governo, o Bolsa Família e à justiça do trabalho, o TST que “hiperprotege” os trabalhadores numa mesma palestra. Sem falar em entrevistas, nas quais Gilmar abre a metralhadora de opiniões e opina sobre órgãos de Estado, como o MP, e a PF subordinada ao executivo.

Obviamente, essa crise descomunal na política brasileira não surpreende quem sabia, desde o início, que o país vivia um Golpe de Estado, afinal, a alcunha “ruptura institucional” não existe à toa. Ao ferir de morte a constituição para impor um plano do executivo derrotado nas urnas, foi aberta uma chaga incurável na nossa democracia, em que a sensação de “vale tudo” se sobrepõe a lógica das leis e da Ética como pressuposto para relações coletivas socialmente estáveis e focada no bem comum.

Há tempos não se via um exemplo tão claro da máxima “para os amigos tudo, para os inimigos a lei”, fato que não só  traduz o nível de degradação pelo qual nosso judiciário passa mas também escancara o contexto em que o Brasil se encontra, com as pontas entre os poderes soltas e as instituições batendo cabeça para saber quem consegue aumentar (e impor) cada vez mais suas influências.

Tadeu Porto é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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9 comentários

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Antonio Carlos Lima Conceicao

26 de outubro de 2016 às 15h48

Não foi Gilmar Mendes que teria dito que as verbas extra-subsídio dos juízes e membros do MP eram “pequenos assaltos” [do dinheiro público]?

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Pedro Pedro

26 de outubro de 2016 às 14h51

esse esseteefezinho…

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Marivane

25 de outubro de 2016 às 22h08

vergonha dessa gente

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Reinaldo Lopes

25 de outubro de 2016 às 18h40

Texto perfeito! Parabéns Tadeu Porto.

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robertoAP

25 de outubro de 2016 às 17h55

Essa ministra imprestável e inútil,ficaria melhor em casa, pilotando um fogãozinho e fazendo pão para os bisnetos.

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    Marcio Marconato

    25 de outubro de 2016 às 20h41

    Não seja preconceituoso, Roberto… Incompetência não está restrita ao sexo. Misoginia, não!!

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      robertoAP

      25 de outubro de 2016 às 22h29

      Justamente, eu não tenho preconceito, pois se fosse com um daqueles velhotes imprestáveis também, colegas dela, eu mandaria ir para casa fazer pãozinho da mesma forma.
      O que vale pra Chico,também vale pra Francisca.

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    Adma Viegas

    25 de outubro de 2016 às 21h58

    Concordo que a ministra em questão é indefensável, mas qual é a necessidade de se usar esse tipo de argumento machista?

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Sérgio Rodrigues

25 de outubro de 2016 às 17h53

Inacreditável…em pleno século XXI, com aval do Judiciário e apoio do PIG, o MPF/PF, em pleno Século XXI, reeditam os Autos de Devassa contra petistas, em especial a família Lula da Silva!…

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