Coletiva de Rodrigo Maia (ao vivo) sobre medidas contra a crise

Brasil pós-golpe: onde encontrar esperança?

Por Miguel do Rosário

29 de novembro de 2016 : 20h05

(Na foto, Fidel e Che no México, antes da revolução vitoriosa que lideraram)

Arpeggio – coluna política diária

Por Miguel do Rosário

Em quase todo debate que participo a questão sempre vem a tôna. Há esperança? Onde encontrá-la?

Um dos objetivos do golpe parece ter sido eliminar qualquer esperança. Entretanto, ele não oferece outra alternativa a não ser luta e resistência, na medida em que não se vê nenhuma ação que vise, ao menos, conter a crise econômica.

Até o golpe de 64, em alguns aspectos, parece melhor do que o golpe atual, porque os militares que assumiram o poder, ou pelo menos uma boa parte deles, tinham uma visão nacionalista, de defender o nosso petróleo, nossa indústria, manter o nível de emprego.

Os bandidos que assumiram o poder, e não falo apenas dos meliantes do Executivo, mas também da aliança entre fanáticos, picaretas e oportunistas que tomaram conta dos aparelhos jurídicos do Estado, não tem qualquer compromisso com nenhum instrumento de desenvolvimento social, econômico ou político.

Na parte econômica, é tudo muito estranho. Novamente interesses obscuros, provavelmente os mesmos que já denunciava Vargas há mais de sessenta anos, ganham evidência. Quem ganha com essa loucura que se tornou a Lava Jato?

Rodrigo Janot, em conversa com Eugênio Aragão, disse algumas palavras misteriosas sobre a Lava Jato, de que ela seria muito maior do que qualquer um poderia imaginar. Sim, ela parece uma operação de guerra, para dominar e conquistar um país e entregar-lhe a um controle estrangeiro.

A participação, agora praticamente confessa, de Sergio e Moro, procuradores e a própria PGR, na celebração de acordos de delação entre os réus da Lava Jato, alguns deles detentores de informações sensíveis do Estado brasileiro, e autoridades norte-americanas, certamente não ajuda a termos confiança nessa operação.

O BNDES anunciou hoje que não vai financiar mais “exportação de serviços de engenharia” das grandes empresas nacionais. Ao mesmo tempo, o mesmo banco aceitou entregar 100 bilhões de seu caixa para o governo Temer fazer evaporar em juros da dívida.

O governo não fala mais em obras de infra-estrutura. A grande mídia está satisfeita com os pixulecos em profusão que começaram a jorrar do governo, na forma de publicidade federal. Até mesmo as crises políticas, como esta última provocada pelas revelações do ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero, se revelam lucrativas para a grande mídia.

Alguns analistas especulam sobre a perda da “blindagem” do governo Temer. Ora, isso não interessa mais à grande mídia. Tanto faz agora com Temer ou sem Temer. O importante é virar o ano, para evitar que haja eleições diretas, que, aí sim, poderia injetar um pouco de perigoso otimismo no coração das pessoas.

O que significaria eleições diretas hoje, no Brasil, para a presidente da república, conforme defendem importantes forças políticas?

Não sou otimista em relação ao resultado de qualquer eleição, mas sou otimista quanto à volta da política oferecida por um processo eleitoral. Eleições criam brechas de liberdade no debate político, porque o sistema de comunicação é inundado de novos atores. As ideias circulam em maior quantidade e em maior velocidade, num processo eleitoral.

E para vencer essa desesperança que passou a pesar sobre a conjuntura nacional como uma sombra terrível, só mesmo com novas ideias!

A profunda crise que atravessamos nos obriga a uma saudável radicalização. Por exemplo, até pouco tempo atrás, seria considerado radical, quase louco, um político que defendesse a cassação de todos os canais de TV. Hoje em dia, um político inteligente e progressista poderia defender isso tranquilamente. Seria massacrado pelos grandes meios de comunicação, mas ovacionado pelas redes sociais.

O sistema de comunicação brasileiro precisa ser inteiramente reformado. As concessões públicas precisam ser democratizadas, ou seja, entregues ao povo. Será que algum dia teremos um partido que promova seminários sobre mídia, nos quais especialistas do mundo inteiro venham ao Brasil para nos explicar como é a regulamentação da mídia nos Estados Unidos, na Europa, no Japão, na China?

O mundo hoje não vive uma boa fase. Os estragos provocados pela guerra no Iraque, pelos golpes “coloridos” na Lìbia, Síria, Egito, geraram um efeito dominó que destruiu lideranças populares em todo planeta.

Outro dia, li uma matéria no The Verge, um blog americano de tecnologia, sobre uma nova lei de vigilância a ser aprovada no Reino Unido, que legalizará tudo aquilo que Snowden denunciou como crimes da NSA. Os ingleses poderão ser vigiados de perto pelo governo.

A China tem anunciado medidas semelhantes. A sinistra e onipresente máquina de espionagem norte-americana, agora em mãos de um maluco de extrema-direita como Trump, também não indica que venham alguma boa notícia de lá.

Na França, há o risco das eleições presidenciais, e nem será a primeira vez em sua história, serem disputadas entre direita e extrema-direita.

Por outro lado, às vezes eu penso que existe uma dialética que esteja nos escapando. Por exemplo, mesmo com a vitória de Trump nos Estados Unidos, não se pode negar que a esquerda americana nunca cresceu tanto como nos últimos anos. A quase indicação de Bernie Sanders como o candidato do partido democrata demonstrou bem isso. A maconha está sendo liberada em inúmeros estados norte-americanos. Na Inglaterra, o novo presidente do partido trabalhista é Jeremy Corbyn, certamente a liderança mais progressista da legenda em muitos anos.

E no Brasil?

No Brasil, o quadro institucional é uma tragédia, tudo bem. Judiciário, Ministério Público, polícias federais e estaduais, mídia, todos parecem ter celebrado um pacto satânico para afundar o país, destruir direitos sociais. Nem mesmo as liberdades individuais são poupadas. As novas 10 medidas contra a corrupção concentram ainda mais poder em mãos das instituições mais perigosamente antidemocráticas do país, o MP e o Judiciário. Não vai acabar com a corrupção. Ao contrário, vai aumentar a corrupção, que possivelmente se concentrará ainda mais do que hoje justamente no MP e no Judiciário.

Os escritos federalistas já advertiam, nos primórdios da democracia americana, que o poder, qualquer poder, tem sempre ganas de crescer mais. Por isso é importante impor-lhes limites naturais, e o melhor limite são os freios e contrapesos impostos por outra instituição.

Os brasileiros precisam, um dia, experimentar uma democracia e construir o seu país com suas próprias mãos.

Eduardo Cunha fez uma contra-reforma política de encomenda para as elites, Globo e PSDB. O tempo de campanha foi reduzido, não se promoveu nenhuma mudança no sentido de ampliar a comunicação entre candidatos, partidos, lideranças políticas e a população.

Os debates entre candidatos deveriam ser regulamentados por lei. As concessões públicas de TV deveriam ser obrigadas a exibir debates entre os candidatos em horário nobre. E os debates deveriam ser organizados inteiramente pelos próprios partidos. Sem perguntas da emissora. Apenas perguntas de um candidato para outro e de populares, escolhidos pelos próprios partidos, para os candidatos.

O novo ministro da Cultura, Roberto Freire, já disse, por ocasião da extinção da pasta, que foi o primeiro ato do governo Temer (como que se vingando da classe artística), que o ministério não é necessário, porque alguns países não tem ministério da Cultura.

Ora, a desinformação faz um grande mal à saúde política de um povo, porque ele impede qualquer debate inteligente. Esses mesmos países que não tem ministério da Cultura tem uma quantidade enorme de leis que impedem a concentração da propriedade no campo da cultura e do entretenimento. Nos Estados Unidos, a poderosa FCC (Federal Communications Commission), Agência Federal de Comunicação, controla até mesmo o percentual de audiência dos canais de TV. Esses canais não podem ter uma audiência superior a um percentual, definido pela agência, a nível regional e federal. Por que nenhum partido político brasileiro, antes de fazer qualquer tipo de declaração sobre “lei de mídia’, não promoveu um amplo estudo sobre as leis da mídia nos Estados Unidos?

Para que servem os “think tanks” do PT e do PCdoB, que não participam do debate político nacional? Não oferecem nenhum tipo de subsídio objetivo que nos ajude no debate mais importante no Brasil de hoje, que é o debate sobre a relação entre a imprensa, a mídia e o golpe?

Hoje, em Brasília, manifestantes que vieram de todo país foram atacados pela polícia militar do Distrito Federal. Segundo relatos que vem da própria grande imprensa, está sendo uma das maiores manifestações em Brasília desde 2013. Só que a gente sabe como as coisas funcionam: quando os protestos tem base popular minimamente organizada, a mídia corporativa usa todas as suas armas para fazer uma cobertura negativa, de maneira a blindar o governo e o legislativo.

Nesse ponto de nossa conjuntura, não é mais questão de acusar o governador do DF, porque as polícias de todos os estados vêm, há tempos, ganhando autonomia. Isso também é o golpe. O poder de violência do Estado, que é um monopólio consagrado pela Constituição, vem deixando de ser gerido pelos representantes políticos, que mal ou bem precisam prestar contas à população, até mesmo por cálculo eleitoral, e migrando para as mãos do Judiciário, que não tem compromisso nenhum com a sociedade.

Aliás, é uma situação irônica. Na hora de usar a violência, o Judiciário não se preocupa com popularidade. É o único momento em que ele assume o ônus de ser um poder contramajoritário. Mas quando se trata de arbitrar processos judiciais altamente politizados, com grande repercussão midiática, aí ele não só se curva à “opinião pública”, como ainda tem com ela uma perigosa cumplicidade. O juiz e o MP, que no Brasil trabalham em parceria contra os cidadãos, usam a mídia, através de vazamentos seletivos, entrevistas, verdadeiros stand-ups acusatórios, para produzir uma imagem tão negativa do cidadão que a sociedade não apenas pressione o Estado a condená-lo, como chancele ou faça vista grossa a qualquer tipo de desvios usados para este fim.

Sugiro ao leitor que assistam com atenção ao vídeo completo (link aqui) do programa do jornalista Roberto Navarro, que traz uma longa entrevista com o ex-presidente Lula. Assim que começa a falar do Brasil, Navarro observa que, à diferença da Argentina e outros países latinos, não há, no Brasil, nenhum programa como o dele, Roberto Navarro, onde seja possível veicular ideias progressistas.

É incrível que tenhamos chegado a esse ponto no Brasil sem que nenhum quadro político importante progressista tenha feito nada contra isso, nem sequer uma denúncia. Esse foi um erro histórico, trágico, dos governos petistas. Por isso eu não concordo com o lugar comum de que o golpe ocorreu por causa dos acertos do PT e do governo. Não. O golpe aconteceu por causa também, quiçá principalmente, de seus erros, e o principal deles foi menosprezar a questão central do Brasil: um sistema de comunicação terrivelmente fechado, em que a extrema-direita é dona de tudo. Em todos os países democráticos, há jornais, canais de TV, rádios, tvs públicas, que externam visões progressistas do mundo. Ou então, como nos EUA, há um sistema de cultura muito forte e muito plural, como mostra a entrevista de Spike Lee com Bernie Sanders, feita pelo Guardian. Nos EUA, ou operando nos EUA, há ainda uma porção de bilionários com tendências progressistas, que apoiaram Bernie Sanders. Como Pierre Omidyar, fundador do Ebay, que financiou e criou o Intercept, onde escreve Glenn Greenwald, e que lançou há pouco uma versão em português.

Encerro o post com um humor um pouco melhor. No vídeo do Roberto Navarro que eu linkei algumas linhas acima, há um discurso de Fidel Castro em Buenos Aires, logo após a vitória dos Kirchner, na Argentina. É impressionante lembrar a onda de otimismo e esperança que varreu a América Latina naqueles anos!

Antes de falar em Fidel, uma rápida digressão sobre a Argentina. A vitória de Macri não produziu nenhum otimismo ou esperança. Ao contrário, as medidas de Macri são sempre no sentido de onerar o povo e a classe média, elevando tarifas, cortando programas sociais, concentrando riqueza em mãos de poucos. A mesma coisa acontece no Brasil. Uma das primeiras iniciativas de Temer foi cancelar o programa Ciência sem Fronteiras, que levava milhares de jovens brasileiros, todos os anos, a estudar no exterior. Recursos para cultura, ciência, infra-estrutura, são cortados, enquanto o governo apenas aumenta o percentual destinados ao pagamento de juros. À mídia cabe ludibriar a opinião pública, num processo de inacreditável cinismo, onde ela vende que as medidas tomadas pelo governo irão melhorar a economia e, em seguida, quando essas medidas não melhoram nada, dizendo que o aumento no desemprego ou ajuste para baixo nas esimativas do PIB surpreenderam o mercado.

Voltando à Fidel, nesse discurso histórico em Buenos Aires, para uma multidão de centenas de milhares de pessoas, o líder cubano celebrava a derrota do neoliberalismo, cujo canibalismo a América Latina conseguiu afastar, por vias democráticas, por quase uma geração inteira no continente. Ao final do discurso, ele repete a famosa frase de Che Guevara, que na verdade era a frase símbolo da revolução cubana: hasta la victoria, siempre!

É uma frase tão simples, mas que, à luz dos tempos sombrios que vivemos hoje no Brasil, me parece tão poderosa! Por que é uma frase que resume, em sua lacônica simplicidade, a ideia mais importante já inventada no mundo: a ideia de que o homem pode governar a si mesmo, e, portanto, pode mudar seu destino e melhorar o mundo a seu redor. É uma frase que não expressa, exatamente, uma esperança, que tem a ver com espera e expectativa, mas antes uma vontade, uma convicção, um estado de espírito!

Hasta la victoria, siempre, caros leitores e leitoras! E, se possível, assinem o Cafezinho!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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12 comentários

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lara

30 de novembro de 2016 às 12h02

Uma das primeiras iniciativas de Temer foi cancelar o programa Ciência sem Fronteiras kkkkkkkkkk esqueceram que a dona marmota cortou o fies??

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Italo Rosa

30 de novembro de 2016 às 10h22

ótima análise. encontrar motivo para esperança parece vão.

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mariio agustin Rivero

30 de novembro de 2016 às 06h43

A foto e fidel e che escondidos com falsa identidade em depto de mexico …pais onde compraram as armas antes da chegada a ilhade cuba

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Alberto

30 de novembro de 2016 às 00h53

A DOUTRINA DO CHOQUE – NAOMI KLEIN
[PDF para download]

Um livro que hoje, mais do que nunca, é necessário, porém está fora de catálogo e os donos de sebo o estão vendendo a preços astronômicos. Ajude a
compartilhar em blogs e grupos afins.

DOWNLOAD:

http://www.mediafire.com/file/tpzqf67v47xx9jo/KLEIN%2C+Naomi+-+A+Doutrina+do+Choque+(2007%2C+Nova+Fronteira).pdf

sinopse:

O que o furacão Katrina de Nova Orleans tem a ver com as ditaduras da década de 1960 na América Latina? Qual é a relação entre o tsunami na Ásia e o massacre da Praça da Paz Celestial na China? Afinal, existe uma conexão entre a Guerra do Iraque e a democracia acorrentada da África do Sul?

A resposta, segundo a jornalista canadense Naomi Klein, é SIM.

Sua tese é a de que todas essas tragédias, naturais ou construídas, fazem parte do processo de ascensão do “capitalismo de desastre” — a forma atual que o sistema capitalista encontrou para se tornar hegemônico em lugares e situações em que até então ele não era. Exemplos? Em Nova Orleans, apos o furacão Katrina, a educação foi reformulada — as escolas públicas foram, a partir de um “conselho” do economista Milton Friedman, privatizadas. Numa gafe tremenda, a secretária de Estado Condoleezza Rice declarou o tsunami uma “oportunidade maravilhosa” para a política externa norte-americana.

Sob a “doutrina do choque”, o medo e o desespero se transformam em oportunidade de ganhar dinheiro. Das técnicas de tortura usadas pela CIA desde os anos 1950 à instalação de resorts de luxo nas praias da Tailândia devastadas pelo tsunami, Naomi Klein mostra a lógica perversa de um sistema orientado pela busca do lucro. Um sistema que não produz diretamente as tragédias naturais, mas que não tarda em incorporá-las em sua agenda de negócios.

Ao misturar depoimentos pessoais a uma análise histórica consistente do último meio século, Naomi Klein constrói com A doutrina do choque um novo best-seller, um livro indispensável para entender o nosso mundo.

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“Somente uma crise — real ou pressentida — produz mudança verdadeira. Quando a crise acontece, as ações que são tomadas dependem das idéias que estão à disposição. Esta, eu acredito, é a nossa função primordial; desenvolver alternativas às políticas existentes, mantê-las em evidência e acessíveis até que o politicamente impossível se torne o politicamente inevitável.”

A linguagem econômica, inodora, não revela as condições da realização das suas propostas. As palavras ascéticas de Milton Friedman parecem não ter nada a ver com as baionetas de Pinochet. No entanto, sem os choques elétricos, os choques econômicos não sairiam do papel. O “livre mercado” — quem diria —, irmão siamês da ditadura militar.

Naomi percorre as ruínas resultantes dos choques econômicos, do Chile à Polônia, da Argentina à Inglaterra, da Rússia ao Iraque, traçando o mapa do capitalismo de desastre. Mas para os economistas neoliberais, as ditaduras pecavam apenas por alguns abusos aos direitos humanos, por um zelo excessivo pela ordem, como se a imposição do modelo que exportavam desde a Escola de Chicago não demandasse os instrumentos para impor duras perdas aos povos dos países onde era aplicado o mesmo modelo.

E decifra as razões pelas quais a América Latina está no estágio mais avançado na revolta contra o neoliberalismo. Porque fomos o laboratório dos choques — tanto elétricos como econômicos — e vivemos, assim, uma ressaca dos dois. Somos uma espécie de tsunami e de Katrina somados: fomos vítimas privilegiadas de uma devastação e dos remédios que matam o doente.

Quem quiser conhecer as turbulências do mundo no século XXI tem aqui um roteiro exemplar: rico, sofrido, mas que desemboca em esperanças de que um mundo sem choques, “um outro mundo possível”, esteja sendo gestado nos desastres do capitalismo contemporâneo. Naomi Klein é a repórter exemplar das enfermidades e das alternativas da humanidade na era neoliberal.

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Charles

30 de novembro de 2016 às 00h27

Minha esperança no momento está no futuro, nos jovens que hoje ocupam as escolas,que mesmo ainda não tendo atingido a maioridade legal, se mostram mais interessados com o futuro do que muitos cinquentões e sessentões.

Também está nos desdobramentos geopolíticos mundiais, pois o establishment, por mais omnipotente que pareça, está sob ataque e a beira do colapso, e mesmo que a alternativa seja tomada pela extrema direita, ainda há aberturas para o progressivismo nos diversos lugares do mundo ocidental que servem de referência para nós.

Está nas expansões e desejos russos e chineses que estão sendo o maior contraponto ao imperialismo ianque, e agora que aquele país está nas mãos de um demagogo corrupto, está próximo de ser, justamente, destroçado internamente e criar uma nova ordem mundial diferente que não segue os desejos de Wall Street.

Eu ainda vou esperar esses saqueadores que invadiram o poder e o tomaram a força fazerem o que bem quiserem, mas aguardar as consequências, pois o povo, por mais idiota que aparente e que o seja, ainda tem forças pra retrucar. Por mais que soframos pelas decisões de algumas centenas, nenhuma ação ocorre sem reação. Vamos agir e reagir como puder, mas também aguardar o que vai ocorrer, quando os daqui da base da pirâmide social, os 90% que não detêm o poder econômico e político começar a sofrer na pele o que os 10% que o possuem infligem.

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Franklin Alencar

30 de novembro de 2016 às 00h00

Teria a CIA derrubado o avião pra gerar sombra no velório do Fidel e bloquear informações sobre Cuba? Querem que o mundo continue acreditando no inferno cubano?

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Jose X.

29 de novembro de 2016 às 23h34

acho que vão ser mais uns 20 ou 30 anos de trevas, piores que a ditadura militar de 64

a “médio” e longo prazo acho que os movimentos populares e progressistas precisam ocupar a burocracia que viabilizou o golpe, formada pela casta de nababos do judiciário e do ministério público

os famigerados concursos não são exclusividade de gente da classe média alta, dos filhos e netos de juízes e procuradores, de caipiras toscos e deslumbrados (vocês sabem de quem estou falando)

a política não se faz apenas através de partidos e eleições, como descobrimos dolorosamente, mas nos conchavos da burocracia estatal não eleita pelo povo

os movimentos populares e progressistas devem incentivar membros e simpatizantes a invadirem os famigerados concursos que criam esses semideuses intocáveis, esses psicopatas sádicos que hoje dominam o Brasil

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    Des

    30 de novembro de 2016 às 10h32

    Gramsci falava da necessidade de ocupar o estado, embora não sejam apenas meninos leite com pera da roça que passam em concursos da alta casta, estes são maioria por uma questão e estrutural da formação social. Afinal, quem mais nessa sociedade desigual tem a possibilidade de abrir mão de toda uma formação humanística para ficar anos em casa sem trabalhar, decorando resumos mnemônicos e mapas mentais para uma prova daqui 5 anos? É necessário ser jovem descerebrado e sustentado pela família, além de blindado do mundo real.

    Seria necessária a conscientização da esquerda nesse sentido, como forçar os filhos da esquerda a serem delegados, promotores, procuradores e juízes?

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      Jose X.

      30 de novembro de 2016 às 12h43

      acho que em primeiro lugar deve haver essa conscientização de que é preciso disputar todas as esferas de poder, de que não existe poder “neutro”

      os regimes socialistas tinham isso bem claro, eles “aparelhavam” toda a burocracia estatal, a começar pelas forças armadas

      a direita brasileira está aplicando essa regra em toda extensão possível, é só ver por exemplo em SP onde o Judiciário e o Ministério Público são meros anexos do PSDB

      o que antes era bastante pronunciado em SP hoje é generalizado no Brasil, a começar pela esfera federal, onde o PSDB tem cobertura no STF, no TSE e no MPF, e age em conjunto com os interesses corporativos de outros órgãos, notadamente Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e Receita Federal (que também está perseguindo Lula)…no caso da RF nunca me esqueço do absurdo que foi a tal “dra” Lina Maria quando foi secretária da RF desafiar abertamente (com apoio do PIG, claro) a presidenta Dilma Roussef…deveria ter levado um sumário pé na bunda, e tomar um monte de processos na cara

      quanto aos concursos, minha impressão é que é possível disputar com os concurseiros e com os filhos da classe média alta (incluindo aí os hedeiros de juizes e procuradores) com boa taxa de sucesso

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Isso Mesmo

29 de novembro de 2016 às 22h42

Infelizmente não tem muito o que fazer. A chave de tudo está na comunicação, mas infelizmente não há esforço para resolver o problema.

Tomemos como exemplo um movimento chamado “Quero Prévias”. Conheci ele graças a um post aqui no cafezinho. Ele foi apresentado por mais 3 ou 4 blogs e simplesmente desapareceu. São 422 seguidores no Twitter e 7.957 curtidas no Facebook. O movimento é novo, mas é muito importante. Vocês não concordam que os blogs progressistas deveriam dar mais respaldo a iniciativas como esta?

Ai entramos no problema. Existe muita gente querendo fazer tudo,mas cada movimento quer fazer do seu jeito. Aquela coisa de todos trabalharem no mesmo sentido quase não acontece. Fica só na dialética. A inexistência de uma agenda conjunta de manifestações, a falta de um plano de luta contra o PIG, o medo de ir aonde o povo está (favela, comunidade, ponto de ônibus, cara a cara, etc). O PT tem uma rádio online e quase ninguém sabe. Tudo isso atrapalha.

Hoje a internet permite a criação de plataformas, além de outras possibilidades. Esses golpistas defendem o indefensável. Não é difícil batê-los. Basta organização e comunicação.

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    Octavio Filho

    30 de novembro de 2016 às 11h44

    Vc está certíssimo. Um grande problema é que a própria esquerda não ajuda!! Eu mesmo não sabia que o PT tinha uma rádio online. Hoje em dia, com as ferramentas da internet, poderia ser feito uma rádio plural. Que desse espaço a todos os jornalistas progressistas. Eu mesmo já difundi a ideia de fazer um jornal de preço baixo. Para ser lançado nas capitais. Política, esporte, polícia etc. Seria criado a partir de uma sociedade entre simpatizantes progressistas. Este jornal faria frente aos grandes jornais. Atingiria a classe trabalhadora. Seria um jornal para dar informação e não dar lucro (se pagar).

    Responder

marco

29 de novembro de 2016 às 21h46

Ainda que certo e bem escrito o LINDO TEXTO,se não contarmos com as MULTIDÕES,pacíficas e ordeiramente,pouco nos resta de esperanças.É bom lembrar da DITADURA MILITAR E DA ELITE,começada em 64,em pouco tempo as multidões,em sua maioria,calaram-se,por longo tempo.Agora,sob a DITADURA DAS TOGAS, muito mais difícil de ser constatada pelo povo,que TEME O JUDICIÁRIO,que brande contra o povo,O MANUAL ELITISTA DO DIREITO ,fica ainda mais difícil instigar-lhes,ESPERANÇAS . Contudo,como a sociedade,mesmo a mais atrasada possui um dinamismo não previsível ,quem sabe eu esteja PESSIMISTA DEMAIS,e quiça amanha,tenha que voltar atras.Contudo quero saudar o LINDO TEXTO e sua INTENÇÃO PRIMORDIAL,que tenta injetar ESPERANÇAS.

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