Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Proposta da reforma previdenciária atinge agricultores

Por Redação

07 de dezembro de 2016 : 13h39

Proposta de reforma na Previdência pode piorar condições de trabalho de agricultores rurais.

Na FUP

Reforma da Previdência penaliza agricultor e sacrifica municípios

O trabalhador rural começa a trabalhar em média com sete ou oito anos. Pela reforma da Previdência Social apresentada nesta segunda-feira (5) pelo presidente Michel Temer esse agricultor só poderá se aposentar aos 65 anos, ou seja, 57 anos depois de ter ingressado no ofício. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que, ainda em 2014, 70% das mulheres e 78% dos homens começaram a trabalhar antes dos 14 anos de idade.

A regra atual prevê a aposentadoria para o trabalhador rural aos 60, para homens, e aos 55, mulheres. O benefício é um salário-mínimo. Alberto Broch, da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), afirmou que a confirmação da reforma foi mais feroz do que o que vinha sendo sinalizado.

“O agricultor e a agricultora produzem para si e para o sustento de sua família. Esse homem e essa mulher começam a trabalhar aos sete, aos oito anos de idade. Tem uma vida extremamente penosa, depende da chuva, depende do sol, está exposto a intempéries. É um perfil de trabalho duro, que começa muito cedo e muitas vezes lhes é negado os direitos básicos e um dos seus maiores estímulos para continuar a produzir no campo e quando chegar a aposentadoria ele poder receber um salário mínimo”.

Conta nas costas do trabalhador rural

A proposta de reforma de Temer prevê ainda uma contribuição obrigatória para o trabalhador e a trabalhadora rural. Broch afirmou que apesar dessa contribuição ainda não estar clara, ela pode causar forte impacto na vida do trabalhador e nos municípios que sobrevivem da renda que é gerada pela aposentadoria rural.

É um mito achar que o trabalhador rural não contribui para a seguridade social. A contribuição acontece quando o produtor rural vende sua produção. Sobre essa produção é aplicada uma alíquota de 2,1%. Essa regra é prevista pela Constituição Federal e se estende ao produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais e o pescador artesanal, desde que essas atividades sejam realizadas em regime de economia familiar.

Economia dos municípios

“Com a contribuição obrigatória direta defendida por Temer corre o grande risco de mais de 80% da nossa base chamada de segurados especiais ir para a assistência social porque não terão como pagar regularmente a Previdência. Quem trabalha no campo, convive com o resultado da safra. Ele não tem entrada de dinheiro todo mês. Ele vive quando a roça que ele plantou estiver no tempo de colher”, explicou Broch.

O dirigente lembrou ainda que em cerca de 71% dos municípios brasileiros os valores transferidos pelos benefícios da Previdência Social são maiores que aqueles repassados pelo Fundo de Participação dos Municípios. As aposentadorias e benefícios movimentam a economia e funcionam como instrumento de redistribuição de renda. 68% dos benefícios da Previdência Social são destinados a municípios com até 50 mil habitantes. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estística (IBGE), mostra que mais de 60% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro são produzidos pela agricultura familiar.

“O trabalhador rural não tem como contribuir porque ganha o mínimo do mínimo. Mesmo assim ele faz quase um milagre com esse salário mínimo. Ajuda no custeio das lavouras, muitos aposentados compram sementes, complementam a renda investindo na lavoura. O agricultor e a agricultora são responsáveis pela maior parte dos recursos que são gerados nos municípios, que sustentam o boteco, o mercado, que faz girar a economia daquela localidade”, exemplificou o presidente da Contag.

Resistência

Ele participou da reunião com Temer, realizada nesta segunda-feira, e avisou que no encontro o presidente foi avisado que os trabalhadores não aceitarão reformas que retiram direitos. “Vamos resistir em várias linhas de atuação com uma grande sensibilização da sociedade, da opinião pública, da solidariedade para que se compreenda o que isso (reforma) significa para o trabalhador e para a trabalhadora rural”, enfatizou Broch.

A mobilização envolve as 27 federações de trabalhadores e trabalhadoras rurais do país e 4 mil sindicatos ligados à Contag em articulação com a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Central Única dos Trabalhadores (CUT). A agenda prevê reuniões com prefeitos, vereadores e associações comerciais dos municípios brasileiros e ocupação de prédios do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS) em todo o Brasil.

“Vamos fazer um trabalho de corpo a corpo com os 513 deputados e olhar nos olhos deles e perguntar se eles serão capazes de tirar a aposentadoria de um salário mínimo da mulher agricultora que produz alimentos para o Brasil”, afirmou Broch.

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16 comentários

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Anônimo

31 de março de 2017 às 15h26

nao acredito nisso

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Regina leite

30 de março de 2017 às 15h57

Sou regina leite 54 anos trabalho na roça a 44 anos hoje vivo doente de astrosse 4 hérnia de disco ainda tenho osteoporose e pra completar também sou diabete faltava apenas alguns meses para me aposentar pois contava com essa aposentadoria para comprar os remédios pois não posso mais trabalhar com essa reformar e agora meu Deus

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Joaquim Ferreira Mota

25 de março de 2017 às 10h26

Sou filho de agricultores que sempre dão um duro trabalhando sol a sol na lavoura de milho e feijão. Essa reforma é muito injusta para com todos os agricultores do Brasil e do meu Ceará.

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jean

16 de março de 2017 às 11h34

Meu nome é Jean Carlos Sari sou formado em ciências contábeis mas não sou atuante da área pois ainda continua na área da agricultura, com tudo que esta acontecendo não vejo mais motivos para continuar na agricultura! Se preparem para o exido rural!

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Joao vitor

07 de fevereiro de 2017 às 21h47

Sou advogado previdenciarista, e sou contra a contribuiçao do pequeno agricultor. Esse beneficio e a verdadeira redistribuiçao de renda, caso se exija contribuiçao vamos ver familias inteiras na miseria.

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    Jaqueline Ferreira

    27 de março de 2017 às 21h58

    Exatamente isso que vai acontecer! Famílias inteiras na miséria!

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Mônica Aparecida Valério

02 de fevereiro de 2017 às 01h03

Trabalhei na agricultura familiar com meus pais e 3 irmãos. Eu e meus irmãos começamos trabalhar aos 8 anos de idade em varias atividades como: desbrotar tomateiros, colher tomates e frutas, separar nas caixas, tocar gado para ser ordenhados, plantar feijão, milho e arroz com aquelas maquinas manuais, trilhar arroz no terreiro para secar e muitas outras atividades que ia até a noite.Eu e meus irmãos íamos para a escola que ficava a 3 km descalço e sem agasalho, por estrada de terra, que as vezes era lama. Era difícil ter dinheiro eu ficava preocupada quando precisava comprar material escolar e ter de pedir para meus pais. Até hoje tenho dois irmãos que permaneceram na atividade rural e sofrem muito, principalmente quando perdem a lavoura, por alteração climática, pragas ou outros fatores. Quanto a mim, agora sou funcionária publica, agente penitenciária, tenho 60 anos de idade, fazem 52 anos que trabalho, falta um ano e meio para completar os 30 anos de contribuição. Estou sofrendo de depressão, por ter passado por várias rebeliões de presos e presas, fiquei de refém, fui ameaçada de morte e estou esgotada, não tenho mais forças, não aguento mais! Socorro!

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José olimpio dos Santos

28 de janeiro de 2017 às 17h10

Isso é um absurdo eu comecei a trabalhar na agricultura oas 5 anos de idade com o meu pai, sr pedro olimpio , hoje faltando menos de 2 anos pra aposentadoria aí vem essa reforma. Com 65 anos e bem capaz de ter morrido.

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Ronaldo Santos

26 de janeiro de 2017 às 21h14

Isso é uma vergonha. Eu quero ver esses políticos trabalhando em pleno sol forte das 5 da manhã até as 6 da tarde por uma semana pra ver se esses políticos mudavam de opinião. Uma semana um político desse ai na roça.

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claudimar

17 de janeiro de 2017 às 18h22

nossa os trabalhados custam esperar a idade o dinheiro deleles nao da pra nada um horror

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Gabryel

06 de janeiro de 2017 às 12h20

Queria saber se aqueles trabalhadores rurais que já vem contribuindo a um bom tempo, vai poder se aposentar com a idade antiga, ou seja mulher 55 e homem 60

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neuza neres

15 de dezembro de 2016 às 15h45

eles roubam ate nao querer mais ai quer vim tirar nas costas dos agricultores que trabalham debaixo do sol da chuva isso e inreparavel um abisurdo nao voto mais em nimguem nessa droga de democracia

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Ocomentarista Tcomment

07 de dezembro de 2016 às 15h37

BEM FEITO!! A bancada ruralista depois de se empanturrar com PRONAF e Plano Safra viraram as costas pra presidenta Dilma!!

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C.Poivre

07 de dezembro de 2016 às 15h29

A MENTIRA do deficit da Previdência é uma das maiores lendas urbanas (e rurais) das que têm sido divulgadas pela globo e acólitos com o fim de privatizá-la, que é o mesmo que destruí-la. Sugiro que consultem a tese de doutorado da profª Denise Gentil, do Instituto de Economia da UFRJ, que prova
de forma cabal e definitiva que a Previdência Social brasileira é superavitária. Vejam o que os eternos sonegadores (grandes corporações, principalmente de MÍDIA, e bancos)devem atualmente só ao INSS (em torno 250 bilhões de reais, contando-se apenas os 13 mil maiores devedores) e vejam quanto do Fundo da Previdência tem sido, inconstitucionalmente, desviado para pagar uma mentira chamada “dívida pública”.

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    Joaquim Ferreira Mota

    25 de março de 2017 às 10h28

    Concordo

    Responder

Atreio

07 de dezembro de 2016 às 15h12

Ora… o homúnculo chegou acabando com MDA….
é sabido e notório q ele não entende nada de abastecimento ou produção agrícola – quiçá sustentabilidade, soberania nacional e trasnferência de tecnologia.

não chega nem na esquina.
babou o golpe dos canalhas.

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