Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

A reforma trabalhista e o implacável pêndulo da história

Por Pedro Breier

10 de julho de 2017 : 20h18

Por Pedro Breier, colunista do Cafezinho

A história parece mover-se mais ou menos como um pêndulo. Eu, um irremediável otimista, creio que a base que sustenta este pêndulo, que vai de um lado para o outro, move-se apenas em um sentido, rumo à emancipação humana, à liberdade.

O problema é que o pêndulo brasileiro – e, de resto, o do mundo – é viciado. A enorme força dos detentores do dinheiro e, portanto, do poder acaba viciando o pêndulo da história. Assim, a cada mínimo avanço da liberdade corresponde um brutal e desmedido contra-ataque.

Façamos um breve panorama da história política brasileira desde o golpe de 64 para exemplificar.

João Goulart tentou implementar as reformas de base e foi deposto por meio de um golpe.

A ditadura militar puxou o pêndulo para o extremo do autoritarismo violento e da desigualdade social.

A Constituição de 1988 foi a reação oposta. Trata-se de uma das Constituições mais avançadas do mundo, com grande enfoque nas questões sociais e nas liberdades individuais.

Após a promulgação da Constituição, manifestou-se o vício do pêndulo. O poder econômico e seu grande baluarte, a mídia monopolizada, sequestram a política e impedem que importantíssimos, sob o ponto de vista da liberdade, da dignidade e da democracia, artigos da Constituição saiam do papel. Muitos não são aplicados porque não foram regulamentados, quase 30 anos após a promulgação da Carta!

A reação à Constituição Cidadã foram anos do carcomido neoliberalismo, cujo resultado foi a permanência do Brasil no vergonhoso time dos campeões mundias em desemprego, desigualdade social, miséria e fome.

Em 2002 o pêndulo novamente se movimentou para a esquerda, com a vitória do PT nas eleições presidenciais. Iniciou-se um período de redução da miséria e do desemprego. De oportunidades inéditas para milhões de brasileiros que foram os primeiros de suas famílias a terem acesso ao ensino superior.

O golpe de 2016 é a brusca reação do pêndulo no sentido oposto. O objetivo é nada menos do que exterminar a parca rede de proteção social construída a duras penas nos anos anteriores.

A reforma trabalhista, por exemplo, é um acinte. Foram contemplados exclusivamente os interesses dos empresários no projeto de lei que provavelmente será votado amanhã, no Senado. A Justiça do Trabalho, que garante um mínimo de proteção aos trabalhadores, restará completamente esvaziada caso o monstrengo seja aprovado. É um projeto que visa rebaixar ainda mais as condições de vida da classe trabalhadora. Isso em um dos países mais desiguais do mundo!

A aprovação da reforma trabalhista, somada à terceirização irrestrita, já em vigor, transformará o Brasil no paraíso dos que não têm escrúpulos e, por isso mesmo, não se importam de ganhar a vida – e fazer fortuna, muitas vezes – nas costas da miséria e do sofrimento alheios.

Entretanto, o movimento pendular, senhores senadores, é infalível. Quanto mais vocês esticarem a corda, mais pesada será a volta.

Se os governos bastante moderados do PT já foram um estorvo para o conservadorismo brasileiro, esperem para ver o que acontecerá se essas reformas anti-povo forem colocadas em prática.

Quando a monarquia se descolou demais da realidade e puxou o pêndulo para o seu lado como se não houvesse amanhã, foi implodida. Maria Antonieta mandou o povo francês que passava fome comer brioches e perdeu a cabeça.

Sigam neste delírio insano de que a política deve ignorar o povo e “servir ao mercado”, como disse o apalermado Rodrigo Maia, nosso provável próximo presidente ilegítimo.

Mas saibam que, indubitavelmente, vai ter volta. E das boas.

Pedro Breier

Pedro Breier é graduado em direito pela UFRGS e colunista do blog O Cafezinho.

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10 comentários

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Roberto

11 de julho de 2017 às 23h43

Maria Antonieta nunca disse ao povo para comer brioches!

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Marcelo Magalhães

11 de julho de 2017 às 09h58

Pessoal do Cafezinho, mais atenção à língua portuguesa! Vocês não têm um revisor? À CADA mínimo avança da humanidade? Essa expressão não pede crase! Por favor,né? A CADA MÍNIMO AVANÇO…

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    Pedro Breier

    11 de julho de 2017 às 11h29

    Não temos revisor, Marcelo. Já está corrigido, obrigado!

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João Batista Kreuch

11 de julho de 2017 às 09h31

Por mais cético que eu seja, não deixa de ser um pouquinho confortador esperar que essa tese realmente se confirme…

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Cristiano Abreu

11 de julho de 2017 às 07h21

Seria correto tal otimismo se as “superteses” (como as definiu Gramsci) não canabslizassem as antíteses criadoras. Vemos nessa Ditadura de mídia: a agenda “liberal” anti-social é ensurdecedoramente dominante. É a a agenda dos monopólios matando as antítese: matando o pêndulo da História. Por isso seu otimismo está errado: p ver esse pêndulo andar p Frente teremos que Destruir a SuperTese monopolista

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    Pedro Breier

    11 de julho de 2017 às 17h46

    Uma hora isso vai acontecer, Cristiano, nenhum império dura pra sempre… Uma hora o pêndulo vai com toda a força pro outro lado.

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      Roberto

      11 de julho de 2017 às 23h46

      O império russos durou quase mil anos!

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Maria Lucia

11 de julho de 2017 às 01h22

Não adianta bater em cachorro morto !!!! Temer é só a distração para a votação da “reforma” trabalhista amanhã!!!!
Assim que passar – o Canalha cai – pra alegrar a torcida!!!!
Hoje fui pra Paulista e voltei amargurada (desanimada nunca !!!!) … não é possível retroceder mansamente… não é possível se acostumar com o cabresto mais e mais apertado… não é possível se conformar com a exploração !!!!

#DasRuasNÃOSairemos
#NÃOAReformaTrabalhista
#NENHUMDireitoAMenos

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Lili Brown

11 de julho de 2017 às 00h53

Tomemos as ruas aos milhoes para impedir a reforma trabalhista! Brasileiros, os golpistas estao tirando todos os nossos direitos! A luta e agora e nas ruas! Eleicoes gerais e diretas ja!!!

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Jose Fernando Lopes

10 de julho de 2017 às 21h00

COM CERTEZA, PONTUAL EXPLANAÇÃO!!!!!

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