O Cafezinho

segunda-feira

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dezembro 2017

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Pedro Rocha: As​ ​transmissões​ ​ao​ ​vivo​ ​como​ ​ferramenta​ ​de​ ​luta

Escrito por , Postado em Redação

Por Pedro Rocha

É com imenso prazer que começo aqui um ciclo de artigos que falarão sobre tecnologia e política e, sobre as formas mais eficazes de aplicá-las. Acredito que podemos nos empoderar através das ferramentas disponíveis para difundir a informação e fazer com que nossa voz chegue nos mais diversos lugares, alcançando o objetivo de furar a “tal bolha”, um desafio que parece hercúleo diante do monopólio da grande mídia.

Para começar, vou falar da minha especialidade: transmissões ao vivo!

Acho interessante fazer aqui um pequeno histórico dessa parada, que nesse mundo digital é conhecida também por streaming.

É considerado o primeiro streaming da história do mundo, um jogo de beisebol entre Seattle Mariners e os New York Yankees, feito pela ESPN SportsZone (veja aqui como funcionou a chamada para todo o mundo
https://miscbaseball.wordpress.com/2012/09/10/1995-the-beginning-of-internet-baseball-broadcasts/) que transmitiu para milhares de assinantes em todo o mundo, vale lembrar que esse streaming era somente de audio, o que naquele momento já significou um avanço gigantesco.

Para quem chegou agora nesse papo é bom lembrar que streaming nada mais é do que a transmissão de audio e video sem a necessidade de fazer download.

Agora que você já se ligou que a transmissão sem download poderia democratizar completamente o acesso à informação, bem como, a sua própria produção, também já se deu conta que essa tecnologia não estaria disponível para todos. Ou seja, com uma tecnologia demasiadamente rebuscada, os streamings ficavam restritos aos grandes meios/veículos de comunicação.

Essa história vai ficar, de fato, interessante, lá nos meados de 2007, quando uma empresa chamada Ustream é fundada em São Francisco. Com seu site era necessário, apenas, realizar seu login, plugar sua webcam e sair ao vivo pelo mundo, nascia ali a revolução dos streamings.

Importante destacar que a ideia dos criadores da Ustream era fazer com que seus amigos, que estavam na guerra do Iraque, conseguissem, se comunicar com seus familiares.

Hoje a empresa já conta com mais de 80 milhões de espectadores em todo o mundo e aponta para um crescimento significativo nos campos político, de entretenimento e de tecnologia.

Alguns usuários, em 2007 e ao longo de 2008, ainda sofriam com suas conexões precárias e acabavam desistindo de suas transmissões, uma vez que o Ustream não suportava transmissões de baixa qualidade.

Só então em 2009, ao meu ver, que acontece a maior revolução do streaming, com a explosão das redes sociais, smartphones e principalmente do Twitter. Nessa onda um grupo de amigos japoneses resolvem lançar um site de streaming popular, o famoso TwitCasting, iniciando sua operação em 2010, e foi aí que começamos a aparecer para o mundo!

Em 2010, o youtube também fez sua primeira transmissão ao vivo no Brasil, o que popularizou ainda mais esse tipo de serviço por aqui, transmissões de todos os tipos explodiram pelas terras tupiniquins, mas o marco para o nicho político teve seu estopim mesmo nas manifestações de 2013.

De forma inovadora e, usando o Twitcasting a Mídia NINJA começou a transmitir as jornadas de Junho Brasil a fora, naquele momento, tivemos, certamente, o divisor de águas.

Minha percepção acerca da utilização dessa ferramenta como instrumento para contribuir com a luta política ficou clara e mergulhei de cabeça no mundo do “ao vivo” sem medo de errar. O mundo novo está na minha frente e eu fazia parte da construção dele.

Ainda em 2013, um fato marcante mostrou como o live stream é importante na luta política, em uma das manifestações, em um live, que reunia milhares de pessoas assistindo, a Mídia NINJA denunciava ao vivo, sem cortes e, no meio da multidão a repressão policial, ouso dizer que ninguém antes havia feito aquilo, não daquela forma.

Naquela altura do campeonato, os NINJAs já eram publicamente conhecidos. Felipe Peçanha, o Carioca, figurinha carimbada nas manifestações, portando seu celular, narrando a manifestação, do meio da multidão mostrava tudo, até a hora em que ao filmar uma prisão, foi preso também, em meio a um enorme tumulto, foi levado para delegacia e, em questões de minutos, centenas de pessoas entoavam em frente a delegacia: “Ei polícia cadê a mídia NINJA?”. Dai para frente os lives só aumentaram e sua importância crescia na mesma proporção.

Aproveitando a onda, em Agosto de 2014, o Facebook lança a ferramenta Facebook Mentions. Lembro que o lançamento foi feito por Marcelo Tas e, eu, nessa época, completava cinco anos na assessoria de comunicação do mandato da Deputada Jandira Feghali. Imediatamente, instalei o mentions em meu celular e adentrei a sala da deputada dizendo: “bora entrar ao vivo?” Lembro que naquela época, Jandira foi uma das primeiras políticas a entrar ao vivo, não sei precisar o porquê, mas “só sei que foi assim”. Nosso crescimento nas redes aumentou consideravelmente e, entrar ao vivo virou uma ferramenta primordial na comunicação do mandato. Mantivemos o ritmo, continuamos a utilizar a ferramenta que hoje avaliamos como um dos carros chefes do nosso mandato, com médias e alcance e visualizações com bom desempenho, os “ao vivos” nas redes da deputada já superaram inclusive a audiência on line de páginas de grandes veículos de comunicação, como exemplo, a última votação da denúncia de Michel Temer. Enquanto nossa página alcançou, em determinado momento, cerca de 3 mil visualizações simultâneas, páginas como a da BandNews batia apenas mil.

São dados como esse que me fazem acreditar na importância dessa ferramenta e me motivaram a escrever esse artigo, pois acredito que é possível nos mantermos na trincheira, mesmo com um exército ainda pequeno, acredito, verdadeiramente, que somos parte fundamental dessa batalha contra os grandes meios/ veículos de comunicação.

Alguns argumentos, tais como falta de estrutura já não me convencem mais da impossibilidade de realização de uma transmissão ao vivo. Desde o mais simples ao mais elaborado ao vivo, todos são importantes, fundamentais e, fáceis de serem viabilizados.

Nessa vida mambembe, digo a vocês, da experiência de um “ao vivo” feito por um simples celular com conexão 3G, chegando a poder realizar um com mais de 5 câmeras, grua e, até mesmo drones, eu acredito sim que é possível.

Lembro-me até hoje do meu primeiro ao vivo, com uma câmera simples com saída RCA, usei uma placa chamada EasyCap e fiz a transmissão do “ao vivo” do meio de uma praça.

Não posso esquecer também, do dia que, no meio da Lapa, com um smartphone eu transmitia o avanço desproporcional da tropa de choque pra cima de um povo.

Em determinado momento, um oficial desce do famoso caveirão com um celular na mão e mostra para um outro policial a transmissão ao vivo que eu fazia ali – que nesse momento já ultrapassa a casa dos 3 mil espectadores.

O policial tinha uma arma de bomba efeito moral com a mira em mim, ele fazia um movimento que indicava que eu tinha que ir embora, no minuto seguinte um outro policial surge do meu lado e quase que cochichando no meu ouvido diz “desliga pra não morrer”.

Narro esses fatos como uma forma de chamamento para a luta dos lives, para usarmos cada vez mais essa poderosa ferramenta na construção das nossas narrativas e, também para mostrar além da nossa bolha o que acontece.

Estamos nas ruas, o mundo vai além do que se vê na tela da globo, muito além dos requentados fatos narrados pelo Bonner, em um jornal que não tem nada de nacional.

Conto contigo para saber do que tem acontecido aí nas tuas bandas e, se você achar complexo sair por aí transmitindo, conta comigo!

Pedro Rocha é midiativista, analista de mídias sociais e um dos responsáveis pela comunicação do mandato da Deputada Federal Jandira Feghali

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