Sabatina de Manuela na Carta Capital

Que não debochem da nossa esperança equilibrista!

Por Denise Assis

06 de dezembro de 2017 : 23h24

Por Denise Assis

Quando Michel esticou a sua ponte para o passado e se aboletou na cadeira presidencial, em nossas vidas caía a tarde feito um viaduto.

A sociedade brasileira, entorpecida pelo bombardeio midiático, e, crédula nos senhores “da Lei”, seguiu em passos trôpegos, tal qual um bêbado trajando luto. Sim, nós brasileiros, hoje, fazemos papel de palhaços. E isto me lembrou Carlitos.

Somos obedientes e submissos, como se vivêssemos no mundo da lua.

Enquanto isto, Michel, tal qual o dono de um bordel, diz com quem a pátria vai para a cama. Com que empresa estrangeira ela vai se deitar… Por aqui, os ditames da Constituição mais parecem a nós, cada estrela fria a implorar um brilho de aluguel.

Para 2018 prevemos nuvens, lá no mata-borrão do céu. E tememos os tempos em que falar em eleições era o mesmo que chamar os homens que chupavam manchas torturadas, que sufoco.

Sim, o povo brasileiro mais parece o Louco, o bêbado com chapéu-coco. Vai haver um momento, em que se acorde da letargia para impedir que a horda de malucos fascistas queira de volta o batalhão que fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil

Esta terra, que hoje não sonha e nem sequer espera a volta do irmão do Henfil, e  de tanta gente que partiu num rabo de foguete, apenas chora. Difícil, quase mesmo impossível é prever o futuro da nossa pátria mãe gentil.

Por toda parte choram Marias e Clarices no solo do Brasil, por terem sido banidas dos programas sociais e, com isto, não terem mais o que dar aos seus filhos na hora do jantar.

Esta é uma dor genuína, pungente, a de assistir a um filho desmaiar na escola por não ter sido alimentado. Este retrocesso, no entanto, não há de ser inutilmente vivenciado por esta população desvalida. Pois, certamente, ela não tem o que comer, mas tem boas lembranças do tempo em que havia iogurte na geladeira. Essa gente tem título de eleitor, essa gente tem vontade própria. A esperança de que haja eleições e possam exercer o inalienável direito do voto, dança na corda bamba de sombrinha. Há incertezas. E em cada passo desta linha a população sabe que pode se machucar. É para ela que sobra sempre.

Mas azar também para os políticos que insistiram em ficar do lado das medidas opressoras para a classe trabalhadora. Para esses, os eleitores podem reservar boas surpresas nas urnas, caso as eleições ocorram.

A esperança equilibrista de tirar de cenas esses “senhores”, pode calar fundo naqueles que sentiram o golpe do roubo dos seus direitos. Cada trabalhador, a cada dia que nasce, sai de casa para buscar o sustento da família, e o faz porque sabe que o show de todo artista tem que continuar. Mas na boca da urna, é ele quem dirige o espetáculo.

 

  • Written by Aldir Blanc, Joao Bosco • Copyright © Universal Music Publishing Group

Denise Assis

Denise Assis é autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

8 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Clá

07 de dezembro de 2017 às 19h32

Maravilha de texto. Ao ler o texto, escuta-se a música. No entanto, a melodia é marcada por um baixo-contínuo, que ameaça a integridade do campo social: o que se pode chamar de capital. Mais chocante do que tudo o que está acontecendo, é o grau de imbecilização da população. Enquanto as minas estão explodindo sob os nossos pés, pessoas ao nosso redor estão olhando o celular, babando e rindo. Se você esticar os olhos para a tela do aparelho, vai ver que ela está postando selfies ou jogando joguinhos imbecilizantes, mas nunca, NUNCA acessando conteúdos para ampliar seu nível cultural ou de instrução. A combinação baixo nível de escolaridade + uso do celular e redes sociais = imbecilização completa, alienação e absoluta disponibilidade para ser subjugado, dominado, psiquicamente morto, robotizado. É insuportável conviver com uma concentração recorde de burrice por metro quadrado de solo.

Responder

Maria da Gloria Metzker

07 de dezembro de 2017 às 18h27

Excelente texto. Parabéns.

Responder

Murilo Moreira Ribeiro

07 de dezembro de 2017 às 12h46

Para começar a reverter esse quadro:
http://outraspalavras.net/brasil/como-tornar-reais-os-referendos-revogatorios/

Responder

Jorge Leite Pinto

07 de dezembro de 2017 às 12h31

Ótima idéia do texto.
Abraço.

Responder

Ierecê Avenia de Moura Mello

07 de dezembro de 2017 às 06h27

Excelente analogia.

Responder

christiane Petersen

07 de dezembro de 2017 às 00h39

E assim, o brasileiro dança na corda bamba de sombrinha e em cada passo dessa linha pode se machucar! Lindo e sensível seu texto! Parabéns!

Responder

Odete

06 de dezembro de 2017 às 23h30

Lindo….. e triste!!!!

Responder

    Denise Assis

    06 de dezembro de 2017 às 23h50

    Obrigada. Sim, tristes trópicos…

    Responder

Deixe uma resposta

Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com