Sabatina de Manuela na Carta Capital

China com títulos em yuan, marca data para vencer o dólar

Por Tulio Ribeiro

07 de dezembro de 2017 : 05h21

(Imagem: VTV)
Mesmo que oficialmente, se registre de 680 a.c. os primeiros lingotes e placas que foram usadas como moeda na região de Lídia, entre a Turquia e Grécia, é na China há 5000 anos que cientificamente se deduz a utilização mais antiga.

Conceitualmente a moeda é usada como medida de valor, instrumento de poder de compra e meio de reserva de riqueza. Pode-se reportar que se trata de um título emitido pelo país de origem, e desta forma seu valor real está na riqueza daquela nação em honrar aquele papel-moeda.

Entrementes, a razão da forma de valor não apenas se constitui da riqueza do país, mas na liquidez de sua moeda que pode ser medida pela aceitação em transações, foi com base nesta definição que os Médicis na Itália do século XV, os Fugger e os Weiser na Alemanha entre o século XV-XVI formaram grandes montantes de capitais e uma rede de conversão por toda Europa.

Transportado para nossa realidade , vivemos um dilema histórico, onde por mais que uma nação seja hegemônica caminhamos para um mundo multipolar ou pelo menos a existência de três potências. Esta abordagem é uma premissa necessária, pois assim como econômica a supremacia monetária se reporta a geopolítica. Os tempos mudam, os impérios vem e vão.

O dólar é a moeda majoritária atualmente. Mas ela está longe de ter um grau hegemônico do pós-guerra até o início do século XXI. As circunstância dos Estados Unidos ainda os sustenta como líder monetário, posssui 18,6 trilhões de dólares de PIB, o maior mercado consumidor global e concomitantemente o maior poder bélico, o que permite uma ascendência as outras nações do mundo.

A China representa o segundo PIB com 11,2 trilhões de dólares, o maior parque industrial do planeta e a economia mais forte no conceito paridade poder aquisitivo(PPA-ler a coluna de 20/11). Apesar dos primeiro cinquenta anos a revolução ter subdimensionado seu poder militar, os investimentos atuais junto com a Rússia impõe uma frente paritária com EUA, difícil dimensionar uma vitória neste campo sem apoio dos dois países asiáticos.

A situação chinesa é de maior comprador de petróleo do mundo, posição necessária para suprir a sua indústria, de energia. Desta forma tem implementado uma pressão para que países exportadores ampliem sua venda ou iniciem utilizando o yuan e abandonando a moeda estadunidense, que é padrão desde a crise de 1973. Somente esta mudança pode totalizar 900 bilhões a menos de demanda pelo o dólar, gerando uma inflexão que paralelamente valorizaria o Yuan. A realidade que se apresenta é que a Venezuela, o Irã , Indonésia e Rússia já adotaram este paradigma que tende se tornar majoritário.

Os Estados Unidos por possuírem grande déficit comercial e fiscal permite financia-los pela emissão de mais papel-moeda e pagando seus credores em dólar, por conseguinte inundando a economia global com sua moeda, desta forma realimentando este padrão monetário.

A China segue o sentido inverso, sendo superavitária nas suas transações correntes e contas do Estado ela tende acumular dólar e não ” exportar” sua moeda. Este modelo permitiu acumular 3 trilhões de dólares em reserva cambial além de ser a maior credora do país americano.

É particularmente claro que a China, por esta análise, possui uma realidade próxima de superar o dólar. Superado a questão do mercado de petróleo coma inserção do yuan, o país inicia uma fase decisiva para cambiar a moeda mundial: A China vai ofertar sua divisa em forma de bônus, ou seja, criar atrativos para investidores aplicarem suas reservas em yuan.

Segundo o diretor do Instituto de Energia e finaças da Rússia, Mijail Yershov:

” A China prepara uma liberalização multifuncional do mercado financeiro, assim as autoridades chinesas tem programado zerar restrições
existentes a participação de pessoas não residentes em seu mercado de valores nacional no prazo de três anos, atualmente com limite de 51% do capital total.”

Esta mudança histórica significa uma emissão mais ativa em yuan. A liberalização reduz dependências do dólar, inundando o mercado com moeda chinesa. parceiros com a Bloomberg, Barclays e J.P. Morgan abririam novas posições de investimento em bônus chineses.

Conclusivamente a China possui ferramentas para derrocar o dólar, seja pelo poder ascendente do petroyuan, seja por um novo sistema de aplicações de títulos agora da eminente líder mundial. Afinal os tempos mudam, impérios são substituídos por novos impérios mais eficientes.

Autor: Tulio Ribeiro é graduado em Economia, pós-graduado em História Contemporânea, Mestre em História Social e doutorando em Ciências para Desenvolvimento Estratégico.

Tulio Ribeiro

Flávio Túlio Ribeiro Silva é graduado em Ciências econômicas pela UFBA,pós graduado em História Contemporânea pela IUPERJ,Mestre em História Social pela USS-RJ e doutorando em ¨Ciências para Desarrollo Estrategico¨ pela UBV de Caracas -Venezuela

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7 comentários

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Jorge Leite Pinto

07 de dezembro de 2017 às 22h45

Concordo com o comentário do “Mar”, abaixo. Estávamos assumindo um importantíssimo protagonismo na geopolítica mundial, com características próprias, nossas riquezas e potencialidades (água, petróleo, várias commodities, potencial agrícola único no planeta, população jovem e se escolarizando em nível ascendente, com incremento de convênios internacionais, amazônia, programa nuclear, etc). Quando chega um retardado e, a mando de interesses da banca W.St./City, destrói tudo com este golpe patético de quinta categoria. Não perdem por esperar.
Quanto aos outros comentaristas, que se posicionaram histericamente em relação à China, sinto vergonha alheia. Entram no blog para mostrar ignorância e preconceito, pois só pensam binariamente, achando que o articulista defende que sejamos “colonia” da China, quando a analise é extremamente pertinente e realista sobre os rumos da geopolítica mundial. São aqueles vira-latas que só conseguem raciocinar como colonizados, jamais como brasileiros orgulhosos de seu povo e sua pátria.

Responder

    Ricardo

    08 de dezembro de 2017 às 06h31

    Jorge,
    Muita gente tem em seu imaginário uma China “Comunista”.

    E por causa disso, nutrem simpatia por este país. Pois imaginam que o comunismo é o melhor sistema econômico para um país crescer.

    Eu já estive na China, e te garanto, que de comunista, a China não tem mais nada.

    Capitalismo selvagem impera. Trabalhadores não tem direitos, e não existe imprensa livre, assim também como não existe democracia. Não existem eleições e nem partidos.

    Corruptos levam tiro na cabeça em praça pública, e a família tem que pagar pelo projétil usado.

    É esse país que vcs querem como a potência dominante no mundo.

    Responder

Ricardo

07 de dezembro de 2017 às 11h29

Quanta fissuração pela China, caro Túlio.

Só te lembrando que a China não é mais o país comunista que vc acredita que é. Só no nome mesmo. Hoje a China é capitalismo puro.

Além disso, é um capitalismo ultra agressivo, onde os trabalhadores não tem décimo terceiro, não tem férias, não tem FGTS, não tem nada.

Além disso, a China não é uma Democracia.

É esse país que vc quer que assuma a liderança do mundo?

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    Luca

    07 de dezembro de 2017 às 11h44

    Estes esquerdo-patas, acreditam que tendo a China como líder mundial, um país com cultura muito diferente de todo ocidente, vá ser melhor que os EUA. Só sendo cego pelo ódio para desejar tamanha idiotice

    Responder

    Geronimo Oliveira

    07 de dezembro de 2017 às 17h35

    E quem vai assumir a posiçao de parque industrial e qualidade de morte do trabalhador. Uma vida a cada 200 chips produzidos com o mais fino mercurio do planeta. A China e um absurdo mundial que nos mostra quao hipocrita sao os pensadores e politicos. A troco de umas porcariazinhas baratas…… se interpreta aquilo la como exemplo…pelo amor do cachorro no prato. !

    Responder

Mar

07 de dezembro de 2017 às 08h54

Impressionante como a China soube aproveitar as oportunidades e se tornar uma potência mundial. Impressionante como o Brasil abriu mão de seguir o mesmo caminho, retirando do poder quem tinha este projeto e colocando no seu lugar o projeto entreguista. É desalentador ver a lava jato destruindo tudo que conquistamos nos últimos anos em prol dessas potências e ainda ver o Moro ser considerado herói nacional. É por isso que ele terá que ter uma punição exemplar para nunca mais surgir um brasileiro traidor lesa-pátria que ouse a fazer o mesmo que ele fez.

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    Geronimo Oliveira

    07 de dezembro de 2017 às 17h36

    Caro, vc sabe a troco de que a China e isso que e? Nao parece saber, porque nem como exemplo deveriamos usar um pais como aquele….Uma ditadura de esquerda onde o capital, mais que qualquer coisa, manda.

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