Comentários sobre: O conto preferido de Clarice Lispector https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 14 Dec 2017 04:03:00 +0000 hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 Por: DANIELA BORALI https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-471129 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-471129 (…) Até que treze tiros nos acordam, e com horror digo tarde demais — vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for precioso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva.

Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo-terceiro tiro o que eu dormia? Sua assustada violência. Sua violência inocente — não nas conseqüências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta.

Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estre­meça. (…)

(Clarice Lispector)

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Por: Cibele Nunes Alencar https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-466874 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-466874 Em resposta a Nemo.

Obrigada por compartilhar esse achado!!!

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Por: Cibele Nunes Alencar https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-466869 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-466869 Desde que conheci Clarice Lispector, não percorrem meus olhos simples palavras. Eu as degusto ou as devoro a depender do ritmo das vírgulas. E ainda depois de mastigadas as palavras são por mim sentidas no trajeto do meu corpo. Eu as degluto e as rumino… e, jamais as defeco. Por vezes as vomito, requentadas as engulo outra vez. Elas não têm fim e se incorporam em minha proteína e compõem o meu DNA. Percebo que a cepa de Clarice não vem dela, nem ao menos vem do ancestral comum entre todos os primatas. A cepa de Clarice é anterior ao divino Faça-se.
Dramaticamente, a edição de todos os contos me observa da cabeceira da cama. Ilusão, Lispector’s olhos observam as organelas da célula de Mineirinho, da galinha e do ovo. Eles se voltam para dentro deles mesmos, olhos infinitamente introvertidos. Vejo com espanto: o de dentro deles sou eu?!… Ela observa o nada e pontua a mim: eu que ainda não me percorri como quem ainda não tem a alma pronta. Ela lista o que em mim encontrou, tentando ela mesma se pontuar, tendo por mim um parâmetro!?… Feiticeira! Bruxa! Arrepio-me pasma e atônica, como uma velha moradora que encontra pela primeira vez um sótão em sua própria casa. No humor vítreo dos olhos do mundo clariceano pululam baratas expressivas, volantes, tão visíveis quanto o nariz em um rosto. No meu rosto… Oh, Deus! Sou a barata, sou assassina, sou Clarice. Deixe-me ser, Clarice… Suplico-te que me deixes ser…. Mas, Lispector’s olhos, voltados à luz anterior ao próprio feixe que de dentro deles poderia sair, veem o caminho que a alma percorre, quando anônimos olhos acostumados às grandes coisas piscam tranquilos, sem se darem conta do infinito vazio que os compõem. Clarice ocupa o vazio que encontrei em mim. Se não houvesse o 10 de dezembro de 1920 eu existiria?
#claricelispector

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Por: Renata https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-464720 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-464720 Simplesmente adoro esse texto de Clarice Lispector. Brutalmente belo.

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Por: Nemo https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-464639 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-464639 Em resposta a Nemo.

Mais… http://www1.uol.com.br/rionosjornais/rj45.htm

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Por: Nemo https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-464638 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-464638 Em resposta a Mar.

Zezé é um trabalhador comum que ama sua namorada Maria das Graças. Sua vida sofre uma reviravolta quando uma mulher desconhecida entra no bar onde estava e lhe pede ajuda contra três homens que a perseguiam. Zezé tenta impedir que os bandidos agridam a mulher e é violentamente espancado. Achando que vai morrer, Zezé mata o líder dos bandidos com uma garrafada na cabeça. Nesse momento é ouvida a sirene da polícia e todos fogem, inclusive Zezé que é levado pela mulher que se chama Isabela para um barraco no Morro da Mangueira, onde ela vai cuidar de seus ferimentos.

Fizeram um filme sobre este Mineirinho (não o atual, que é indigno)…. “A vítima de Zezé era uma bandido temido e a imprensa sensacionalista abre grandes manchetes sobre o caso, apelidando Zezé de Mineirinho. A polícia continua a investigar e sobe o Morro, mas no caminho acontece um tiroteio com o traficante Cobrinha e seu bando, que também estavam atrás de Isabela. Os três policiais que estavam na ação são mortos e a imprensa atribui os crimes a “Mineirinho”, que assim se torna o “Inimigo Público Número Um”. O Comissário Geraldo e seus homens entram no caso, cercam o morro e começam a vigiar a namorada de Zezé. Mas Zezé consegue escapar do cerco com a ajuda de Isabela e de bandidos (Neném, Caveira, Cabo, Onofre) e moradores da favela. Revoltado com a situação, Zezé reage com violência e começa a liderar os bandidos em várias ações criminosas e também se torna um “benfeitor” da favela, agindo como um “Robin Hood” do morro, o que acirra ainda mais a perseguição a ele por parte das autoridades e da polícia.”

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Por: Mar https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-464602 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-464602 Já li um livro da Clarice Lispector: A hora da estrela. Confesso que não sou muito fã dela não. Sobre o conto, me perdoe a falta de sensibilidade neste momento para análise literária deste conto, mas em tempos de golpe e farsa jato, não tive como não pensar no Mineirinho da atualidade. Isso mesmo, no Mineirinho da lista da Odebrecht. Semelhante ao Mineirinho do conto, o Mineirinho da atualidade é dado a tirar vidas, já ameaçou até a acabar com a vida do próprio primo caso ele delatasse. Os danos que o Mineirinho da atualidade faz, é bem maior que o do conto: apostou no quanto pior melhor para derrubar sua adversária do poder, não se importando se isto afetaria milhares de vidas, ele tira direitos do trabalhador, entrega o patrimônio nacional ao capital estrangeiro e tem malas de dinheiro proveniente de propinas. Tem outros crimes também ligados a certo helicóptero que rondava lá pelas bandas de MG, que nem vou me aprofundar muito. A lista é grande, o Mineirinho da atualidade sabe tocar terror. Porém algo me chamou atenção, no que se refere a postura da polícia com o Mineirinho. A polícia do conto, não hesitou em por fim a vida de crimes do Mineirinho, matando-o com 13 tiros (aliás número bastante sugestivo). Já a polícia da atualidade é parceira do Mineirinho, não mexe com ele nem por um decreto. Aliás não só a polícia, mas todo o judiciário. O Mineirinho da atualidade está de boa. Espero que em 2018 o 13 seja de novo o número que vai por fim a lista dos crimes do Mineirinho, pelo menos na política.

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Por: Monica Valente https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-464597 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-464597 Noosssa, que soco no estômago! Brilhante e atual! Obrigada por publicar e partilhar.

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Por: Ricardo G Ramos https://www.ocafezinho.com/2017/12/12/o-conto-preferido-de-clarice-lispector/#comment-464595 https://www.ocafezinho.com/?p=82079#comment-464595 “… o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila e que outros furtivamente fingirão que esta­mos todos certos e que nada há a fazer.” Imensa Clarice!

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