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dezembro 2017

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Sergio Moro, Lava Jato e Globo: o Mal que bate a nossa porta

Escrito por , Postado em Arpeggio, Miguel do Rosário, Redação

Dia 25 de dezembro de 2017. Dia de Natal.

Enquanto em todo mundo cristão se fazem homenagens ao nascimento de Jesus, o primeiro profeta de Israel que não apelava ao punitivismo, que orientava seus seguidores a lutarem exclusivamente com as armas do bom senso e da persuasão. Que pregava o amor ao próximo, mesmo que este fosse um “inimigo” ou um “criminoso”. Que não ousava ferir sequer os animais e, com isso, pôs fim aos sacrifícios que haviam marcado a religião antiga por milhares de anos. Que andava ao lado de ladrões e prostitutas, tratando-os como seus irmãos e irmãs. Que era um profeta diferente de todos os que o antecederam, porque não insultava, não agredia, não desejava o mal a nenhum povo e a ninguém. Que era, em suma, um profeta do perdão, não do castigo.

Enquanto o mundo inteiro celebra o nascimento, não apenas de um profeta, mais de uma nova filosofia, baseada não mais no ódio e na vingança, mas na fraternidade e no amor.

Enquanto isso se dá, o jornal O Globo, no dia 25 de dezembro, estampa uma manchete com o nome de Sergio Moro, ao lado de mensagem em que o juiz pede mais ódio, mais vingança, mais intervenção estatal, e menos garantias legais, menos perdão, menos liberdade.

(Eu não consegui recuperar a capa do jornal O Globo do dia 25, versão impressa ou PDF, porque não sou mais assinante do jornal, mas algum internauta poderá fazê-lo, e publicar o link aqui. Se não foi do dia 25, foi na véspera…)

(Moro foi eleito “personagem do ano” pelo grupo de empresas mafiosas de mídia, todas nascidas ou consolidadas durante os terríveis e assassinos regimes de exceção que marcaram o continente nas últimas décadas).

No mesmo dia, ou no dia anterior, alguns procuradores da Lava Jato, cúmplices do juiz Sergio Moro, sem noção qualquer do que representa a revolução de Cristo, apesar de posarem como religiosos, vomitam mensagens cheias de incontrolável ódio contra uma dessas raríssimas iniciativas do Estado em favor da liberdade: o indulto de Natal.

Deltan Dallagnol e Carlos Fernando Santos Lima, procuradores chefes da Lava Jato, passaram os últimos dias praticando todo o tipo de ofensa imaginável contra o presidente da república, contra o STF, contra o legislativo, por causa do tradicional indulto natalino, quando o Executivo, através de uma prerrogativa que lhe foi concedida pela Constituição de 1988, perdoa cidadãos brasileiros (sim, ainda são cidadãos) que tiveram bom comportamento na prisão.

DD chegou ao ponto de acusar o presidente da república de oferecer indulto em “causa própria”, chamando, explicitamente, Michel Temer, de um bandido que perdoa outros bandidos para que ele mesmo seja perdoado quando for preso.

Alguns internautas, de esquerda ou direita, consideram que eles tem a liberdade de xingar o presidente nas redes sociais, porque o fazem como cidadãos, não como procuradores.

Outros, confundindo política com torcida, alegam que Dallagnol falou uma “verdade”.

Terrível engano!

Se Dallagnol fizesse um comentário sobre futebol, externasse uma opinião sobre ideologia, falasse genericamente o que pensa do governo, do impeachment, da mídia, tudo bem! Ele não fez isso! Dallagnol chefia uma das mais (perniciosas, autoritárias e antinacionais) abrangentes operações de investigação criminal que se tem notícia no país. Ele investiga também, sob vários aspectos, o presidente da república e, portanto, teria obrigação redobrada de não fazer prejulgamento, nem demonstrar que se deixa levar por ódio e paixões políticas.

Poderia até externar, tarado medieval que é, sua crítica ao indulto de natal, mas jamais transformar essa crítica num insulto tão pesado às instituições!

Um blogueiro, sim, pode insultar o quanto quiser as instituições!

Um blogueiro não ganha salários astronômicos do Estado e não pode, como um procurador, mandar prender, mandar matar, cassar mandatos, em nome da lei!

Um procurador é um funcionário do mais perigoso – e poderoso – órgão de repressão já visto em qualquer democracia do mundo.

O Ministério Público do Brasil não encontra paralelo em nenhum outro país democrático!

Um procurador dos EUA pode ser demitido a qualquer momento pelo presidente da república, pelo governador ou pela própria população.

Um procurador brasileiro é um mandarim com poder acima de tudo e todos.

O mínimo que se pede a um procurador, portanto, é que se dê ao respeito e não haja como uma blogueira teen revoltada!

Os brasileiros esquecem tudo, mas este blogueiro não. Há alguns meses, o ex-procurador geral da república, Rodrigo Janot, denunciou os ex-presidentes Lula e Dilma, e o Partido dos Trabalhadores, de formarem uma organização criminosa. A acusação, para variar, não trazia nenhuma prova. Era apenas uma maneira de oferecer, pela enésima vez, uma capa ao Globo.

Na verdade, Janot tentava, com isso, ganhar apoio da Globo contra denúncias que, ele sabe, surgirão contra ele mesmo: ele sim, Janot, foi membro de uma organização criminosa.

Janot liderou ações para destruir as mais importantes empresas brasileiras, chamando procuradores de vários países, Estados Unidos à frente, para lhes entregar informações sensíveis contra a Petrobrás, contra a Odebrecht, contra nossos projetos em energia nuclear, contra a Embraer.

Tentemos ser lúcidos! Não estamos aqui mais falando de “teorias de conspiração” e sim de “atos de conspiração” realizados à luz do dia, à frente de todos!

Janot, Sergio Moro e procuradores da Lava Jato viajaram diversas vezes para os Estados Unidos, e colaboraram diversas vezes com autoridades deste país, sem jamais sequer comunicar ao governo brasileiro, sem mediação da nossa diplomacia, sem explicações à sociedade brasileira!, fornecendo-lhes, a estes agentes do governo americano, informações sensíveis relativas aos negócios das mais importantes empresas brasileiras, como Petrobrás, Odebrecht, Eletrobrás, Eletronuclear!

Alguém pode conceber crimes mais terríveis do que eles cometeram? Será possível que a população, ou pelo menos suas franjas mais cultas e bem informadas, esteja tão idiotizada a ponto de ter perdido completamente o bom senso?

Até quando a Globo manterá a opinião pública nacional prisioneira de uma narrativa tão fantástica, onde se idolatra entreguistas e traidores da pior espécie?

Em seu último livro, A elite do atraso, Jesse Souza chama a Lava Jato de a mais odiosa farsa sofrida pela sociedade brasileira, e faz um apelo quase desesperado à razão: “os feitos de imbecis [pela Lava Jato e pela Globo] de todo o país: uni-vos! Recuperemos a nossa inteligência”.

Voltando a Sergio Moro e a Dallagnol, não tenho outro termo: são dois sociopatas.

O Brasil já possui a terceira população carcerária do mundo.

Os esforços democráticos devem se dar sempre no sentido do desencarceramento, ou seja, de tirar gente das prisões, e, sobretudo, de reduzir o poder do Estado (em especial dos juízes) de prender mais gente.

Temos que ampliar os direitos individuais e as garantias, e não aniquilar os que já temos!

Não há impunidade no país!

Há excesso de punição!

Se há políticos e empresários, e gente rica de maneira geral, que conseguem arrastar, por décadas, processos judiciais, isso não é porque há excesso de garantias no país, e sim porque o judiciário é classista e corrupto!

É só ver a diferença com que tucanos e petistas são tratados pelo judiciário!

O processo contra Lula bateu todos os recordes em termos de agilidade na tramitação! Se a nossa imprensa plutocrática – junto com seus prepostos corruptos no judiciário, cujo exemplo mais repugnante é o ministro Luis Roberto Barroso – não fosse tão cínica, ela teria de admitir, em nome de um mínimo de honestidade intelectual, que a celeridade do processo de Lula prejudica o direito deste, de seu partido e de todos os seus representantes, de se defenderem, e não o contrário!

Já os processos contra tucanos se estendem por tempo indefinido, até prescreverem, ou são engavetados, ou acabam todos, miraculosamente, em mãos do ministro Gilmar Mendes, o que beneficia politicamente o PSDB e seus representantes!

E se alguma coisa precisa mudar, não é certamente promovendo o arbítrio contra o PSDB, contra empresários e contra membros muito bem selecionados da classe política, e sim estendendo as garantias e direitos a toda população!

A nossa “elite do atraso”, cujo porta-voz é a Globo, é tão doentiamente vinculada ao retrocesso, à injustiça, ao arbítrio, que ela prefere que o Estado violente os direitos e garantias de membros da própria elite, numa espécie de sacrifício humano de alguns de seus pares, a permitir que o regime democrático e suas liberdades se consolide no país!

Que representantes da própria esquerda se submetam a esta narrativa cínica, e que permitam que um judiciário transformado, há tempos, em capataz da elite financeira, amplie o seu poder, é motivo para entendermos o poder avassalador, quase hipnótico, da comunicação e da demagogia penal.

A pior ditadura é aquela que submete o espírito, então lutemos para preservar nossas ideias e nossa liberdade espiritual!

Caros representantes da esquerda midiática e punitiva, fujam desta armadilha enquanto é tempo! Ao povo brasileiro não interessa prender alguns políticos e empresário às custas de produzir uma jurisprudência que irá, ao longo das próximas décadas, manter milhões de brasileiros encarcerados em condições desumanas!

Lutem contra a prisão em segunda instância!

Lutem contra Sergio Moro!

Lutem contra Marcelo Bretas!

Lutem contra Dallagnol!

Lutem em favor de mais garantias, mais direitos e mais liberdade!

A impunidade e a corrupção se combatem com justiça, democracia, distribuição de renda, não com arbítrio, não com violência, não com mais… injustiça!

***

Aproveito a ocasião para me retratar, enquanto editor do Cafezinho, em favor de um amigo dileto deste blog, o jornalista Luis Nassif. Um colaborador nosso, que também já perdoei por suas palavras, manifestou-se, por um exagero retórico, de maneira injusta em relação a Nassif. Tudo por causa de um choque de narrativas relativas a Eduardo Cunha. Cunha, de fato, é tratado com uma estranha deferência pela mídia e pelo sistema de justiça. Ele é tratado pela mídia como todos os presos deveriam ser tratados, com dignidade. Enquanto Sergio Moro permitiu que presos em Curitiba se tornassem como que animais de zoológico, e fossem observados por atores e produtores do filme da Lava Jato (o que prova que a lei NÃO é para todos), enquanto Sergio Cabral, Rosinha Garotinho, Marcelo Odebrecht são expostos à execração pública, Eduardo Cunha é protegido, a ponto de alguns levantarem até mesmo suspeitas se estaria realmente preso. Entretanto, isso é outra história. Nós, internautas que compõem, a meu ver, o núcleo duro e em expansão de resistência democrática, devemos cuidar para nos mantermos unidos, fraternais e solidários uns com os outros. Peço, então, desculpas a Nassif pelas palavras de nosso colaborador e reitero o respeito e admiração que tenho por seu trabalho.

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