Ciro Gomes ao vivo na Band

As esquerdas à espera de Godot

Por Denise Assis

03 de janeiro de 2018 : 17h11

Denise Assis

O ano de 2018 já começa antecipando o calendário, levando o foco da política para o dia 24 de janeiro, data em que o TRF-4 irá decidir o destino do ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, líder nas pesquisas para as eleições de outubro. Até lá, vê-se nos espaços tradicionais de mídia uma verdadeira campanha pela sua condenação. Por exemplo, a entrevista do presidente de honra dos tucanos, FHC, concedida a um jornal de grande circulação, de São Paulo, e reproduzida em uma das revistas semanais, em que diz: “o país não vai tremer se Lula for condenado”.

É até possível que não trema, pois, o jogo explícito e escancarado de condenação prévia pode, mesmo, quebrar o fator surpresa. Mas eu não teria tanta certeza. O que FHC não leva em conta é que o fator rejeição a Michel e à sua política de extinção dos direitos do trabalhador tem afetado a vida nacional muito mais do que ele imagina, e indignado até os que bateram panelas para tirar a presidenta Dilma.

A leve recuperação das commodities lá fora, uma insignificante retomada da economia e um certo otimismo no ar (graças ao endividamento, no cartão, feito pelos brasileiros, no Natal), não significa que a população não perceba o índice absurdo de desempregados, e todas as dificuldades por que o país atravessa.

Enquanto a direita torce pela condenação de Lula, Freixo, o ex-candidato à prefeitura do Rio,  aposta na desunião das esquerdas para tirar Lula do páreo e dar uma “arejada” na política, com a ajuda da turma da casa da Paula Lavigne. Para Freixo e uma parcela dos que se fragmentaram em candidaturas isoladas para a presidência, a cláusula de barreira, que ameaça os partidos menores de extinção, tem falado mais alto.

Em tempos normais de temperatura e pressão, quando a política corre seu curso,  seria até compreensível que assim se comportassem em defesa do seu quinhão. O que causa espanto, no entanto, é que não se deem conta de que os tempos não são de normalidade. Estamos vivendo um período excepcional, em que temos na cadeira da presidência um governo ilegítimo, aprofundando a cada dia o golpe que perpetrou.

Não é possível que os vários segmentos da esquerda não percebam que quem foi capaz de, num país em crise aguda, investir bilhões em duas rodadas de leilões de medidas para salvar a própria pele e o direito de permanecer na cadeira, vá entregar o poder de bandeja para um partido que acabaram de golpear. Não estarão sendo por demais ingênuos?

O que mais se escuta, da boca desses cidadãos, é a expectativa de união das esquerdas “no segundo turno”. Alô? A direita golpista está entrando nesta eleição para ganhar, ou ganhar. E, para isto, não importam fraudes, e novos golpes. Será que esses que estão à espera do “segundo turno”, não se deram conta de que esta é uma eleição para ser definida no primeiro turno, e ponto?

Então, meus amigos, ou as esquerdas se unem agora, entendendo de vez que é uma questão de vida ou morte da defesa das ideias nas quais acreditam, ou vão morrer na praia, esperando Godot. Não haverá união das esquerdas no segundo turno, porque segundo turno não haverá.

Denise Assis

Denise Assis é autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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11 comentários

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Andre Rs T

04 de janeiro de 2018 às 11h46

a globo aposta no efeito Doriana: com a esquerda detonada por ela globo o eleitorado nao votaria numa disputa sem Lula, elevando a chances de eleicao do candidato do golpe no primeiro turno, sim, votos brancos e abstencoes sendo a maioria dos votos, mas para a lei feita para o golpe, isso nao importa: Doria ta ai fazendo presepadas mas isso nao importa

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María Augusta

04 de janeiro de 2018 às 08h30

María Augusta

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Marilourdes Trindade

04 de janeiro de 2018 às 01h19

Denise, se houver eleição em outubro, devia ser decidida no primeiro turno. O #golpismo na América fervilha, operando para o “dono do mundo” e a devida importância ao que se passa parece que ainda não foi dada pela resistência. Freixo falou sobre a “fragmentação da direita” justificando múltiplas candidaturas na esquerda. No entanto, enxergo diferente. Em notícia de 29/12/17 li que o Gustavo Ferraz, que carregava as malas de Geddel-PMDB/BA também arrecadava para Aécio-PSDB/MG. De maneira coesa eles se articulam em torno de poder e do dinheiro. Medem as chances de cada um milimetricamente. Conspiram contra o Brasil e o povo. E nós arrogantemente, pensamos que temos tempo para um “segundo turno”.

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Zé Roberto

03 de janeiro de 2018 às 22h06

Ciro Gomes 2018! A esquerda deve largar a vaidade de lado e apoiar o Cirão da massa!

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apolinario jose pereira

03 de janeiro de 2018 às 21h34

Gostei Denise Assis, você disse tudo, não haverá segundo turno e muito menos candidatos de oposição, pois todos tem medo de perder mais uma vez do Lula, por isso o imbativel Lula será candidato único, pois a direitona sob o comanda Globo, band e toda a imprensa golpista, e ministerio publico e justiça, já sabe vão ter que engoli Lula mais uma vez e por muitos anos. É Lulalalala!!!.

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Reginaldo Gomes

03 de janeiro de 2018 às 19h08

ENQUETE:
O povo está mais pra direita, ou pra esquerda , ou não tem lado ?
RESP.: –O povo tem lado sim senhor!!!!! É o lado que a televisão mandar ele seguir.
Num creio!!!!!!!
–A televisão é um ser obsessor maligno presente em 100% (pasmem!!!) das casas do povo brasileiro obsediando 24h por dia, todos os dias, todo mundo. É impossível o povo ter opinião própria !!!!!!!!!!!
O povo só irá pras ruas se a televisão mandar e no lado que a televisão escolher, aceitem ou não . É um fato.

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Edite Lucas

03 de janeiro de 2018 às 18h53

Parabéns pelas verdades exposta no texto. Tbm é bom lembrar q outra prova de q não largarão o osso é a campanha (na mídia tradicional e em outros meios do poder) p adiar as eleições. Mais uma razão para lutarmos contra essa gang q está no poder dos 3 Poderes “Independentes entre si”. É uma campanha em que se levanta várias bandeiras ou balão de ensaio como a ideia de votar nulo nessas eleições, de vento em polpa nas páginas do face. Em suma, estão agindo em várias trincheiras p não dá trégua à esquerda (única que representa o povo, sem entrar no mérito da perfeição)

Miguel, pq vc a blogosfera nacional progressista não está tão combativa como antes? N me refiro a este blog. Pquê? logo agora q os lavabosteiros de Curitiba se encontram mais perto da lona e com chances reais de serem derrocados de vez?

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claudio-sc

03 de janeiro de 2018 às 18h44

A única saída é a luta.

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Marcelo

03 de janeiro de 2018 às 17h41

A única saída é a rebelião e revolução…

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    Cosme

    03 de janeiro de 2018 às 18h21

    Pegar em armas e luta armada?

    Responder

Guitardo

03 de janeiro de 2018 às 17h29

A única saída é a esquerda se unir!

https://www.youtube.com/watch?v=iKT3d1B35TU

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