Comentários sobre o áudio vazado de André Esteves (BTG Pactual)

A quem interessa a paz dos cemitérios?

Por Pedro Breier

16 de março de 2018 : 14h14

(Charges: Latuff e Quinho)

Por Pedro Breier

A sequência de fatos retratada na charge do Latuff e as características típicas de uma execução que envolvem a morte da vereadora do PSOL/RJ Marielle Franco indicam fortemente que a motivação do crime é política.

A política forneceu, além da motivação, o ambiente propício para o assassinato de uma mulher, negra, lésbica, defensora dos direitos humanos, militante de esquerda, oriunda da favela.

Marielle personificava quase todos os grupos historicamente perseguidos e oprimidos pelo sistema.

O ódio a esses grupos foi insuflado enormemente pela mídia hegemônica e seus associados a partir do processo que desencadeou o golpe de 2016.

A quantidade de comentários odientos publicados na rede sobre a morte de Marielle demonstram que o aplauso de uma parcela da sociedade à repressão contra os grupos que a vereadora personificava deixa os repressores – neste caso, os assassinos – muito mais à vontade para perpetrarem o horror.

No mesmo dia do bárbaro crime, o prefeito de Porto Alegre/RS, do PSDB, sancionou uma lei que impõe pesadas multas para manifestações que tranquem ruas. Em São Paulo, a Guarda Municipal subordinada a João Doria batia em professores que protestavam contra o ataque aos seus salários, como é costume especialmente em governos tucanos.

Esses fatos estão interligados.

O clima de autoritarismo que se instaurou no país após o golpe deixou muito filhote da ditadura assanhado.

A ideia é silenciar, seja na base da canetada, da porrada ou da morte, as vozes que se insurgem contra a nova ordem.

Dando nome aos bois: a direita golpista e antipovo brasileira, em todas as suas expressões, é responsável pelo assassinato de Marielle, na mesma medida em que é responsável pelo ressurgimento do fascismo em nosso país.

Seu projeto elitista só pode ser colocado em prática na marra. A paz dos cemitérios é ideal para que a exploração da população excluída possa continuar tranquilamente.

Não terão, contudo, sucesso em sua empreitada insana.

A comoção e a revolta diante do absurdo atingiu o país inteiro e expandiu-se para o mundo.

Os atos de protesto, ontem, foram gigantescos. Em São Paulo, a quantidade de jovens com tristeza – mas também muita gana de lutar – no olhar era impressionante.

O endurecimemto do regime levará, inexoravelmente, ao endurecimento da resistência.

A morte de Marielle não será em vão.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve n'O Cafezinho desde 2016, sendo atualmente um dos editores do blog.

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7 comentários

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Fabio de Medeiros de Oliveira

16 de março de 2018 às 15h32

Vamos lá. Ela foi colocada no cargo de vereadora pelo comando vermelho. Portanto o comando vermelho esperava que ela iria defender as comunidades deles. Ela começou a defender e a jogar ao lado do terceiro comando de Acari.
Isso foi a sentença de morte dela. Já era esperado isso.

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    Ana Teresa Cruz

    30 de junho de 2021 às 04h16

    A juíza q divulgou essa fake news teve q no mínimo se retratar. O boi continua divulgando. Marielle foi eleita pela comunidade q morava e a esquerda não foi pela MILÍCIA q executa e mata. O demente e q foi eleito pela milícia e colocou no poder milicianos. Ele disse q NADA SABIA e a especialidade como militar era MATAR. Já são 500 mil mortos. País com as inflação, povo vivendo nas ruas com fome, dólar a mais de 6 reais. O Titanic Brasil afunda. Somos párias no mundo, proibidos de entrar na Europa e USA. Adeus Disney, adeus Miami, adeus Paris e Londres. E o gado continua mugindo mito, mentindo compulsivamente como o demente MITÔmano q elegeu. Mãos sujas de sangue. Cúmplices do. Morticínio. Sepulcros caiados.

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Henrique

16 de março de 2018 às 15h10

Lá vem.o mimimi, é culpa da Globo, é culpa do impeachment !

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    Walter Rodrigues

    16 de março de 2018 às 16h18

    Não, Henrique! Culpa sua, que bateu panela!

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      Henrique

      16 de março de 2018 às 17h52

      Não , Walter, a culpa é sua que é um cagão que sempre defendeu bandido.

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        Walter Rodrigues

        16 de março de 2018 às 20h47

        Hoje, Henriquinho, tu és um Bolsonarista, ontem tu era um malufista (cria dos milicos/64). Quem sempre defendeu e defende bandido e ladrão? Você!

        Responder

Sebastião Farias

16 de março de 2018 às 14h57

Aos maus brasileiros que incitaram o preconceito e a violência contra seus semelhantes e patrícios cidadãos, que fomentaram o golpe e pediram a ditadura, conseguiram o que queriam, agora, aceitem!.
Quanto aos cidadãos que defendem a valorização das pessoas, o respeito a ajustiça imparcial para todos, à Constituição Federal, a democracia como regime de governo e expressão do poder soberano do povo, o estado de direito e defendem os direitos e cidadania dos trabalhadores, dos pobres, dos miseráveis, dos excluídos e dos marginalizados, que isso, sirva de aviso.
A história do Brasil nos contempla e, nos devolve e lembra exemplos a serem seguidos contra a opressão: não se intimidar, não calar a vós e contribuir para a instrução das pessoas, sobre o que é cidadania, dignidade e soberania.
Não esqueçam:”são os estudantes a energia, que fará desta nação, a bomba que o mundo ouvirá, num brado de libertação”.
Boa sorte a todos nós, confiança, Deus está com o povo brasileiro e, a Sua justiça, não tarda.

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