Ineep: Lucro das estatais cresce em 2017

Charge: Reinaldo & Bira

Compartilho aqui o ótimo texto do Ineep (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra) sobre o lucro das empresas estatais brasileiras.

É claro como água que nossas empresas são rentáveis e fortes e que não há justificativa alguma para privatização, exceto o desejo entreguista de destruir nossa industria, entrega-las para o capital internacional e viver do rentismo e da exploração dos serviços.

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Do site do Ineep:

Alta no lucro dos bancos, queda no investimento público e aumento no número demissões: os dados recentes sobre o desempenho das empresas estatais deflagram a lógica financista do atual governo, que tem como agenda auferir lucros para acionistas no curto-prazo sem prover um horizonte de desenvolvimento econômico que englobe emprego e renda para a classe trabalhadora brasileira. 
O Ministério do Planejamento informou nesta quarta-feira, 28/03, que as principais empresas estatais federais tiveram lucro líquido de R$ 28,362 bilhões em 2017, valor 214% maior do que o registrado no ano anterior, quando o saldo positivo foi de R$ 9,031 bilhões. Segundo Valor, as principais empresas responsáveis pela alta dos lucros são as estatais ligadas ao Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, registrando com aumentos lucros líquidos comparados a 2016 de 37% (R$ 11,01 bilhões) e 202% (R$ 12,52 bilhões), respectivamente. Na outra ponta, a Eletrobras registrou prejuízos de 49% (-R$ 1,73 bilhão) em relação ao ano anterior. 
De acordo com o secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), Fernando Ribeiro Soares, o bom resultado das estatais se deve principalmente à recuperação de caixa da Petrobras, que depois de registrar três anos consecutivos de prejuízo (em 2016 foram R$ 13 bilhões a menos), obteve lucro de R$ 377 milhões no ano passado, puxando o rendimento global das empresas públicas para cima. Nesse sentido, a companhia foi citada como um dos bons exemplos para o aumento nos lucros das estatais, uma vez que “deixaram um leque grande de atividades e passaram a focar naquilo que elas fazem de melhor”. 
Dados recentes da Petrobras, no entanto, contradizem a fala do secretário: de acordo com o balanço apresentado pela companhia em março deste ano, a Petrobras registrou em 2017 o quarto ano de prejuízos consecutivos, com saldo negativo em R$ 446 milhões no ano passado. Seria confusão ou má-fé do Ministério divulgar dados diametralmente opostos ao balanço da estatal?
Além disso, parte da redução do prejuízo na Petrobras se deve a venda de ativos e de participação acionária (R$ 14,8 bilhões), resultado da política de desinvestimentos da companhia. De acordo com o economista do INEEP, Eduardo Costa Pinto, embora os desinvestimentos tenham aparência de lucratividade, visto que diminuem custos operacionais ao mesmo tempo em que se criam receitas extraordinárias a curto prazo, a consequência dessa política de privatização como fonte de receitas está na diminuição da capacidade de geração de caixa operacional da companhia, inviabilizando projetos a médio e longo prazo, impedindo a diversificação produtiva que poderia auxiliar a estatal brasileira em momentos de variação de preços do petróleo. Com o caixa operacional reduzido em 32% entre 2016 e 2017 (de R$ 88,7 bilhões para R$ 76,6 bilhões), os resultados da política de desinvestimentos já se mostram evidentes. Outro valor digno de nota, no caso da Petrobras, são os impressionantes R$ 137 bilhões pagos no último ano em juros e amortizações de dívidas, que acabam por sinalizar o avanço da financeirização da empresa. “Quem ganha com isso tudo são os segmentos financeiros, os importadores internacionais, as grandes empresas petrolíferas integradas que ampliam sua atuação no pré-sal e agora os acionistas norte-americanos”, afirma o pesquisador do INEEP.
 Embora comemorado pelo governo como bom resultado financeiro agregado, os números informados pelo governo também apontam para outros dados preocupantes: de todo o orçamento previsto para investimentos das estatais apenas 59% foi executado, num total de R$ 50,4 bilhões. Esse é o menor percentual de execução desde 2000, segundo série histórica disponibilizada pelo Ministério do Planejamento. Outro fator que desperta atenção é o corte no número de funcionários, que de 533.188 em 2016 foi para 504.444 no ano passado, uma redução de 5,39%. O número de empresas estatais também caiu, passando de 154 em 2016 para 146 no ano passado, resultado obtido com a venda, liquidação ou extinção de quatro empresas e a incorporação de outras quatro pelo Banco do Brasil, pela Telebrás e Petrobras. 
Financeirização das empresas estatais, programas de demissão em massa, privatização e desinvestimentos em projetos estratégicos para o desenvolvimento nacional: o lucro das estatais brasileiras em 2017 não foi para os brasileiros.
Tadeu Porto: Petroleiro e Secretário adjunto de Comunicação da CUT Brasil
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