Sabatina de Manuela na Carta Capital

Michel não pode chegar de novo onde nunca esteve

Por Denise Assis

17 de Maio de 2018 : 20h35

Denise Assis

Depois de dois anos com a aprovação na casa de um dígito, Michel não precisa mais ouvir o costumeiro “Fora Temer”, por onde passa. Não pode estar “fora”, quem, de fato, nunca esteve dentro, a não ser dos círculos restritos dos seus apaniguados, e dos deputados que comprou.

O povo sabe que ele chegou lá esticando uma ponte para a porta dos fundos do palácio, onde entrou e, constrangido, se é que seja dado a esses sentimentos, nem sequer se atreveu (para o bem de todos nós), a atravessar no peito a sagrada faixa presidencial feita sob medida para os que chegam ao poder  pelo voto.

E, a propósito, gostaria de combinar com os colegas para que não continuem a escrever que Michel quer “tentar a reeleição”. Não, meus amigos. Michel não pode tentar chegar de novo, onde nunca esteve. Serei mais clara. No Brasil, eleito é o presidente da República. Os vices são convidados a compor chapa, para defender e ajudar a construir o plano de governo elaborado em comum acordo. Não existe voto para vice. E, no momento em que Michel abandona o plano de governo para o qual foi eleito, e escreve “na perna”, como se diz em jargão jornalístico, um arremedo de plataforma para catapultar a si mesmo ao poder, ele não tem mais nada a ver com a chapa a que renunciou. Portanto, o que Michel anda indeciso se postula ou não é à condição de candidato à eleição.

E, sinceramente, eu se fosse ele me faria de morta até outubro, com vergonha do desempenho pífio. Michel nunca foi aceito, nem mesmo pelos paneleiros que gritaram animados “Fora Dilma”. Parecia que bastava jogar fora os nossos 54 milhões de votos e o país voltaria a sorrir. Deu no que deu. O Brasil voltou 20 anos em dois, mas isto é outra história. O que precisamos deixar acertado é que candidato ou não candidato, Michel não está postulando a “reeleição”, pois eleito não foi. E, diga-se de passagem, nem será.

 

Denise Assis

Denise Assis é autora dos livros: "Propaganda e cinema a Serviço do Golpe" e "Imaculada". É colunista do blog O Cafezinho desde 2015.

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2 comentários

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Beto Castro

17 de Maio de 2018 às 23h17

Dizem que vampiros são imortais. Mas, este simulacro de pinguela está morto e sepultado para sempre. Seu legado golpista e entreguista somente será lembrado por uma minoria ínfima de gatos pingados – seus comparsa do golpe. Não existiu nem existirá presidente ilegítimo mais odiado pelos brasileiros em todos os tempos na República golpeada. O título do artigo é impecável.

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Dio

17 de Maio de 2018 às 21h31

E isso faz todo sentido, até pq se fôssemos considerar que ele fora eleito, essa seria o seu terceiro pleito a presidência, algo impedido até para a presidenta eleita legítima.

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