Entrevista de Haddad ao SBT

E se o próprio Mourão fizesse a nova Constituição?

Por Pedro Breier

14 de setembro de 2018 : 19h54

Havia um tempo em que existiam as pessoas escolhidas por Deus para governar os demais e usufruir da riqueza. Ou ao menos era essa a história que as “famílias reais” contavam para justificar a hereditariedade do exercício do poder.

Ao resto da população restava obedecer. Eram, não por acaso, chamados de servos.

De lá para cá a humanidade evoluiu e, percebendo que os seres humanos são, em essência, todos iguais, passou a, na maioria dos países, escolher os governantes por meio do voto universal.

Afinal, se “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, não faz sentido que alguns poucos iluminados se autointitulem como os manda-chuvas.

Nem todos percebem, entretanto, essa singela lógica. O general Mourão, vice candidato na chapa do Bolsonaro, é um destes.

Ele defendeu, ontem (13), que uma “comissão de notáveis” faça uma nova Constituição para o nosso país. A população não elegeria esses notáveis, mas apenas aprovaria ou não o texto em um plebiscito.

“Uma Constituição não precisa ser feita por eleitos pelo povo”, disse o simpático general.

Essa frase provoca, de cara, uma óbvia questão: quem escolheria os constituintes, se não for o povo?

Suponho que Mourão acredite ser um dos capacitados para escolher os tais “notáveis”. Ou ele mesmo pensa ser um dos notáveis, quem sabe? Todo autoritário é, afinal, um ególatra.

De qualquer forma, não me parece prudente deixarmos Mourão escolher todos os notáveis. Como faríamos, então?

Quem sabe uma eleição para escolher aqueles que, por sua vez, indicariam os notáveis que fariam a Constituição? Mourão provavelmente consideraria que o povo ainda está muito próximo do processo…

Talvez uma eleição para elegermos aqueles que escolheriam outros que indicariam os notáveis que, aí sim, fariam a nossa Constituição? Ficou um pouco confuso…

Bom, se a ideia é impedir que o povo escolha os que vão fazer a Constituição do seu próprio país (!), de repente chutamos o balde e deixamos o próprio Mourão fazer a nova Constituição.

Depois é só mandar a Constituição do Mourão a plebiscito. Para evitar que o populacho faça besteira, as duas opções de voto seriam: “sim” ou “não, mas tudo bem, fazer o quê?”.

 

Pedro Breier

Pedro Breier, colunista d'O Cafezinho, é formado em direito mas gosta mesmo é de jornalismo. Nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo.

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20 comentários

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hocuspocus

17 de setembro de 2018 às 21h52

Um macaco armado é menos perigoso que esse gorila ignorante.

Responder

Eliseu Leão

17 de setembro de 2018 às 12h10

Ao moderador,
eu postei um comentario com um link esterno porque é preciso provar com a foto.
Se o moderador mesmo assim não aceitar, pode retirar o link.

Obrigado.
E.

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Eliseu Leão

17 de setembro de 2018 às 12h05

O general Vilas Boas declarou para BBC: «As FFAA continuam as mesmas de 1964, com os mesmos objetivos. E’ chegada a hora de consentir que o período que engloba 1964 é história e assim deve ser percebido.»

A primeira preocupação dos implicados com o golpe de 1964 foi o anulamento ou a deformação da memória histórica. Será que só os militares brasileiros não terão a força moral de exigir justiça para os colegas que expuseram suas vidas no esfôrço de combater a alienação política, social e cultural do Brasil daqueles anos?. Serà possível o fortalecimento moral sem o reexame das arbitrariedades, dos enriquecimentos ilícitos e sobretudos das atrocidades perpetradas por oficiais militares psicopatas e entreguistas?

Aos golpistas de 1964 foi clara a necessidade de impor uma férrea seleção e formação dos oficiais das FFAA de modo a garantir o caráter anti-nacional da burguesia que os comanda e o ódio inoculado no mundo — entre nós em particular —, pelos anglo-sionistas. Essa estória parece com o triste flagelo humano das meninas pobres thailandesas criadas e educadas para atender a crescente demanda do turismo sexual naquele pais. Como explicar a ausência de militares até na defesa das conquistas tecnológicas e materiais inéditas obtidas nos governos do PT? Como esquecer um tal de Bini Pereira, general da reserva que escreveu artigo publicado na primeira página de O Estado de S. Paulo ameaçando abrir um “conflito sangrento entre irmãos”. Por que? Porque o MST fora convocado por Lula para partecipar das manifestações públicas em defesa da Petrobrás (!!); outro exemplo absurdo é o mesmo papagaio Mourão que decorou para repetir no comício de outubro de 2015 o que fora publicado no Estadão em 18 de março de 1964; Jair Bolsonaro, um delinquente, um terrorista, um doente mental, que representa não apenas um eleitorado sintonizado com as suas ”qualidades” mas também o atual comando das FFAA, teve acolhida “heroica” na Academia Militar das Agulhas Negras aos gritos de “lider”. Foi em agosto de 2014. Aos cadetes, prometeu “levar o Brasil para a direita” e que “muitos morrerão” (convicto que nessa eventualidade ele não será um dos muitos, talvez um dos primeiros). Bolsonaro, ex-aluno daquela academia, esteve envolvido em planos terroristas de explodir bombas naquela escola, por dinheiro (Sic). A notícia saiu na Veja, edição número 999, de 27 de outubro de 1987. Aqueles cadetes sabiam disso?

A seleção capilar do pessoal militar é ideologicamente rigorosa que até soldados rasos selecionados para servirem como agentes de segurança responsáveis pelo controle do acesso ao Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada e Granja do Torto, sob as ordens do general oriundo da famigerada familia Etchegoyen, entenderam que podiam utilizar pistolas do exército para assaltar pedestres e depois voltarem para seus postos de trabalho. Eram três militares que faziam parte do quadro de funcionários do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República. Ao serem pegos, os militares portavam seus crachás e distintivos do GSI. Aconteceu em outubro de 2016.

O atual comando das FFAA, permanentemente adestrado como braço armado de uma elite que odeia declaradamente o proprio povo, é genuinamente medieval: na perversidade, na perversão e na corrupção. Escreveu Johan Huizinga no seu livro “Outono da Idade Media”:«Quando o mundo era mais jovem de cinco séculos, os eventos da vida tinham formas bem marcadas na existência de todos. As doenças contrastavam fortemente com a saúde; o frio rígido e as sombras angustiantes do inverno constituiam um mal essencial. Todas as coisas da vida eram de uma publicidade pomposa e cruel. Os leprosos faziam soar seus chucalhos e circulavam em procissão; os mendicantes lamentavam-se nas igrejas ostentando suas deformidades. Cada classe, cada casta, cada profissão era reconhecida no vestir. A variedade de formas e contrastes impostos ao espírito, incutia na vida de todos um ímpeto, uma emotividade que se alternava na grotesca algazarra, na crueldade violenta e na profunda ternura; vingança – ódio – fidelidade eram as bases da política.»

“Somos os profissionais da violência. Nossos heróis matam”, afirmou publicamente o general Mourão que exibiu colossal ignorância ao citar a indolência dos nossos índios, que herdamos. Vejam esse caso de covardia e desumanidade dos criminosos, corruptos e perversos comandos militares golpistas. Aconteceu no dia 7 de setembro de 1970: «Em Belo Horizonte (MG), o Exército desfilou comemorando a formação da primeira turma do curso de ”Guarda Rural Indígena” formada por índios que se deixaram treinar para coibir rebeldes no campo, se preciso, torturando pessoas. A iniciativa não foi adiante entre os índios e a prática de torturar seres vivos seguiu sendo uma demonstração de capacidade do chamado “homem branco”.»
link: http://jornalggn.com.br/noticia/aconteceu-no-brasil-em-um-7-de-setembro-por-eugenia-augusta-gonzaga

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evaldo

17 de setembro de 2018 às 07h52

não temos que temer esses gorilas, será bem diferente de 64.

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Paulo Guedes

16 de setembro de 2018 às 14h24

As manifestações de militares de alta patente, e do nem tão alta assim Bolsonaro, mostra o baixo nível de preparo das forças armadas, especialmente do exército. Todas as escolas militares defendem a geopolítica imposta por Tio Sam ao mundo: se acostumaram a andar com a coluna flexionada, não conseguem mais andar eretos.

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joão ferreira bastos

16 de setembro de 2018 às 12h21

Considerado o melhor Presidente de todos os tempos e premiado mais de 25 vezes com o titulo de Doutor Honoris Causa pelas mais importantes universidades do mundo

Não existe pessoa mais notavel que o LULA, ele chama mais um ou dois e fazem uma nova Constituição.

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Guimarães Roberto

15 de setembro de 2018 às 21h46

Vão fazer outra Constituição sem terminarem a que está em vigor. Existem vários artigos na Constituição que ainda não possuem leis específicas. Essa deveria ser a primeira tarefa do novo Parlamento e não fazer uma nova Constituição.

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Antônio

15 de setembro de 2018 às 20h10

O termo correto, em se tratando da relação entre os chefes das casas reais e o resto das pessoas, é : SÚDITOS.

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augusto

15 de setembro de 2018 às 19h13

Bom, eu indicaria de cara para a comissão dos notaveis:
Xuxa, Chitaozinho e Chororó, Tite , Neymar e Faustão.

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Jeremias

15 de setembro de 2018 às 18h52

Que tal os civis se meterem no exercito e darem palpites. A turma do canhão é sem noção.

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Ricardo J. Pinheiro

15 de setembro de 2018 às 17h34

O General Mourão está pensando que é o Vital.

(Referência obscura: Dos Margaritas, Paralamas do Sucesso).

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Edward Chaddad

15 de setembro de 2018 às 15h34

Seria simples – direto ao assunto – LÉtat cést moi!

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Gustavo

15 de setembro de 2018 às 11h19

Sempre apoio que a participação popular nos assuntos que a ela dizem respeito sejam tratados através de eleições, referendos ou plebiscitos, mas reconheço que o discurso do general (embora registro aqui que não concordo com ele) trás uma questão difícil de equacionar.

Imagine que perguntássemos ao povo como deveria ser a reforma da previdência ? Essa é uma questão apartidária e um problema em que todos os países passam (ou passaram em momentos não tão distantes) e o Brasil entra governo e sai governo e os problemas são sucessivamente adiados com pequenos ajustes que não atacam o cerne da questão.

Estaria a população apta a compreender em profundidade o problema e realmente debruçar-se sobre a questão ? Ainda que saísse algo 100% democrático seria o resultado o melhor economicamente para o povo ?

Em um Brasil com 11,5 milhões de pessoas que não sabem sequer ler e escrever eu custo a acreditar que isso aconteça. Imagine só discutir uma constituição inteira ? E ainda mais com a classe política em geral que temos.

A proposta de projetos ou de uma constituição enxuta parecem interessantes. Talvez fosse um começo.

Responder

    Paulo

    15 de setembro de 2018 às 17h09

    Gustavo, a população tem maior idoneidade do que a classe política pra decidir sobre reforma da Previdência! Pra isso serviriam os debates técnicos apresentados ao público em horário nobre, com prós, contras e propostas diferentes. Há um interesse econômico de 10 trilhões de dólares anuais querendo capturar a Previdência Pública brasileira (que é o volume de dinheiro movimentado anualmente por fundos de previdência privada no mundo), talvez o grande filão inexplorado, ainda…

    Responder

    augusto

    15 de setembro de 2018 às 19h19

    11,5 milhoes de analfabetos são 7.5% da populaçao e computando naturalmente apenas os maiores de 15 anos.
    Dois OU TRES notaveis de diferentes tendencias politicas fazem o texto base e uma assembleia eleita diretamente monta o texto final. Nao seria diferente de uma eleição inicial so para isso.
    Ai da pra pensar.

    Responder

Hudson

14 de setembro de 2018 às 20h37

Eu tinha lido em algum lugar que o próprio Mourão afirmou que a “comissão de notáveis” seria “escolhida pelo presidente.”

Mas, se o objetivo for realmente uma “constituição enxuta”, então seria interessante fazer plebiscitos (plebiscitos, não referendos) separados, sobre cada um dos assuntos essenciais.

Ou, quem sabe, submeter dois ou três projetos de constituição à escolha do eleitorado.

https://www.cartacapital.com.br/blogs/quadrinsta/notaveis-de-mourao-para-nova-constituicao-temem-psicotecnico

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    juca bala

    15 de setembro de 2018 às 07h37

    Sei não. Se for por plebiscito, você acha que pautas sobre liberdade individual como, por exemplo, direito ao aborto e direito ao uso de drogas avançam?

    Responder

      Hudson

      15 de setembro de 2018 às 12h52

      Escrevi pensando apenas “em tese”, para confrontar a idéia do gorilete.

      Esse milico general do vôMito é mais perigoso que o falastrão idiota que encabeça a chapa sem cabeça.

      Responder

Jefferson Higgins

14 de setembro de 2018 às 20h20

Só vou acreditar numa nova constituição se 2/3 do congresso for conservador. Daí o congresso e presidente podem escolher a comissão. O presidente e congresso aprovam e a população aprova em plebiscito. Em 2 anos podemos ter uma nova constituição.

Responder

    Antonio Lisbôa Antonio

    15 de setembro de 2018 às 10h56

    Que essas reuniões sejam na casa da Vanda, aqui em Aracaju.

    Responder

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