Cafezinho 2 minutos: Posse de Bolsonaro e alegações finais contra Lula

Haddad X Ciro: Leia o artigo de Erick Quintella

Por Miguel do Rosário

23 de setembro de 2018 : 10h42

Por Erick Quintella

Minhas leituras me faziam dizer que o vice de Lula, Haddad, era a segunda opção de Lula, já que Lula convidou primeiramente Jaques Wagner para ocupar esta posição. Agora sei que, após recusa de JW, Lula convidou Ciro para ocupar esta posição, que também recusou. Ou seja, Haddad é o TERCEIRO na lista de preferidos de Lula (“se não tem tu vai tu mesmo…”). Quem confia cegamente na intuição política de Lula deveria ficar assustado com esta informação.

E por que Ciro não topou?

Porque Ciro é tão líder quanto Lula!

Assumir a posição de vice de Lula, mesmo que chegasse a ser o candidato de fato como agora Haddad é, implicaria ter que pedir a benção de Lula para cada passo que se quisesse dar (ou então fazer como o desleal vice Temer e alterar os planos de Lula quando bem entendesse… Ciro não é Temer).

Líderes não agem assim, precisam de liberdade para exercer seu protagonismo. E ninguém tem dúvidas da liderança de Ciro, que muitos confundem com vaidade.

Mas vejo tecnicamente uma razão maior, que considero mais nobre, para Ciro ter rejeitado o convite de Lula. Se Ciro tivesse aceitado a “oferta de poder fácil” de Lula teria que atuar como o porta-voz do “lulismo 2.0”. Porém, quem já leu o programa do Ciro e acompanha as oscilações das commodities no mundo sabe que o plano de governo de Ciro é uma evolução ao lulismo, e quaisquer que fossem suas versões.

Os alicerces do lulismo foram fincados na alta das commodities (produtos primários e não industrializados que o Brasil produz), situação especialíssima do planeta que não depende de nós e que vai demorar muito pra voltar. Pode-se mudar o lulismo aqui ou ali, mas não a sua natureza constitutiva.

Por outro lado, o programa de Ciro baseia-se na conciliação dos interesses de quem trabalha com os interesses de quem produz, que somam 99% da população, protegendo a ambos da ação deletéria do rentismo, ocupação de 1% da população. Aqui, as commodities são apenas uma ferramenta, não têm papel principal.

Se Ciro tivesse topado assumir o papel de Haddad estaria se comprometendo com um programa de governo que não é o seu, e que não tem mais condições de funcionar. Talvez até ganhasse a presidência fácil com essa mistificação que a lembrança dos anos de ouro de Lula (que não voltam mais!) está fazendo por Haddad, mas não teria liberdade para trabalhar.

Conclusão importante: Ciro não quer o poder pelo poder, não quer ser simplesmente o menino-de-recado de Lula, mas quer superá-lo (como todo discípulo deve superar seu mestre!), quer realmente dar ao Brasil uma alternativa ao lulismo, este que já morreu de inanição.

#LulaLivre? Sim, sempre, isso é questão de justiça! Volta do lulismo? Não.

O lulismo teve seu momento e agradeço a todos que trabalharam por ele, criando na população o gostinho de “quero mais”. O povo pode ter mais, mas pelos métodos que #Ciro12 propõe (que eu espero que não chamem de “cirismo”… nome horrível!).

Tá na hora de virar a página.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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4 comentários

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Texto Perfeito!

24 de setembro de 2018 às 12h53

Concordo inteiramente com o descrito. Tudo tem o seu tempo e o lulismo teve o dele. Devemos aprender com os erros e acertos e buscar evoluir sempre. Ciro representa muito bem essa evolução com a grande capacidade que possui para aglutinar eventuais diferenças de pensamento em propostas que trazem a chance de termos emfim estabilidade social, política e econômica. Lembrando ainda que essas oportunidades ocorreram em pouquíssimas vezes na história de nosso país. Deixou-se escapar com Brizola e temos outra agora.
Então vamos de #Ciro12.

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Ed

23 de setembro de 2018 às 14h48

Grande texto, sintetiza os principais pontos desta corrida presidencial. Não existe mais espaço para conciliação entre rentismo x quem produz e trabalha, ou o país volta a ser viável para a produção criando empregos ou vai afundar cada vez mais. Sem esta conciliação que marcou o governo Lula, se Haddad ganhar não governa. Ciro representa uma alternativa ao país, que vai combater o rentismo, equalizar as contas nacionais criando impostos para os ricos (lucros e dividendos e grandes heranças), e ao mesmo tempo investir no combate aos principais problemas para a população, geração de emprego e renda com seu projeto nacional de desenvolvimento, educação com creches e ensino médio de tempo integral, e saúde.

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Maria de Jesus de Vito

23 de setembro de 2018 às 10h59

A esquerda; se é que pode se considerar Ciro Gomes de esquerda; deveria no mínimo, na minha opinião, se manter unida CONTRA o fascismo, o golpismo e todas as mazelas que estamos vivendo nos últimos dois anos. Não interessa o que cada um pensa sobre Haddad; só quem sabe o que tem na cabeça de Lula é ele mesmo e acredito em maioria Haddad; como também não interessa o que se pensa sobre Ciro agora. No 1º turno cada um vai votar no seu candidato, Haddad apoiaria Ciro em um segundo turno, mas Ciro já disse que não apoiaria Haddad. Então, não quer o poder pelo poder? Conta outra. Volta do lulismo? Não. Por que não, se deu certo. O PT é um partido que se manteve fiel as causas progressivas e pró trabalhador em todas as votações. Sinto cheiro anti-PT nestes textos e admiro a luta do PT contra a intolerância. Não podemos tolerar a intolerância. Avante Haddad-Manuela!

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    Luiz Cláudio Pedroso da Fonseca

    24 de setembro de 2018 às 04h02

    Com sua permissão, Maria, há três letras que não têm sido reunidas nos discursos a favor de Ciro. Fica parecendo que Ciro não precisa delas reunidas porque já detém parcela do poder que diz querer conquistar. Será que decretaram o fim da disciplina partidária e o golpismo como regra? Tais questões não interessam mais à esquerda?

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