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Haddad X Ciro: decidir racionalmente

Por Miguel do Rosário

24 de setembro de 2018 : 17h45

DICIDIR RACIONALMENTE

Ainda estamos sob um golpe que fracassou nos seus dois principais fundamentos: econômico e moralista. Para derrotar o golpe pela via eleitoral, discutiu-se nos bastidores políticos a formação de uma Frente Democrática com uma chapa Ciro-Haddad. No entanto, para os estrategistas do PT o objetivo era manter a hegemonia do PT na esquerda e seu protagonismo futuro (vide entrevista ao Nassif).

Não vale a pena, neste momento, ficar discutindo o acerto ou erro da estratégia do PT. Agora não existe o Ciro+Haddad. Agora é Ciro ou Haddad. O fato urgente é que estamos à beira de um abismo fascista. Penso que devemos deixar de lado nossas paixões e decidir racionalmente com base nos dados da realidade.

As razões do Voto em Ciro:

(1) Apesar de ter sido um excelente Ministro da Educação e um bom Prefeito de SP, Haddad tem muito menos experiência política que Ciro. Isso fica evidente no grau de autonomia que cada um apresenta: Haddad sempre obedece a uma decisão de Lula. O próximo Presidente, para enfrentar os golpistas, precisará ter máxima autoridade. Os embates serão violentos porque os “tigres das corporações gostaram do sangue humano”. Em determinados momentos o próximo Presidente precisará agir como um “touro de rodeio” – não aceitar nenhum tipo de canga.

(2) A autoridade de Haddad como Presidente é mais frágil, porque ele não tem lastro político próprio. Precisa dos votos de Lula no primeiro turno e do Voto Útil no segundo turno. Ciro está em terceiro, com 13%, mas são votos seus.

(3) Desde a eleição de Dilma a sociedade está dividida quase que meio a meio. A caricatura é coxinhas versus mortadelas. Se mantida as intransigências, isto implica em imobilidade e ampliação da crise com prejuízo imediato aos mais fracos economicamente. Ciro pode superar esse imobilismo e iniciar o processo de recuperação do Estado Democrático de Direito.

(4) Para confirmar a expectativa anterior, num hipotético segundo turno entre ambos, o resultado seria: Ciro 42 e Haddad 31. A maior aceitação de Ciro indica que serão menores as resistências na sociedade às políticas de Ciro.

(5) Todos sabemos que as maiores rejeições são do Coiso (por ser fascista) e de Haddad (por ser petista). Então, um segundo turno entre o Coiso e Haddad não será uma disputa pelo melhor projeto. Antes de tudo será uma Guerra dos Rejeitados, com resultado imprevisível. Com certeza muitos “mortos” de lado a lado e o latente desejo de vingança. Há um risco real do Brasil cair no abismo fascista. As pesquisas mostram que Ciro derrota (com folga) o fascista.

(6) Ciro tem um projeto detalhado para desenvolver o Brasil nos aspectos econômico e democrático. Defende quem trabalha e produz, contra os rentistas (parasitas sociais); defende justiça tributária, com aumento de impostos para os ricos e diminuição de impostos para a classe média e trabalhadores; defende a Petrobras como empresa estratégica; defende a democratização dos meios de comunicação social; defende uma moderna legislação trabalhista e previdenciária.

Portanto, por essas razões, meu voto é em Ciro 12.

Marcos Videira

Professor de Filosofia
Aracaju – Sergipe

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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Lucas

25 de setembro de 2018 às 22h39

Luala não foi erro. Um amigo meu disse que Lula é uma espécie de Coala, bonitinho e malicioso, rs.

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Lucas

25 de setembro de 2018 às 22h38

Bom, Ciro rejeitou ser cabeça de Luala após sua indeferição. Isso já denota mais preocupação com o país e mais dignidade do que Lula/Haddad/PT tiveram em toda sua história.

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joão carlos

25 de setembro de 2018 às 02h39

Golpistas ou não, há um legítimo argumento nos eleitores de Bolsonaro. Costumo dizer que Bolsonaro é um nêmesis dos erros do PT. Existem muitos, mas muito ex eleitores de lula votando no nêmesis por sentirem-se traídos pelos mau feitos do PT no poder. Convergem no Bolsonaro uma vingança. Bolsonaro cresceu no discurso anti petismo e ganhou suporte quando os erros petistas começaram a aparecer e se tornarem insuportáveis.

Por isso que, num segundo turno HaddadxBolsonaro, eleitores independentes e não partisan, levemente de esquerda ( eu me classifico neste grupo) que não toleram o fascismo de Bolsonaro, mas também não conseguem ver no Haddad suas aspirações, vão preferir anular o voto (é é o que eu pretendo fazer). Eu sinceramente sentiria envergonhado de mim mesmo ter que votar em Haddad, mesmo que seja para evitar o nêmesis. Mesmo pq o nêmesis se alimentou pelos erros do PT.

Ciro remove esta concentração negativa no PT e o petismo que deu errado e então o nêmesis perde força, eleitores conseguem votar no Ciro sem sentirem-se envergonhados da escolha.

Haddad saiu com forte rejeição no governo da capital de SP. Eleitores desconfiados veem nele uma outra Dilma, sem carisma algum, sem personalidade própria, que sofre pra falar em público.

Ciro tem um gênio forte, tem vigor político e é outro tipo de esquerda não petista.

PS: há um outro argumento muito delicado, há o risco de, caso Haddad ganhe, que o nêmesis recusa-se a aceitar e chame seus explosivos apoiadores às ruas. Pode haver uma crise institucional forte no Brasil, como que aconteceu em 2013. Mas não vejo como Haddad conseguirá administrar uma nova crise estilo 2013, já que as polícias e forças armadas estarão 95% (projeção de apoio do nêmesis entre os militares) apoiando as reivindicações. Muito arriscado para o Brasil.

É Ciro com certeza.

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Vinicius

24 de setembro de 2018 às 19h18

Tá bem, tá bem! A Regina Duarte venceu, por medo vou votar no Ciro, por quem, aliás, tenho admiração. Aliás, pensando bem, devemos pautar nossas ações para afastarmos nossos temores de retrocesso, não é? #soquenao.
Gostaria muito de ver o Ciro num provável governo do Haddad/Manu.

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Dino

24 de setembro de 2018 às 18h48

Poderia colocar também as razões de quem defende voto em Haddad

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