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Crise no café ameaça nível de emprego no país

Por Redação

25 de abril de 2019 : 23h11

Na CBN

Crise no setor do café pode piorar os dados de desemprego no Brasil

Por terem produzido safra recorde em 2018, os empresários agora vendem o grão a preços baixos e não conseguem arcar com os custos. O estado de Minas Gerais e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil solicitaram que o governo federal tome medidas para solucionar o problema.

POR LAURA MARQUES (laura.marques@cbn.com.br)

Após um ano de safra recorde, a produção de café no Brasil sofre uma grave crise. Por causa disso, empresários apontam que o setor pode enfrentar muitas baixas, incluindo demissões.

No ano passado, o mundo produziu 160 milhões de sacas, sendo que o mercado consome cerca de 159 milhões anualmente. Foi a maior safra da história. O Brasil também registrou produção recorde, com 62 milhões de sacas. Com a oferta maior que a demanda, o preço do café brasileiro caiu de mais de R$ 400 para algo em torno de R$ 350 este ano.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a cafeicultura emprega hoje cerca de 4 milhões e meio de brasileiros. Alguns empresários já preveem que, se nenhuma medida for tomada, 10 por cento de seus funcionários fixos devem ser demitidos após a colheita, em agosto. É o que aponta o produtor, Sergio Assis, que é também presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro.

‘Após a colheita, no tempo normal – que são os funcionários fixos – é certeza que haverá uma redução. No mínimo 10%’, afirma. ‘Isso no meu caso. No caso do cerrado eu acredito que pode ser maior’.

O presidente da comissão do café da CNA, Breno Mesquita, viaja pelo interior de Minas Gerais debatendo soluções com os produtores há cerca de 20 dias. Ele explica que a cafeicultura está ficando inviável.

‘O que a gente percebe é uma desesperança muito grande’, relata. ‘Para você ter uma ideia, nós temos regiões de Minas Gerais onde o custo de produção ultrapassa R$ 500. Essa mesma região está vendendo café a R$ 350’.

Mais da metade da produção brasileira de café vem de Minas. O estado é responsável por um quinto do café no mundo. Diante da crise no setor, o governo mineiro enviou um ofício ao Ministério da Agricultura solicitando medidas urgentes para evitar impactos na economia. Por exemplo, a extensão dos prazos para pagamentos de financiamento nos bancos públicos, e a publicação de um edital para que os empresários possam vender as sacas para a União. Dessa forma, o governo pode utilizar um preço tabelado, e estocar o café para diminuir a oferta, fazendo o preço subir. Ambas as medidas já foram tomadas em outros momentos de crise nos últimos 18 anos.

Dos 463 municípios de Minas Gerais que produzem café, grande parte depende exclusivamente do grão para fazer a economia girar. É o caso da cidade de Cabo Verde, no sul do Estado. Preocupado, o prefeito Edson José Ferreira conta que a população toda já está sofrendo.

‘O que está acontecendo muito aqui é que a inadimplência está muito grande porque não tem dinheiro’, alega. ‘O problema é que não tem serviço. Não tem outra atividade aqui que dá mais emprego que o café; 80% é para o café. E outra, o ICMS vem em cima do preço do café. A matemática é uma só. Vem menos dinheiro para a prefeitura’.

Questionado pela CBN sobre a crise no setor do café, o Ministério da Agricultura informou que ainda não tem medidas concretas definidas, mas que está negociando uma forma de atender as demandas.

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6 comentários

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Zé Maconha

26 de abril de 2019 às 13h02

Imagina se pudessem plantar maconha , 1$ a grama no mínimo.
Estamos jogando dinheiro fora.
Uma saca como a de café valeria 60$ mil ou 240 mil reais quase.
E com custos menores , não precisa de agrotóxicos nem de peneiragem.
Me baseio no preço uruguaio produzido pelo governo , no Colorado existem variedades de qualidade superior bem mais caras.
E querem saber , apesar de ser raro a cafeína(que pertence a família do lsd) já provocou mortes por overdose comprovadas , a maconha nunca.

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Sergio Araujo

26 de abril de 2019 às 11h10

Bom mesmo seria se a desgraça de Pimentel nào tivesse quebrado o estado de Minas e aumentado para 25% o ICMS (o maior do Brasil com destaque) para reparar os estragos.

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26 de abril de 2019 às 09h13

Que bela notícia!!! Os agricultores que apoiaram Bozzo agora querem intervenção do estado para socorrer o setor? Mas não são eles liberais, que acreditam que o estado está muito grande?
Torço para que seja didática a crise e que esta se estenda a outros setores (principalmente pequenos empresários, caminhoneiros e agropecuaristas), que enchiam o peito pra pregar a diminuição do estado. Talvez assim, mudemos nossa maneira de pensar, passem a defender mais seus interesses em vez de defender os do baronato.

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    Zé Maconha

    26 de abril de 2019 às 12h41

    Não se engane , a elite brasileira sempre se apoiou no estado , eles querem menos estado para os pobres , menos escolas , menos hospitais.
    Nunca vi empresários recusarem empréstimos ou subsídios.
    Todo liberal é um hipócrita.

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    Flávio

    26 de abril de 2019 às 12h51

    Que o governo deixe na rua esses bostas de empregados dos cafezais que votaram no poste de Lula !

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Paulo

25 de abril de 2019 às 23h29

O “Rei Café”. O grão que viabilizou o Estado Brasileiro. O “ouro verde”. Doce e triste memória de paulista…

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