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Notas internacionais (por Ana Prestes) 30/04/19

Nova tentativa sem sucesso de Guaidó. O dia amanheceu com Caracas no centro das atenções. As forças oposicionistas resolveram armar mais um episódio na tentativa de dar como “fato consumado” a queda de Maduro. Leopoldo Lopez, que estava em prisão domiciliar, aproveitou uma troca de guarda para criar a cena de que estava sendo libertado por […]

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Chanceler venezuelano Jorge Arreaza

Nova tentativa sem sucesso de Guaidó. O dia amanheceu com Caracas no centro das atenções. As forças oposicionistas resolveram armar mais um episódio na tentativa de dar como “fato consumado” a queda de Maduro. Leopoldo Lopez, que estava em prisão domiciliar, aproveitou uma troca de guarda para criar a cena de que estava sendo libertado por Guaidó e se dirigiram para a base aérea de La Carlota. Do lado de fora da base iniciaram vídeos e convocatórias ao povo, dizendo que haviam “libertado Leopoldo Lopez” e que grande contingente das forças armadas os apoiava na tomada do país. Logo as autoridades venezuelanas desmentiram o sucesso da empreitada, entre eles o Ministro da Defesa, Padrino López, o Ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez e o presidente da Assembleia Constituinte e do PSUV, Diosdado Cabello. Manifestações de apoiadores do governo e de oposicionistas estão convocadas para amanhã, 1º. de maio.

Araújo vai prestar contas aos EUA. Alinhado com a oposição venezuelana, o chanceler brasileiro Ernesto Araújo esteve ontem (29) em Washington e de lá disse que “há muita expectativa” para as manifestações convocadas pela oposição do país para o primeiro de maio. É a terceira vez que Araújo vai aos EUA em 4 meses de governo Bolsonaro e se reuniu novamente com Pompeo e Bolton.

Ministro alemão de relações exteriores no Brasil. O Ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, está no Brasil e se reúne hoje (30) com Bolsonaro. No dia de ontem (29) ele se reuniu em Salvador, na Bahia, com cerca de 50 mulheres para dar início a uma Rede de Mulheres entre América Latina, Caribe e Alemanha. Segundo o ministro, temas como proteção ambiental, mudanças climáticas, florestas, direitos humanos, questões ligadas a minorias, mulheres e homossexuais estão na pauta dos encontros com autoridades brasileiras. A questão do multilateralismo nas relações internacionais deve estar na agenda das discussões.

Japão terá novo imperador em tempos de críticas ao tradicionalismo. Termina hoje, 30 de abril, no Japão, o reinado do imperador japonês Akihito. Ele ficou 30 anos e cinco meses no poder, à frente do Trono do Crisântemo. Amanhã, 1º de maio, em cerimônia especial assumirá o trono seu filho Nahurito, o 126º. na sucessão, todos os homens. Nahurito só tem uma filha e ela não herdaria o trono segundo a tradição japonesa. Esse e outros debates sobre as tradições consideradas ultrapassadas por parte da população farão dão o contexto da posse do novo imperador. Atualmente o imperador do Japão tem pouco poder político e muito mais poder simbólico, diferente do período pré-segunda guerra, quando os imperadores tinham muito poder.

Biden vesus Sanders. Joe Biden, ex-vice de Obama, nos EUA, está concorrendo como pré-candidato democrata e desde que a anunciou sua candidatura no último dia 25 de abril foi o que mais arrecadou fundos até agora. Ele e Bernie Sanders são os pré-candidatos mais competitivos dentro do Partido Democrata até o momento.

PSOE precisará se aliar para governar. Desde que saíram os resultados eleitorais de domingo (28) na Espanha dando a vitória ao PSOE do atual primeiro-ministro Pedro Sánchez o que mais se discute é como ele formará maioria para governar. O PSOE conquistou 123 cadeiras e são necessárias 176 para formar maioria. O total de cadeiras do parlamento é de 350. Já é quase certa a aliança com a coalizão “Unidas Podemos” que conquistou 42 cadeiras, mas isso ainda não dá maioria. Para buscar governabilidade, Sánchez terá que buscar apoio de partidos menores e lidar com a espinhosa questão do independentismo, especialmente da Catalunha. Duas lições das eleições foram a queda expressiva do PP (perdeu 45% de seus parlamentares) e a falsa expectativa quanto ao Vox, de ultra-direita, que conquistou 24 assentos dos 60 que almejava.

Independentismo moderado? Chamou atenção na eleição espanhola que a Esquerda Republicana da Catalunha elegeu mais candidatos que o grupo Juntos pela Catalunha. A ERC elegeu 15 e o Juntos, de Puigdemont, elegeu 7, demonstrando a prevalência de um discurso mais moderador e “de diálogo” o que pode ajudar Sánchez em seu processo de reaproximação com os independentistas.

Ultra-direita se consolida na Europa. Depois da chegada de parlamentares do partido de extrema direita Vox ao parlamento espanhol, Portugal, Irlanda, Luxemburgo e Malta são os únicos países da UE que não tem presença da extrema direita em seus legislativos e governos. Sozinha a ultra-direita hoje governa a Polônia, a Hungria e a República Tcheca, com aliados governa a Itália, Áustria, Finlândia, Letônia, Eslováquia e Bulgária. Na Dinamarca eles apoiam o governo e tem disputado o poder na França e na Holanda (com dados da DW). Uma aliança denominada Europa das Nações e das Liberdades (ENF) trabalha para que os parlamentares de extrema-direita formem se consolidem como uma das principais forças do Parlamento Europeu. Marine Le Pen e Matteo Salvini são dos mais animados com a aliança e as possibilidades abertas pelas eleições do Parlamento Europeu que ocorrerão de 23 a 26 de maio.

Gastos militares globais aumentaram em 2018. Um dado do Instituto Internacional de Pesquisas da Paz de Estocolmo (Sipri) divulgado nos últimos dias mostra que os gastos militares globais voltaram a subir em 2018, atingindo um novo recorde pós-Guerra Fria. O gasto de 1,82 trilhão de dólares de 2018 foi puxado principalmente por EUA e China. O gasto militar dos EUA, de 649 bilhões de dólares em 2018, segue sendo o maior do mundo. A China passou para um gasto de 250 bilhões em uma sequência de 24 anos de aumento do gasto em relação ao ano anterior. A Rússia está entre os países que reduziu seus gastos militares.

Circula vídeo com líder do ISIS. Está muito comentado em todo o mundo um vídeo em que aparece o líder do grupo Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi. Seria a primeira vez em cinco anos que um vídeo com o líder circularia assim. No vídeo de 18 minutos há referências aos atentados que atingiram igrejas católicas no Sri Lanka na última páscoa. O líder já foi dado como morto diversas vezes, inclusive pela ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Greve geral na Argentina. A Argentina vive hoje (30) uma greve geral contra o Governo Macri. Todos os voos, por exemplo, que sairiam de lá para o Brasil ou do Brasil para a Argentina, foram cancelados hoje. Está prevista uma mobilização na Praça de Maio às 13horas de hoje e uma série de manifestações amanhã no 1º de maio.

Moçambique, um país destroçado por ciclones. Ainda em recuperação por conta do Ciclone Idai (14 de março), Moçambique lida com os efeitos do Ciclone Kenneth, que passou pelo país na última quinta (25) e já deixou 38 mortos e mais de 168 mil pessoas.

Indonésia e o perigoso escrutínio eleitoral que provoca mortes. A contagem manual de votos na Indonésia teria matado mais de 270 funcionários. As mortes seriam decorrentes da contagem de milhões de cédulas de votos com as mãos em condições extremamente adversas. Outros 1878 funcionários estão doentes segundo a comissão geral das eleições. Cerca de 7 milhões de pessoas ajudaram a contar os votos da eleição de 17 de abril. A contagem dos votos e anuncio dos resultados será ao final de maio. Tanto o presidente Joko Widodo, como o candidato da oposição Prabowo Subianto declararam vitória.

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Ana Prestes

Ana Prestes Socióloga, mestre e doutora em Ciência Política pela UFMG. Autora da tese “Três estrelas do Sul Global: O Fórum Social Mundial em Mumbai, Nairóbi e Belém” e do livro infanto-juvenil “Mirela e o Dia Internacional da Mulher”. É membro do conselho curador da Fundação Maurício Grabois, dirigente nacional do PCdoB e atua profissionalmente como assessora internacional e assessora técnica de comissões na Câmara dos Deputados em Brasília.

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Comentários

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Luiz

01/05/2019 - 13h57

De qualquer forma, tudo indica que que Maduro precisará de ajuda para se livrar do capacho arruaceiro.

Paulo

30/04/2019 - 19h41

Caramba, a Indonésia comprovando que o voto pode ser realmente mortal…que atraso!


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