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Banco Mundial lança relatório sobre funcionalismo público brasileiro

Por Redação

10 de outubro de 2019 : 19h10

O Banco Mundial divulgou ontem um relatório de 100 páginas com tabelas e gráficos sobre o funcionalismo público no país.

O lançamento se deu num evento realizado ontem, 9 de outubro, no ministério da Economia.

A íntegra do relatório pode ser baixada aqui.

O sumário, com 20 páginas, pode ser baixado aqui.

Abaixo, matéria publicada no Ministério da Economia sobre o relatório e o que o governo brasileiro planeja fazer sobre o tema:

Economia quer reconquistar confiança dos brasileiros no serviço público
Reforma administrativa

Foco no cidadão e valorização do servidor são as diretrizes da proposta em estudo no Ministério

publicado: 09/10/2019 14h13 última modificação: 09/10/2019 17h27

O Ministério da Economia (ME) está desenvolvendo uma proposta de reforma administrativa para reconquistar a confiança dos brasileiros no serviço público. O secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, Paulo Uebel, revelou nesta quarta-feira (9/10) as principais diretrizes da reforma, ao participar do lançamento do relatório do Banco Mundial intitulado “Gestão de Pessoas e Folha de Pagamentos no Setor Público Brasileiro – O que os dados dizem?”. Uebel abriu o evento, em Brasília.

“Atualmente, cerca de 70% dos brasileiros concordam que a baixa qualidade dos serviços públicos se deve à má utilização de recursos”, avaliou o secretário. “A folha de pagamentos é hoje o segundo maior gasto obrigatório do governo federal. Em comparação com outros países, o Brasil tem um gasto proporcionalmente alto com pessoal e resultados ruins em áreas básicas, que são fundamentais para a sociedade”, afirmou.

Ainda segundo Uebel, a proposta em construção mantém todos os direitos adquiridos pelos atuais servidores. O novo modelo será aplicado aos futuros servidores. O projeto está em desenvolvimento, com base em princípios como o “foco em servir”, “agilidade e inovação”, “eficiência e racionalidade” e “valorização dos servidores”.

A proposta do governo terá como foco o desempenho dos servidores. “A base de toda instituição com alto desempenho são as pessoas. Nós temos de focar no desenvolvimento efetivo dos servidores, que são as pessoas que realmente fazem a máquina transformar vidas”, disse Uebel.

A proposta de reforma administrativa do governo federal, baseada nas recomendações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e em experiências de países como Grã-Bretanha, Portugal e outros países, deverá ser apresentada à sociedade até o fim deste mês.

Desafios

Para a diretora do Banco Mundial para o Brasil, Paloma Anós Casero, um dos desafios na área de gestão de pessoas do governo federal está relacionada à mobilidade dos servidores, para facilitar a transferência dos profissionais entre os órgãos.

“Um sistema complexo, como o brasileiro, traz dificuldades de governança e provoca distorções entre os servidores, o que gera desmotivação entre as pessoas que têm bom desempenho”, complementou. Atualmente, a estrutura do governo federal é formada por mais de 2.000 cargos.

O relatório “Gestão de Pessoas e Folha de Pagamentos no Setor Público Brasileiro – O que os dados dizem?” revela que, entre 2008 e 2018, o gasto com pessoal ativo do Poder Executivo Federal teve um crescimento real de 2,5% ao ano. Tal crescimento foi composto por aumentos salariais reais médios de 1,5% e aumento no número de servidores de 1,1%.

O documento aponta, ainda, que os servidores do governo federal são bem qualificados e geralmente bem remunerados. Em 2019, 44% receberam mais de R$ 10 mil por mês; 22% receberam mais de R$ 15 mil; e 11% receberam mais de R$ 20 mil. Se nenhuma reforma for implementada, o crescimento real projetado da folha de pagamentos de servidores ativos para o período de 2018 a 2030 será de 1.12% ao ano, de acordo com o relatório. Para o Banco Mundial, a definição dos níveis salariais e a estrutura de aumentos deveriam levar em conta os valores pagos no setor privado.

Repensar a gestão

O secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal do ME, Wagner Lenhart, defende que trabalhos, como este do Banco Mundial, são peças importantes para fornecer informações na construção de um serviço público cada vez melhor e que atenda às demandas e necessidades dos brasileiros.

“Nós temos uma população que não está satisfeita com os serviços que o governo presta, que precisa de melhor educação, saúde e segurança. Precisamos entregar mais para a população, principalmente para aqueles que estão em maior vulnerabilidade. Repensar a forma como o governo faz a gestão de pessoas é fundamental e transformador”, disse.

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3 comentários

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Jonas Machado

13 de outubro de 2019 às 22h27

Banco Mundial é FMI qdo se aproximam é sinal que as coisas vão bem mal no país, e nao é o funcionalismo publico. Sempre querem cortar os gastos dos pobres que nem gastos sao, mas nao dizem uma linha de juros pagos aos banqueiros pelos governos de economias fracas como a do Brasil.
Logicamente os executivos do BM nem pisaram o pé em algum orgao publico no Brasil. Fazem só medias. Pegam um salario de 30 mil e um de mil e dizem que todo servidor publico ganha 15,5 mil. Só sabem fazer médias inclusive um monte de jornalistas preguiçosos que nao olham nem o portal da transparencia.
Banco mundial e fmi dão pitacos qdo as coisas vao bem mal na economia de paises perifericos. Nao palpitam em pais do g7. FMI e BM ganham com essas crises e muito, sao outros abutres que sobrevivem de juros sobre juros pagos pelo povo e governos com o dinheiro igualmente do povo.

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Paulo

10 de outubro de 2019 às 21h47

Acham que sabem tudo e querem reinventar a roda. Já vi esse filme tantas vezes…aceitam ingerências externas (no caso, do Banco Mundial) quando lhes convêm, e as refutam quando não convém. Eu apenas pergunto: imaginem o Banco Mundial palpitando em assuntos internos da Alemanha, França, Inglaterra ou EUA!

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Bruno

10 de outubro de 2019 às 19h57

É péssima qualquer análise do funcionalismo que não foque nos legisladores e chefes dos setores no órgão do executivo e judiciário.
São os congressistas que recebem 14⁰ e 15⁰ salario, indenização ilimitada com gastos de saúde, além de causarem vários outros gastos que os demais funcionários públicos não tem.

Tem tanta gente no serviço público que sugere melhoria, mas que não são implementadas por que precisa do aval do chefe do setor. A falta de orientação para os novos pelos chefes acontece na maioria dos órgãos.
E enquanto isso, o trabalhador que ganha 3, 5 mil vira o principal alvo das reformas do Guedes e congresso.

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