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Grupo 1% mais rico teve aumento de 8,4% na renda do trabalho em relação a 2017 - Foto: Camille Perissé/Agência IBGE Notícias

IBGE aponta aumento da concentração de renda no país

Por Redação

16 de outubro de 2019 : 13h48

Renda do trabalho do 1% mais rico é 34 vezes maior que da metade mais pobre

Editoria: Estatísticas Sociais | Eduardo Peret, com colaboração de Carmen Nery | Arte: Simone Mello

16/10/2019 10h00 | Atualizado em 16/10/2019 11h06

Agência IBGE — O rendimento médio mensal de trabalho da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que da metade mais pobre em 2018. Isso significa que a parcela de maior renda arrecadou R$ 27.744 por mês, em média, enquanto os 50% menos favorecidos ganharam R$ 820.

Contribuíram para esse quadro o aumento de 8,4% na renda das pessoas mais ricas e as quedas nos ganhos das classes que formam os 30% mais pobres, na comparação com 2017. As informações são do módulo Rendimento de Todas as Fontes, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada hoje (16) pelo IBGE.

A pesquisa também mostrou que os 10% da população mais pobres detinham 0,8% da massa de rendimento, enquanto os 10% mais ricos concentravam 43,1%. Já a massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita, que era de R$ 264,9 bilhões em 2017, cresceu para R$ 277,7 bilhões em 2018.

A média de rendimentos do trabalho do país, para pessoas de 14 anos ou mais, ficou em R$ 2.234, acima do valor inicial da série em 2012 (R$ 2.133), mas abaixo do registrado em 2014, que foi de R$ 2.279. No Nordeste, o rendimento médio era de R$ 1.479, enquanto no Sudeste, chegou a R$ 2.572.

Na passagem de 2017 para 2018, o Nordeste foi a única região onde o rendimento de trabalho diminuiu. “O rendimento do trabalho corresponde a aproximadamente três quartos do rendimento total das famílias. O mercado de trabalho em crise, onde as pessoas estão deixando seus empregos e indo trabalhar em outras ocupações, com salários mais baixos, provoca um impacto no rendimento total”, explicou a gerente da PNAD Contínua, Maria Lucia Vieira.

O índice de Gini, que mede concentração e desigualdade econômica, indo de zero (máxima igualdade) até um (máxima desigualdade), chegou a 0,509 em 2018, para rendimentos de trabalho. O indicador era de 0,508 no Brasil em 2012, depois diminuiu para 0,494 em 2015 e voltou a subir. “Essas variações no índice de Gini têm muito a ver com as flutuações na renda dos mais ricos”, comentou a analista do IBGE, Adriana Beringuy.

Esse aumento na desigualdade, porém, não foi uniforme no país. No Nordeste, o índice caiu de 0,531 em 2017 para 0,520 em 2018. “No Sudeste, o 1% com maiores rendimentos de trabalho cresceu 17,8%. Nesse mesmo período, no Nordeste, o 1% mais rico teve queda de 16,5%. Então, a redução na desigualdade no Nordeste está mais relacionada à queda nos rendimentos de trabalho dos mais ricos, do que numa melhoria nas condições de vida dos mais pobres”, disse Adriana.

População que recebe aposentadorias e pensões chega a 14,6%

Além dos rendimentos com trabalho, que representam cerca de três quartos do total recebido mensalmente pela população, a pesquisa também investiga outras fontes de renda, como aposentadorias, aluguéis e arrendamentos, pensões e mesadas e outros rendimentos, como programas sociais e rentabilidade de aplicações financeiras.

Aposentadorias e pensões foram destaque, atingindo R$ 1.872 em 2018, a maior média entre as outras fontes pesquisadas. Isso significa um crescimento de 3,3% em relação a 2017 e de 7,3% em relação a 2012. Do total da população, 14,6% recebiam esse benefício em 2018, enquanto em 2012 essa proporção era de 13,1%.

“A proporção de pessoas com rendimento de trabalho caiu, e isso tem relação com a perda de empregos. Já a proporção de aposentadorias vem aumentando, o que pode estar relacionado a mais pessoas buscando o benefício e por componentes demográficos, tanto que é mais forte no Sul e Sudeste, onde a população está mais envelhecida”, disse Maria Lucia.

No Sul, a população que recebe aposentadorias e pensões chegou a 18,3%, enquanto no Sudeste, atingiu 15,8%.

Número de beneficiários do Bolsa Família reduz para 13,7%

A pesquisa mostrou também que a proporção de domicílios que recebiam rendimentos do Programa Bolsa Família caiu de 15,9% em 2012 para 13,7% em 2018. O percentual manteve-se praticamente estável com pequena queda em 2013 (15,7%), declínio que se acentuou a partir de 2014 (14,9%) e em 2015 (14%).

O rendimento médio mensal domiciliar dos que recebem dinheiro do Bolsa Família também caiu, passando de R$ 368 para R$ 341, após ter chegado ao pico de R$ 398 em 2014. Os números são bem abaixo do rendimento médio mensal real domiciliar dos que não são beneficiários do programa: R$ 1.565.

A pesquisa revela ainda que os beneficiários do programa social têm menos acesso a serviços básicos de saneamento – água, esgotamento sanitário e coleta de lixo.

Entre aqueles com Bolsa Família, 71,7% tinha abastecimento de água em geral, ante 88,1% dos que não recebem o benefício. Apenas 37,6% dos beneficiários têm acesso a esgotamento sanitário com rede geral ou fossa séptica, frente a 70,9% da demais parcela da população. E 75,7% contam com coleta de lixo, abaixo dos que não têm o benefício, 93,6%.

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5 comentários

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LUPE

16 de outubro de 2019 às 21h45

Caro leitor

Após dois (des) governos da Direita, o que você podia esperar, ô crente e seguidor.

(da Grande Mídia e etc. e tal…………) ???????????????????

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Netho

16 de outubro de 2019 às 21h33

Inacreditável que não se dê um pio sequer a respeito da não regulamentação do IMPOSTO sobre GRANDES FORTUNAS, previsto no inciso VII do artigo 153 da Constituição promulgada em 05 de outubro de 1988.
Faz, portanto, 31 anos e 11 dias que o instrumento fiscal mais adequado à desconcentração da renda e à exploração das capacidades contributivas mais altas da pirâmide da riqueza, da renda e do capital centralizados, não ´tem sido utilizado.
Ao mesmo tempo, a carga tributária foi elevada de 23,5% do PIB, antes da Constituição Federal de 1988, para 33,4% do PIB, por meio da tributação de caráter regressivo, incidente sobre o consumo, que impacta mais gravosamente as classes despossuídas e de menor poder aquisitivo.
Falsa e fraudulenta a tese e a argumentação de que o IMPOSTO sobre GRANDES FORTUNAS é inexequível e de baixa arrecadação. Muito pelo contrário. Se existe um tributo exequível e de rápida e expressiva arrecadação é o IMPOSTO sobre GRANDES FORTUNAS.
Se adotados os mesmos parâmetros de tributação das GRANDES FORTUNAS existente na FRANÇA, a arrecadação do IMPOSTO sobre GRANDES FORTUNAS no BRASIL atingiria o montante de R$ 85 bilhões de reais anuais. O equivalente à arrecadação da extinta CPMF. Somente as rendas, riquezas, capitais e rendimentos acima de R$ 7(sete) milhões de reais seriam alcançados pelo IMPOSTO sobre GRANDES FORTUNAS deixando de lado 99(noventa e nove) por cento da população brasileira.
O IMPOSTO sobre GRANDES FORTUNAS foi idealizado para atingir, exatamente, o 1% (um por cento) mais rico; vale dizer, os milionários e bilionários.

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Paulo

16 de outubro de 2019 às 17h32

” ‘Esse aumento na desigualdade, porém, não foi uniforme no país. No Nordeste, o índice caiu de 0,531 em 2017 para 0,520 em 2018. “No Sudeste, o 1% com maiores rendimentos de trabalho cresceu 17,8%. Nesse mesmo período, no Nordeste, o 1% mais rico teve queda de 16,5%. Então, a redução na desigualdade no Nordeste está mais relacionada à queda nos rendimentos de trabalho dos mais ricos, do que numa melhoria nas condições de vida dos mais pobres’, disse Adriana”.

Suspeito que a queda de renda dos mais “ricos” deva-se aos percalços do serviço público, com os servidores cada vez mais acuados e com seus direitos desrespeitados…

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Alexandre Neres

16 de outubro de 2019 às 15h12

Nada de novo no front. A desigualdade social vem subindo paulatinamente desde o golpe de 2016. O que é de se estranhar é que supostos pertencentes ao campo da centro-esquerda em vez de direcionar suas baterias para os desgovernos que levam a cabo tal projeto, assestam seus canhões contra o PT. As eleições de 2018 demonstraram cabalmente que nenhuma organização de esquerda ganhou com o antipetismo, mesmo reconhecendo que a desilusão e a despolitização que deram suporte para o antipetismo foram também suscitadas pelo próprio PT.Toda figura que pensa que o antipetismo pode lhe ser útil na disputa pela hegemonia da esquerda, cavará o abismo com os próprios pés. Seja de centro-esquerda ou de esquerda, faça oposição e críticas ao PT, mas não seja antipetista e oportunista, não queira se locupletar da narrativa construída diuturnamente pela Rede Globo e quetais para apear do poder os progressistas e implantar o ultraliberalismo autoritário. Ainda mais se o pretenso candidato se autoproclama um homem decente e um gestor competente, isto é, está embarcando na canoa da antipolítica, quiçá na de seu homólogo destemperado que demoniza a política para ocupar seu espaço.

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chichano goncalvez

16 de outubro de 2019 às 15h02

É facil explicar: quando o capitalismo distribuiu renda ? Nunca. Então o planeta continuara a aumentar a desigualdade, até que o povo acorde e tome as ruas, fazendo uma grande revolução, muito maior que a Primavera dos Povos.

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