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Arte: David Parkins (publicado na edição de 06/05/17 da revista The Economist)

Com Petróleo e Dados ameaçados, Brasil terá pauta para além das tretas históricas

Por Tadeu Porto

28 de janeiro de 2020 : 12h58

Eu gosto das redes, principalmente do Twitter. Pra mim, ele é o cenário virtual do Clube da Luta, filme clássico dos anos 90.  Nossa razão animalesca domina a Ética do debate, e cada argumento parece socos e tapas que incendeiam uma plateia atenta e interativa, em diversos ringues espalhados pela rede. Independente do motivo da briga ou do assunto do dia, tanto a esquerda ou quanto a direita, a troca de soco estará lá.

Pautas vão e vem, pescando nosso tempo e energia. Desde a história dos líderes da Revolução Russa até a proposta sociopata de se poder vender órgãos para sobreviver, os debates estão na ordem do dia, seja para entendermos melhor determinado assunto, seja pelo prazer de “tretar” mesmo (que é viciante). 

Dentro da gama imensa de assuntos que temos para focar energias, uma pauta que deve ganhar cada vez mais destaque, no Brasil e no mundo, são os dois mercados mais valorizados da atualidade: dados e petróleo.

Claro, falo sob uma perspectiva suspeita sobre o assunto, pois me organizo num sindicato que faz justamente a luta pelo petróleo brasileiro. Mas penso que temos fatos o suficiente para acreditar na importância e urgência de se aprofundar sobre esses temas. As crises no mercado do petróleo e nas democracias pelo mundo, por exemplo, são bem atuais e factíveis.

A espionagem do Brasil pela NSA; a onda de Fake News nas eleições de 2018; a alta do preço do gás e da gasolina e o alto desemprego pós Lava Jato, são exemplos de assuntos ligados ao mercado de Petróleo e Dados que interessam diretamente ao povo brasileiro.

Sem falar no desmonte que o governo impõe a esses setores tão importantes. A Petrobrás e a Dataprev, por exemplo, estão se desfazendo de ativos importantes para o país, principalmente os empregados da empresa. Juntas, as empresas demitiram 1500 funcionários de uma só vez.

Só para lembrar que trabalhadores e trabalhadoras não são máquinas de substituição imediata. O capital humano movimentado por cada um desses trabalhadores é variável importante pra economia do país. Em indústrias de tecnologia avançada (como óleo e TI) o acúmulo de conhecimento de cada trabalhador gera um grande valor agradado ao Brasil.

Afinal, Dados e Petróleos são mercadorias (nem sei se deveriam ser) mais valorizadas do presente. Entregar esse mercado estratégico para iniciativa privada, da pior maneira sem o devido debate, pode nos custar muito caro (nossa telefonia e o pouquíssimo avanço tecnológico nosso nesse setor acho que serve de argumento).

Por fim, vale lembrar que ambas categorias estão mobilizadas para realizar um movimento de greve em defesa dessas empresas, ou seja,há uma resistência organizada para enfrentar o desmonte.

E para aqueles que querem saber mais informações sobre o assunto, para se preparar para a temporada de tretas vindoura, recomendo os sites Salve Seus Dados e o Ineep: Instituto de pesquisa do setor petróleo.

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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4 comentários

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Psilocibes Cubensis

28 de janeiro de 2020 às 18h24

Mais um que não entendeu o Clube da Luta.

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Projetinho de Hitler

28 de janeiro de 2020 às 15h07

https://exame.abril.com.br/mundo/vale-leva-titulo-de-pior-empresa-do-mundo/

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Capitãozinho do Mato

28 de janeiro de 2020 às 13h46

#privatizatudo

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Alan C

28 de janeiro de 2020 às 13h12

Basta ver o que as melhores práticas internacionais estão fazendo, há pouco o que comentar, só ver e aprender, o resto é blablabla de minion acéfalo.

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