Às 11:30, a Conexão Cafezinho recebe Brizola “Carlito” Neto: as relações entre trabalhismo e comunismo

Foto: reprodução.

Gustavo Castañon: resumo da confusão sobre o voto de Cid

Por Redação

27 de junho de 2020 : 11h15

Por Gustavo Castañon, no Portal Disparada.

1) Ninguém votou privatização alguma, e sim regulações para quando elas acontecerem entre outras providências acerca do saneamento.

2) A privatização de serviços de água e esgoto no Brasil sempre foram permitidas desde a constituição de 88 e o marco legal que estava em vigor foi feito pelo Lula.

3) O PDT não votou pelo projeto, encaminhou orientação contrária, liberou a bancada e a maioria votou contra.

4) O acordo pela votação do projeto envolveu toda a oposição como vídeo de Alocumbre agradecendo ao PT demonstra.

5) Cid Gomes achou que era seu dever votar a favor depois que os piores pontos do projeto foram retirados por acordo e que a promessa de um adendo sobre financiamento público para miseráveis foi feita. Ele deixa claro no discurso que só houve acordo por isso.

6) Cid deixa claro que sem financiamento publico o projeto é uma ilusão.

7) Deixa claro também que é contra a privatização e que no Ceará todo o fornecimento é público. Seu governo jamais privatizou nem um cano quebrado de esgoto. Nem “concedeu”.

8) A maior parte do projeto tem avanços consensuais entre todo o Senado, como podem ver no debate que circulou no Congresso que reproduzo nos comentários.

A proximidade com Cid me impede de fazer uma avaliação política de seu voto. Mas eu quero aqui fazer uma avaliação política dele.

É um grande gestor, um homem de coragem, um social democrata, nacionalista, defensor do Estado e do serviço público de qualidade, mais do que isso é um homem que faz, que fez de Sobral a melhor educação do país, que revolucionou a educação no Ceará, que fez dois dos melhores governos da história do Estado, que parou um golpe de Estado com duas balas no seu peito.

Estamos reconstruindo o campo nacionalista do trabalhismo brasileiro, graças a Deus temos uma militância que cobra todos os nossos líderes nas suas atitudes e no cuidado com símbolos.

Essa militância politizada em temas centrais, como o da privatização, é uma nova base do PDT que guarda o projeto nacional e fará de tudo para mantê-lo nos trilhos. Sem ela, não temos nenhuma chance.

Mas também não teremos nenhuma chance se não mudarmos essa cultura de cancelamento, de julgamento de pessoas (e não de suas opiniões) com base em uma interpretação de um ato do qual se discorda. Se essa cultura não acabar, acabaremos nós, antes de começar.

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9 comentários

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Augusto Lamparina

27 de junho de 2020 às 20h12

O PT esta tentando manter a predominância no debate com as mesmas ferramentas de sempre.
O foco ai era atingir o nome Gomes numa paulada só!
Isso só funciona com seus próprios minions.
Aos poucos e cada vez mais as máscaras vem caindo pra quem está de fato na centro esquerda.

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Luis Campinas

27 de junho de 2020 às 16h23

Sem entrar no mérito do conteúdo, mais do mesmo na defesa do projeto, está havendo por parte do blog um intenso direcionamento sobre o assunto. Foram três matérias envolvendo a defesa e ou justificativas para as posições de Cid e de Ciro, coloco aqui o Ciro pelo fato deste afirmar que não saberia de nada, embora seja entendido de tudo, mas na entrevista defendeu o projeto e a posição do irmão.

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Patrice L

27 de junho de 2020 às 14h13

Cirominions nervosos vão fazendo os seus contorcionismos pra justificar o injustificável, como bem demonstrou o Glauber. A questão é também simbólica e o Cid, que, segundo o irmão, nunca privatizou, deveria por isso mesmo ter votado NÃO. A proximidade com o Senador Coca Cola o impede de fazer uma avaliação política de seu voto?

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Alexandre Neres

27 de junho de 2020 às 13h27

Eis quem surge depois de longa hibernação. Gostei do texto do Professor Castañon, foi honesto até ao assumir sua proximidade com o Cid.

Precisamos desarmar essa cizânia que é insuflada por esse blogue diuturnamente. Já disse aqui que compreendo a posição do Ciro. Por questões de viabilidade eleitoral, tem que bater no PT senão não vai ter lugar ao sol. Porém, teria que ter tomado com a dosagem, pois o remédio pode virar veneno.

Ficamos numa briga fratricida infindável aqui, a beligerância entre petistas e pedetistas é maior do que com relação ao responsável por esse pandemônio que estamos enfrentando. Isso não ocorre por acaso. Eu mesmo vivo reagindo a matérias maldosas e maledicentes.

Embora existam divergências, minha posição é próxima de comentaristas como o Alan C ou o CezarR. Temos muito mais que dialogar do que ficar nos espezinhando, quanto mais ante um desgoverno que está transformando a nação em terra arrasada.

Veja o meu caso. Votei em Lula em 89, 94, 98 e 2002. Em 2006, 2010 e 2014 votei no PSol. Detalhe: me arrependi todas as vezes pelo que fizeram e falaram os candidatos após as eleições. Na última, Luciana Genro defendeu o punitivismo tosco da Lava Jato. Me senti como se tivesse desperdiçado meu voto. Curiosamente, em 2018, quando tinha certeza que o Boulos não iria me decepcionar, votei no Haddad no primeiro turno, pra restituir o governo a quem dele foi usurpado. Pessoalmente, nem gosto do Haddad, concordo integralmente com as críticas do Mano Brown desferidas ao PT pouco antes do segundo turno em 2018, salvo engano. Traz as maiores inovações que existem em países de primeiro mundo, mas não dialoga com as perifas.

Enfim, vou parando por aqui, mas tento empunhar uma bandeira da paz com pessoas que vejo que compartilham comigo do campo progressista, democrático e popular, respeitando as nossas pequenas diferenças.

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Marcos Videira

27 de junho de 2020 às 12h48

Penso que essa escandalização sobre a falsa “privatização das águas” é uma tentativa desastrada do PT em busca do perdido protagonismo político. Desesperadamente os líderes do PT querem produzir algum escândalo que enseje a seguinte polarização: o imaculado PT defensor dos desvalidos CONTRA todos os corruptos inimigos do povo.
Cid Gomes deve experimentar dois sentimentos paradoxalmente antagônicos:
(1) Indignação: pelas mentiras propagadas a seu respeito.
(2) Alegria: porque o ataque ardiloso do PT traz o reconhecimento da perda de protagonismo.

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    Miramar

    27 de junho de 2020 às 13h20

    Seria muita ingenuidade acreditarmos que a petezada esteja preocupada com tratamento de esgoto e não com cálculo eleitoral puro e simples.

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    Elias Alves

    27 de junho de 2020 às 19h07

    Hoje temos os bosominios, no futuro próximo como devemos chamar os defensores inconsequentes do Ciro. O Brasil sempre será maior que os mitos pré fabricados.

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      Miramar

      28 de junho de 2020 às 01h38

      Louvo seu otimismo.

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    Batista

    27 de junho de 2020 às 19h49

    Eu já penso que essa tua escandalização de comentário sobre a “falsa privatização das águas”, por motivos factuais e óbvios, sustenta-se menos que a “falsa graduação do ministro Decotelli”, que nem bem viu, após tantos anos, esfarelarem-se no ar o título de Doutor, pela Universidade Nacional de Rosario, por reprovação, e consequentemente, por motivo óbvio de pré-requisito, o Pós-Doutorado pela Universidade de Wuppertal, e já começa a ver o risco de esfarelar-se também o título de Mestre, pela Fundação Getúlio Vargas, por suspeita de plágio, a ponto de estar-se a pensar em graduação nominal para melhor adequá-lo ao ‘ministério de notáveis’ do Desgoverno Bolsonaro: ‘ministro Decorotelli’.

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