Live do Cafezinho: bate papo com o cineasta cearense Wolney Oliveira

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, teve uma das respostas mais imediatas e rígidas à pandemia, mas a situação brasileira põe em xeque a situação dos argentinos. Foto: AFP.

Brasil se torna problema para vizinhos devido à pandemia

Por Redação

08 de agosto de 2020 : 15h52

Com 100.000 brasileiros mortos pela pandemia de coronavírus, 2 milhões e meio de casos confirmados e um Ministério da Saúde acéfalo, o Brasil se apresenta como um grande problema para seus países vizinhos.

Por isso, muitos tomaram medidas para frear a exportação do contágio para além das fronteiras brasileiras.

O Paraguai e o Uruguai, por exemplo, fecharam suas fronteiras com o Brasil.

O responsável pela Direção de Vigilância da Saúde do Paraguai inclusive já sinalizou que não devem reabrir as fronteiras até a onda brasileira ser controlada.

Na Argentina, o presidente Alberto Fernández demonstrou reiterada preocupação com a exportação de casos do Brasil para seu país, lembrando o alto tráfego de produtos e pessoas entre a Argentina e São Paulo.

Já a Venezuela teve sua fronteira com o Brasil como uma das primeiras a serem fechadas.

A Guiana Francesa seguiu o mesmo caminho, após surtos de Covid-19 se manifestarem em São Jorge de Oiapoque, que tem 40% de brasileiros compondo sua população.

As preocupações não são em vão, pois há evidências de contágio para além das fronteiras.

Na Colômbia, a cidade de Leticia, fronteiriça com o Brasil, virou motivo de acusações por parte do Ministro da Saúde colombiano Fernando Ruiz, que explicitamente atribuiu o surto na cidade a contágios do Brasil.

Ruiz reclamou da falta de harmonia estratégica entre as nações para a contenção do vírus.

Antes da pandemia, o Uruguai e o Paraguai tinham os mais profundos laços econômicos e culturais com o Brasil: para ambos, o Brasil é o segundo maior mercado destino de exportações.

Em cidades localizadas nas fronteiras entre os países, cidadãos de ambos trabalhavam e transitavam com frequência.

Contudo, a falta de controle do Brasil sobre o coronavírus forçou autoridades uruguaias e paraguaias a imporem limitações sobre as fronteiras.

Para o Uruguai, isso significou a diminuição de travessias na fronteira de 1 milhão em janeiro para 21 mil entre março e junho.

Em cidades que compartilham território das duas nações, como Rivera, autoridades brasileiras e uruguaias negociaram políticas em comum para enfrentar a pandemia.

Contudo, apesar da ação conjunta entre o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o presidente uruguaio Luis Lacalle Pou, aconteceram pelo menos três surtos na região, totalizando 60% dos casos uruguaios de coronavírus.

Agora, a maioria dos brasileiros que entre no Uruguai precisa apresentar um exame de Covid-19 com resultado negativo conduzido no máximo até 72 horas antes do ingresso no país.

A abordagem do Paraguai para a questão é ainda mais radical.

O presidente Mario Abdo Benítez fechou todas as possibilidades de travessia de fronteira e impôs à região fronteiriça uma das mais rígidas quarentenas em março.

Quatro meses depois, apenas paraguaios são permitidos na nação, onde ficam duas semanas em quarentena em um centro de isolamento do governo.

Não há planos de reabertura.

As autoridades estão especialmente preocupadas com Foz do Iguaçú, que representa um risco para Ciudad del Este no Paraguai.

No caso argentino, elogiado pela Times como uma das melhores respostas à pandemia, o Brasil representa uma ameaça ao controle do vírus, diante de relações já desgastadas entre Bolsonaro e Fernández.

Enquanto tudo isso ocorre, o Brasil tem seu terceiro ministro da Saúde desde que a pandemia começou.

Com relações já desgastadas pela postura de Jair Bolsonaro com parceiros estratégicos, como a Venezuela e a própria Argentina, fica difícil avistar no horizonte um bom destino para as relações externas do Brasil.

Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

Nenhum comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »


Deixe uma resposta