Live do Cafezinho: o caso Samuel Borelli, quando a esquerda produz fake news

Foto: Divulgação / Ibope

Pandemia começa a refluir no Brasil, diz Ibope

Por Redação

21 de setembro de 2020 : 11h36

Ibope – Dados mais recentes do estudo Epicovid19-BR, que mapeia a epidemiologia do coronavírus no Brasil, mostram desaceleração da pandemia no país. A quarta etapa nacional da pesquisa estima que a proporção de pessoas com anticorpos para o coronavírus na população diminuiu de 3,8% (com margem de erro de 3,5 a 4,1%), ao final de junho, para 1,4% (com margem de erro de 1,2 a 1,6%), ao final de agosto.

“Ao contrário do que se pensava no início da pandemia, anticorpos detectáveis pelo teste duram apenas algumas semanas, ou seja, infecções mais antigas podem já não ser identificadas pelo exame. Isso vem acontecendo também em diversos países, e não somente em estudos com testes rápidos como os utilizados no EPICOVID-19”, diz o coordenador geral do estudo, Pedro Hallal.

A proporção de indivíduos que testaram positivo na última fase do EPICOVID-19 – 1,4% – representa, portanto, o percentual de pessoas que tiveram infecções relativamente recentes. “Muitas pessoas que foram infectadas há mais tempo passaram a apresentar resultados negativos no levantamento atual”, complementa o epidemiologista.

Essa redução já havia sido sinalizada pelo grupo de pesquisa no início de julho – o artigo científico será publicado esta semana na revista científica The Lancet Global Health (online first).

Os pesquisadores explicam que a diminuição dos níveis de anticorpos ao longo do tempo não significa que os indivíduos deixem de estar protegidos, pois o organismo “guarda” a memória imunológica para produzir anticorpos rapidamente em caso de uma nova infecção.

“Portanto, não está correto usar a estimativa atual para indicar uma possível ‘imunidade de rebanho’, tampouco para avaliar a probabilidade de uma ‘segunda onda’ da pandemia”, afirma Hallal.



A quarta fase do maior estudo epidemiológico sobre coronavírus no Brasil foi realizada entre os dias 27 e 30 de agosto, pouco mais de dois meses após a conclusão da terceira fase, que foi realizada entre os dias 21 e 24 de junho. A partir da quarta fase, o estudo passou a contar com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e da iniciativa Todos Pela Saúde.

As diferenças entre regiões do Brasil seguiram marcantes na quarta fase, como já havia sido observado nas fases anteriores. O maior percentual de infecção foi observado na Região Norte (2,4%) e no Nordeste (1,9%). No Sul, Centro-Oeste e Sudeste, o percentual de infecção ficou em 0,5%. Ao final do arquivo, é apresentado o resultado para cada uma das 133 cidades estudadas.

Além da queda do percentual da população que apresenta anticorpos, o que confirma a desaceleração da epidemia na maior parte do país, a quarta fase do estudo destaca mais quatro mensagens principais: 1) interiorização da pandemia no Brasil; 2) mudança no padrão etário dos infectados, com predominância entre crianças e idosos; 3) maior vulnerabilidade de pretos e pardos à infecção; 4) risco de infecção duas vezes maior entre os mais pobres.

1) Interiorização: A interiorização da pandemia no Brasil foi confirmada. Houve mudança no perfil das cidades mais afetadas, com as maiores prevalências em duas cidades da Região Nordeste, Juazeiro do Norte e Sobral.


2) Perfil etário: Houve mudança no padrão etário dos infectados entre junho e agosto. Agora, a pandemia cresceu mais nas crianças e nos idosos e caiu entre adultos, que inicialmente eram mais afetados. As altas prevalências em crianças brasileiras difere do que tem sido relatado em outras regiões do mundo, como a Europa e a China.


3) Maior risco de infecção entre pretos e pardos: Confirmada a maior chance de infecção entre pretos e pardos, já identificada nas fases anteriores. Com a redução da pandemia na Região Norte, a prevalência entre indígenas caiu bastante.

4) Desigualdades socioeconômicas: Pessoas cujas famílias se encontram entre as 20% mais pobres da população, em todas as fases do estudo, apresentam prevalência mais de duas vezes superior à observada entre os 20% mais ricos.

O Estudo de Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19 no Brasil (EPICOVID19-BR), coordenado pela Universidade Federal de Pelotas, é a maior pesquisa populacional em andamento no mundo a estimar a prevalência de coronavírus. As três primeiras etapas foram realizadas de 14 a 21 de maio, 4 a 7 e 21 a 24 de junho.

Para a coleta de dados da quarta etapa, entrevistadores do IBOPE Inteligência realizaram 33.250 entrevistas e testes rápidos, entre os dias 27 e 30 de agosto, em 133 cidades distribuídas por todos os estados do país. Em cada cidade, 250 moradores foram selecionados por meio sorteio aleatório, utilizando dados censitários do IBGE como base. Ao todo, as quatro etapas da pesquisa já testaram mais de 120 mil pessoas.

A quarta etapa da pesquisa tem financiamento do programa Todos pela Saúde, fundo criado pelo Itaú Unibanco para apoiar o enfrentamento da Covid-19 no Brasil, e a quinta e sexta fases, previstas para acontecer em setembro e outubro, contarão com recursos da FAPESP.






Apoie O Cafezinho

Crowdfunding

Ajude o Cafezinho a continuar forte e independente, faça uma assinatura! Você pode contribuir mensalmente ou fazer uma doação de qualquer valor.

Veja como nos apoiar »

5 comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário »

Paulo

21 de setembro de 2020 às 19h15

Talvez eu esteja exagerando, mas confesso que, após ler que “os maiores índices de contágio estão entre negros e pardos”, não pude deixar de refletir, à vista das iniciativas erráticas de algumas empresas, como o Magazine Luísa, nos últimos dias, ao enfatizar o tal do “racismo com sinal trocado”, que, se tivermos uma 2ª onda de contágio e houver falta de leitos, poderão sugerir passá-los na frente dos brancos, no atendimento hospitalar. Estou exagerando?

Responder

    Justino

    21 de setembro de 2020 às 22h08

    Sim, está. Tu acha q essa maior incidência em negros e pardos se deve a serem negros ou pardos?
    https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2020-09/informe_epidemiologico_21_09_2020_.pdf
    Veja na pag 20, boletim epidemiológico do Paraná, 85% dos contágios e das mortes são em brancos.
    No restante do país, possivelmente por questões econômico-sociais, negros e pardos são apenas mais expostos, infelizmente, por isso a maior incidência. Cor de pele não pode ser critério para nada, jamais. O problema tem q ser sempre atacado pela causa, não pela consequência.

    Responder

Hilux12

21 de setembro de 2020 às 13h58

O Brasil pré pandemia era um idoso, obeso, hipertenso, diabetico, com cancer no pulmao que contraiu a covid.

O Brasil pòs pandemia é a mesma pessoa dentro de um caixao de madeira e de baixo de 1 metro e meio de terra.

Infelizmente o presentinho que veio da chines foi fatal para um Paìs jà delecerado apòs 20 anos de imundicia indescritivél.

RIP

Responder

    Comodoro

    21 de setembro de 2020 às 18h44

    Então o q ainda estamos fazendo aqui??

    Responder

Hilux12

21 de setembro de 2020 às 13h15

Na Europa fizeram o lockdown e se lascaram inutilmente, postergaram a imunidade de rebanho e terao que enfrentar outro inverno complicado (menos que o anterior). A Espanha quase dobrou os casos que teve em março.

A cada dia que passa percebe-se claramente que a estrategia da Suecia a longo prazo foi a mais acertada.

Quebrar a economia ficando em casa por mese nao evitou uma unica morte, por contra foi uma das maiores besteiras da historia da humanidade, paga como sempre pela classe trabalhadora.

Leitura indispensavel sobre o coronavirus: https://www.infobae.com/america/ciencia-america/2020/09/12/martin-kulldorff-epidemiologo-de-harvard-no-hay-razones-cientificas-ni-de-salud-publica-para-mantener-las-escuelas-cerradas/

Responder

Deixe uma resposta