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Investimentos estrangeiros no Brasil caem ao menor nível em 128 meses

Por Miguel do Rosário

27 de julho de 2021 : 11h42

Há alguns dias, o presidente Jair Bolsonaro encontrou-se publicamente com a deputada Beatrix Von Storch, 50, vice-líder do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Von Storch é investigada pelos serviços de inteligência alemães por propagar ideias neonazistas, xenofóbicas e extremistas.

O encontro, postado nas redes sociais da deputada, gerou profundo constrangimento nas comunidades judaicas do Brasil e do mundo inteiro. O instituto Brasil – Israel soltou uma nota dura, que reproduzimos aqui.

Bolsonaro e seu entorno (incluindo seu filho, o deputado Eduardo) também já falaram barbaridades contra a China, e isso no momento em que o Brasil mais precisava manter boas relações com o país, por depender dos insumos e materiais necessários ao combate à Covid que somente a China possuía. Além disso, a China é o nosso maior parceiro comercial, e durante a pandemia foi o único país que aumentou (e muito) as compras de produtos brasileiros. E mais: a China é hoje um dos países que mais fazem investimentos internacionais. No Brasil, porém, apesar de mantermos profundas relações comerciais com o gigante asiático, a China é praticamente ausente em termos de investimentos diretos.

Todas essas trapalhadas extremistas do governo Bolsonaro, protagonizadas sobretudo por este “núcleo duro”, cobram um preço altíssimo à economia do país. O desemprego recorde não chegou a tôa.

Os investimentos diretos no país caíram ao menor nível em 128 meses, para perto de US$ 50 bilhões no acumulado de 12 meses, na média dos últimos 12 meses.

Para efeito de comparação, o Brasil chegou a receber mais de US$ 100 bilhões, nos acumulados de 12 meses em meados de 2011. O dobro de hoje!

Em participação no PIB, os investimentos direitos também vem caindo drasticamente, e hoje estão em 3,38% do PIB, no acumulado de 12 meses (e na média dos últimos 12 meses)

O gráfico com as transações correntes, por sua vez, revela o quadro sombrio do processo de subdesenvolvimento e desindustrialização que vivemos. Transações correntes correspondem a uma soma de tudo que entra mais tudo que sai do país.

O subdesenvolvimento nos faz viver uma situação curiosa: nossas transações correntes melhoram quando o desemprego e a crise aumentam, e pioram quando a situação econômica é boa.

Isso se dá porque, quando os brasileiros tem mais dinheiro no bolso, e consomem mais, a indústria nacional não dá conta e é preciso elevar as importações. Além disso, como o Brasil tem uma péssima infra-estrutura de turismo, há muitos mais brasileiros que viajam ao exterior do que estrangeiros que vem ao Brasil. Por fim, o nosso atraso tecnológico tem deixado nossa conta de serviços cada vez mais negativa. 

Por outro lado, essa realidade também revela o nosso potencial imenso de desenvolvimento. As transações correntes do Brasil melhoram porque temos grandes recursos a oferecer ao mundo. Se soubermos aproveitar melhor nossas riquezas, e usar os excedentes para – via investimentos públicos em tecnologia, formação de capital humano e infra-estrutura – aumentar a complexidade da nossa economia, abriremos grandes oportunidades econômicas para o país.

O governo Bolsonaro, além disso, vem reduzindo nossas reservas internacionais. Isso não seria um problema, se integrasse um movimento para elevar o investimento público em saúde, emprego e infra-estrutura. Mas não. Ao que parece, o dinheiro está desaparecendo das nossas reservas sem sabermos para onde vai. Não há nenhuma transparência, visto que Bolsonaro apenas aparece em público para tumultuar, de antemão, o processo eleitoral de 2022, falando em fraude e “voto impresso”.

As reservas internacionais, que iniciam o governo BOlsonaro em torno de US$ 380 bilhões, hoje estão perto de US$ 350 bilhões. Esses 30 bilhões de dólares a menos significaria, ao câmbio de hoje, mais de R$ 155 bilhões, um montante que daria para gerar milhões de empregos, caso o governo tivesse um projeto nacional e, sobretudo, compromisso com a segurança econômica e alimentar dos brasileiros.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Fanta

27 de julho de 2021 às 13h36

Todas as vezes eu fico de boca aberto com as soluçoes faceis e imediatas aos problemas nao sò do Brasil mas do Mundo e quem sabe mais um pouco dos nossos esquerdistas tupiniquim….

Dito isso nao entendo porque nao usam essas capacidades e essa “inteligencia superior pura e cristalina” para abrirem empresas uma atràs da outra e empregar milhoes de brasilerios com salarios 3X acima da media mas ficam sò esperarndo pelos outros e ainda enchem o saco com um monte de besteiras inuteis.

Vai entender….

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Valeriana

27 de julho de 2021 às 13h32

E’ claro…nao teve pandemia ?

Que vai investir durante uma pandemia no Brasil ou em qualquer outro lugar…

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