Após conversar pessoalmente com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Kremlin, o ex-chanceler e atual chefe da assessoria especial da presidência, Celso Amorim, disse que as portas não estão totalmente fechadas para uma negociação em torno do fim da guerra na Ucrânia.
A agenda de Amorim e Putin não foi anunciada pelo governo brasileiro, mas Amorim declarou a CNN que esteve uma hora com o líder russo: “Ficamos a uns oito metros um do outro”.
Primeiramente, o conselheiro de Lula foi recebido pelo secretário do Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev, e pelo principal assessor do Kremlin para assuntos internacionais, Yuri Ushakov.
“Quando eu saí daqui [de Brasília], não havia nenhuma certeza se falaria com Putin. Aliás, isso não estava nem previsto”, disse Amorim.
Já no começo da conversa, Amorim e Putin falaram sobre fluxo comercial entre Brasil e Rússia, uso das moedas locais para exportações e importações e o fornecimento de fertilizantes para o Brasil.
Por fim, abordaram questões relativas à guerra.
“Dizer que as portas estão abertas [para uma negociação de paz] seria exagero, mas dizer que elas estão totalmente fechadas também não é verdade”.
“Não há solução mágica [para interromper o conflito]. Mas haverá um momento em que, de um lado ou de outro, surgirá uma percepção de que o custo da guerra — não só o custo político, mas humano e econômico — será maior que o custo das concessões necessárias para a paz“.
“Minha sensação é de que esse momento ainda não chegou, mas pode chegar mais rápido do que se pensa. E aí a existência de um grupo de países ‘neutros’ — nisso é necessário colocar aspas — pode ajudar”.
O ex-chanceler também revelou que percebeu de Putin que os impasses que levaram e mantêm o conflito foram causados pelas potências ocidentais, especialmente os EUA.
Ainda de acordo com o Amorim, existe a percepção, por parte de Rússia e Ucrânia, que a guerra já está vencida, mas ele pondera o seguinte:
“Às vezes, sentimos do lado ocidental um certo cansaço de algumas forças [com a guerra]. Lá na Rússia, isso é menos perceptível. Em Moscou, não há a sensação de um país em guerra”.
É bom destacar que Celso Amorim foi um dos poucos assessores presidenciais a falar com Putin. Antes dele, apenas o diplomata chinês Wang Yi foi ao Kremlin.
Ainda na reunião, Amorim deixou claro a Putin sobre a disposição do governo brasileiro em mediar as negociações e lembrou da conversa que o presidente Lula teve com os presidentes Emannuel Macron (França) e o próprio Volodymyr Zelensky (Ucrânia).
“Se queremos ter alguma atuação, precisamos falar com todos”, finalizou.