Em março o Partido Liberal (PL), atual legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro lançou uma pesquisa qualitativa com três grupos focais: eleitores do Lula, eleitores de centro e eleitores de direita. Pelo tom e pelas perguntas feitas na pesquisa, é possível acreditar que o partido de Valdemar Costa Neto já está trabalhando na substituição do Bolsonaro.
Com a inelegibilidade do do ex-presidente se tornando um fato cada vez mais concreto, as discussões sobre a sucessão do bolsonarismo se tornam ainda mais urgentes dentro do PL e a pesquisa realizada no mês passado dá algumas pistas de que direções o PL poderá seguir.
A ultima pesquisa mostra tanto os governadores de Minas Gerais e São Paulo como nomes fortes e capazes de aglutinar o extremismo de direita no país, diferente da esposa do Bolsonaro, Michele, que é vista mais como um excelente cabo eleitoral, principalmente para as eleições municipais.
Além disso a pesquisa indicou que os eleitores mais ao centro e centro-direita estão mais sensíveis a pauta econômica e que qualquer sinalização envolvendo aumento de tributos ou inflação pode acabar aproximando eles dos candidatos do PL.
Uma pessoa que teve contato direto com os relatórios das pesquisas disse à coluna que esse grupo de ser facilmente identificado como aqueles que avaliaram o governo do presidente Lula como regular na ultima pesquisa Datafolha.
Isso explicaria em partes a preocupação do presidente Lula com essa faixa de 30% na pesquisa Datafolha e com a diretriz que deu aos seus ministros para que atuem apoiando a comunicação do governo.
Vale lembrar que por ser uma pesquisa qualitativa, o foco foi em medir a percepção da sociedade sobre os mais variados assuntos, logo, não é possível determinar as intenções de voto nem de Tarcísio, Zema ou Michele, embora a pesquisa tenha captado percepções bem distintas sobre os três, conforme mencionado acima.
Além disso, a pesquisa confirma algo que pode dar mais “munição” ao Valdemar, na guerra interna que ocorre nos bastidores do PL já que revela que Bolsonaro não é o único nome aglutinador do conservadorismo e do extremismo de direita no Brasil e que migrar o seu capital político para outro nome não será uma tarefa hercúlea.
A pesquisa ainda mostra que o PL conta com dois elementos que estão alheios aos seus desejos: a dificuldade do governo em comunicar os seus feitos e um eventual fracasso na área da economia, principalmente nas discussões envolvendo inflação, novo arcabouço fiscal e reforma tributária (principalmente no que diz respeito a aumento de impostos).
De qualquer maneira, a pesquisa confirma as notas que andam saindo na imprensa nos últimos dias que afirmam que aliados do ex-presidente Bolsonaro já dão ele como inelegível e que muito provavelmente o PL já sabia disso quando Bolsonaro foi para os EUA e que talvez o melhor caminho fosse usar ele só como um cabo eleitoral mesmo. Com a série de escândalos revelados e o autoexílio, ele acabou “sujando” o seu capital político.
Colocar os holofotes em sua esposa seria uma forma de “lavar” o seu capital político para que possa ser usado de forma mais efetiva por todo o PL.
De qualquer maneira, parece que a primeira batalha entre o governo e os extremistas já está dada: é a disputa pelos “regulares” do Datafolha.