Os primeiros testes de peso da relação entre executivo e legislativo esse ano não foram favoráveis ao governo. Tanto a tentativa de Lula de emplacar decretos que alteravam o Marco do Saneamento como a esperança de aprovação do PL das Fake News “foram por água a baixo”.
O primeiro projeto mostrou um desalinho dos parlamentares com o governo, traduzido em 295 votos contrários à proposta do Presidente e apenas 136 a favor. Lula participou ontem (4) da plenária de instalação do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável no Itamaraty e comentou sobre as dificuldades de tramitação de projetos do Executivo no Congresso.
De forma indireta, o Presidente mencionou as queixas sobre a falta de articulação política no Planalto e “cutucou” Alexandre Padilha, Ministro das Relações Institucionais, que também estava presente. “Eu espero que ele tenha a (mesma) capacidade de organizar, de articular, que ele teve no Conselho, dentro do Congresso Nacional. Aí vai facilitar muito a vida”, disse Lula brincando com o Ministro.
A tramitação do PL das Fake News evidenciou ainda mais o problema. Mesmo conseguindo a urgência de votação, o projeto não chegou nem a ser votado devido à falta de apoio e mudança de posicionamento súbito de diversas bancadas.
Levando tudo isso em consideração, Lula planeja assumir a coordenação política do governo e pretende conversar com os líderes do MDB, PSD, União Brasil e PSB na próxima semana, depois de voltar da viagem à Inglaterra, onde estará no sábado. Juntos, os quatro partidos controlam 12 dos 37 ministérios.
A cúpula do PT defende a troca de ministros, principalmente do União Brasil que controla três ministérios: Comunicações, Turismo e Integração. Todos os 48 deputados do partido votaram contra o governo na revisão do Marco do Saneamento.
O líder do partido na Câmara, José Guimarães (PT-CE) comentou sobre a a condução da votação do PL das Fake News ao Estadão: “É um recado? Evidente que é, por várias razões. Os líderes que encaminharam contra o governo vão ter de decidir se são ou não governo”.
Guimarães ainda reforça a ideia de que o governo deve “mudar o rumo”. “A votação do PDL (Projeto de Decreto Legislativo) hoje aqui na Câmara mostra que temos que fazer um freio de arrumação dentro do governo”, afirmou o deputado.