Petrobras implementa nova política de remuneração com redução de dividendos aos acionistas

Imagem: Agência Petrobras

O conselho de administração da Petrobras anunciou nesta sexta-feira (28) a aprovação de uma nova política de dividendos que resultará em uma redução no valor distribuído aos acionistas. Além disso, a empresa agora tem a possibilidade de implementar um programa de recompra de ações, seguindo o exemplo de suas concorrentes no mercado.

A mudança na política de dividendos é uma das promessas de campanha do governo Lula (PT), que tem sido crítico da política adotada no governo Jair Bolsonaro (PL), que levou a Petrobras a se tornar uma das maiores pagadoras de dividendos do mundo.

De acordo com a nova política, a Petrobras reduziu a parcela do fluxo de caixa livre destinada a dividendos de 60% para 45%. O fluxo de caixa livre representa a diferença entre o fluxo de caixa e os investimentos realizados pela empresa.

Além disso, a empresa também alterou o conceito de investimentos que definem o valor dos dividendos, agora incluindo as aquisições de participações acionárias.

Segundo a estatal, a nova política mantém o objetivo de “promover a previsibilidade do fluxo de pagamentos de proventos aos acionistas, ao mesmo tempo em que garante a perenidade e a sustentabilidade financeira de curto, médio e longo prazos da Petrobras, sem comprometer a capacidade de crescimento da companhia”.

A política anterior, criada no início da gestão Bolsonaro, conferiu à empresa o status de uma das maiores pagadoras de dividendos no mundo, sendo apelidada de “vaca leiteira”. Em 2022, a Petrobras foi classificada como a segunda maior pagadora de dividendos globalmente, de acordo com a gestora Janus Henderson.

Com a redução aprovada nesta sexta-feira, a Petrobras se aproxima do padrão de distribuição de concorrentes internacionais que utilizam o indicador de fluxo de caixa como parâmetro, com percentuais entre 25% e 40%.

A gestão petista defende que uma parcela maior da geração de caixa seja direcionada para novos investimentos em segmentos negligenciados por gestões anteriores, como energias renováveis e petroquímica.

Desde que Jean Paul Prates assumiu a presidência da companhia em janeiro, ele tem defendido um diálogo com os investidores para debater quais projetos podem receber recursos antes destinados a dividendos.

A expectativa é que o plano estratégico da Petrobras seja revisado nas próximas semanas, com indicações de investimentos em projetos de energias renováveis e confirmação de aportes em unidades de refino baseadas em óleos vegetais. No entanto, um novo plano estratégico será divulgado somente no final do ano.

A Petrobras também confirmou que a nova política possibilita a implementação de um programa de recompra de ações para destinar parte dos recursos enquanto não eleva os investimentos. No entanto, ainda não há detalhes sobre essa estratégia.

“Eventuais valores alocados a programas de recompra de ações serão abatidos da fórmula da política de remuneração, com o desconto dos montantes gastos com recompra a cada trimestre, conforme reportado na demonstração dos fluxos de caixa do consolidado da companhia”, afirmou a estatal.

Programas de recompra de ações têm se tornado mais comuns em empresas de commodities, que tiveram seus caixas inflados pelas cotações recordes dos últimos anos. Entre as grandes petroleiras, cerca de 41% dos recursos distribuídos aos acionistas em 2022 foram destinados a reduzir a base acionária.

No Brasil, a Vale também vem adotando a estratégia de recompra de ações. Através de três programas de recompra, a empresa já adquiriu 16% das ações negociadas em bolsa, aumentando em 20% o ganho dos acionistas remanescentes, segundo o presidente da companhia, Eduardo Bartolomeo.

Clara Machado:
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