Queda nos preços do petróleo deve aliviar inflação em 2026

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O ano de 2026 começa com o petróleo em um patamar significativamente mais baixo do que há um ano. Em 2 de janeiro de 2026, o barril do tipo Brent, referência internacional, gira em torno de US$ 60, depois de ter iniciado 2025 próximo de US$ 76.

A queda, da ordem de 20% em 12 meses, ajuda a explicar por que o petróleo fechou 2025 como o pior ano desde 2020 e cria um ambiente externo mais favorável para países importadores e consumidores de combustíveis, como o Brasil.

No mercado interno, os preços ao consumidor ainda refletem esse movimento de forma parcial, mas os sinais são claros. No fim de 2025, a gasolina era vendida, em média, a cerca de R$ 6,19 por litro, enquanto o diesel girava em torno de R$ 6,08. No início de janeiro de 2025, os valores médios estavam próximos de R$ 6,15 para a gasolina e R$ 6,13 para o diesel. A comparação mostra estabilidade aparente na gasolina e leve recuo no diesel, mas, sobretudo, indica que os preços internos não acompanharam a alta que poderia ter ocorrido caso o petróleo tivesse permanecido nos níveis de um ano atrás.

A importância desse movimento vai muito além da bomba de combustível. O petróleo é um insumo central para a economia e influencia diretamente os custos de transporte, logística, energia e produção industrial. Quando o barril cai de forma consistente, como ocorreu ao longo de 2025, a tendência é de redução das pressões inflacionárias ao longo do tempo, mesmo que o repasse seja gradual e condicionado a impostos, margens de distribuição e decisões de política de preços.

No Brasil, esse alívio externo chega em um momento estratégico. A inflação encerrou 2025 em trajetória de desaceleração, com o IPCA acumulado em 12 meses em torno de 4,4%, abaixo do teto da meta e em nível consideravelmente mais confortável do que nos anos de choque inflacionário recente. A combinação de alimentos mais comportados, energia menos pressionada e combustíveis sem grandes sobressaltos ajudou a consolidar esse cenário. Um petróleo mais barato em 2026 tende a reforçar esse movimento, sobretudo no diesel, que tem peso relevante nos custos de frete e, por consequência, nos preços dos alimentos e dos serviços.

Do ponto de vista político, a inflação é um dos indicadores mais sensíveis para a percepção da população sobre a economia. Preços sob controle costumam se traduzir em maior sensação de bem-estar, mesmo quando o crescimento é moderado. Para o governo federal, manter a inflação em patamar baixo é crucial para sustentar ganhos de renda recentes, como a valorização do salário mínimo e a ampliação da isenção do Imposto de Renda, evitando que esses avanços sejam corroídos pelo aumento do custo de vida.

Nesse contexto, o petróleo barato funciona como um aliado silencioso. Ao reduzir riscos inflacionários, ele cria espaço para uma política monetária menos restritiva, estimula o consumo e melhora o humor econômico geral. Esse ambiente tende a favorecer a avaliação do governo e a manter a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em patamar elevado ao longo de 2026.

Com inflação controlada, renda real em alta e consumo reagindo, o governo ganha fôlego não apenas na economia, mas também no terreno político. A estabilidade de preços é um ativo poderoso: sustenta a popularidade, fortalece alianças e cria um pano de fundo mais favorável para as articulações eleitorais que começam a se intensificar no horizonte da próxima eleição presidencial.

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