Menu

Mundo reage ataque de Trump contra Maduro com choque, condenações e divisões ideológicas

Especialistas afirmam que a operação viola a Carta da ONU e cria um precedente perigoso para conflitos futuros em todo o mundo Nas primeiras horas deste sábado, o mundo acordou com uma nova crise internacional. Os Estados Unidos lançaram operações militares contra alvos na Venezuela — uma ação que rapidamente provocou ondas de reações diplomáticas, […]

1 comentário
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Governos latino-americanos se dividem entre rejeição firme à intervenção e apoio explícito à queda de Nicolás Maduro, aprofundando fraturas regionais.
A ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela provoca condenações, apoios pontuais e reacende o debate sobre soberania, legalidade e uso da força no século XXI.

Especialistas afirmam que a operação viola a Carta da ONU e cria um precedente perigoso para conflitos futuros em todo o mundo


Nas primeiras horas deste sábado, o mundo acordou com uma nova crise internacional. Os Estados Unidos lançaram operações militares contra alvos na Venezuela — uma ação que rapidamente provocou ondas de reações diplomáticas, políticas e éticas em escala global. Enquanto alguns governos saudaram a ofensiva como um “passo necessário”, outros a classificaram como uma “agressão inaceitável”, violando de forma flagrante os pilares do direito internacional.

A escalada, que inclui ataques aéreos a instalações militares e infraestrutura civil venezuelana, bem como a captura do presidente Nicolás Maduro, foi descrita por diferentes líderes como um precedente perigoso que ameaça não só a soberania venezuelana, mas a própria estabilidade da ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.


Latino-América em alerta: entre solidariedade e divisões

Na América Latina, as reações foram particularmente contundentes. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, usou sua conta no X para condenar os bombardeios:
“Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam um limite inaceitável. Esses atos representam uma grave afronta à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.”
Lula prosseguiu afirmando que “atacar países em flagrante violação do direito internacional é o primeiro passo rumo a um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.”

O México também rejeitou veementemente a intervenção unilateral: “O governo mexicano condena e rejeita veementemente as ações militares realizadas unilateralmente nas últimas horas pelas forças armadas dos Estados Unidos da América contra alvos no território da República Bolivariana da Venezuela, em clara violação do Artigo 2 da Carta das Nações Unidas.” O país reiterou seu apoio ao diálogo como único caminho legítimo para resolver conflitos.

O Chile, por meio do presidente Gabriel Boric, endossou a mesma posição: “Como Governo do Chile, expressamos nossa preocupação e condenação às ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e apelamos por uma solução pacífica para a grave crise que afeta o país.”

A Colômbia, vizinha direta da Venezuela, manifestou “profunda preocupação” com as explosões e “atividades aéreas incomuns” na região. O presidente Gustavo Petro reafirmou o compromisso com a soberania e o não uso da força, rejeitando “qualquer ação militar unilateral que possa agravar a situação ou colocar a população civil em risco”.

O Uruguai, por sua vez, destacou que “rejeita, como sempre fez, a intervenção militar de um país no território de outro” e reafirmou a necessidade de respeito à integridade territorial e à Carta da ONU.

Mas nem todos na região seguiram o mesmo tom. O presidente equatoriano Gabriel Noboa celebrou a ofensiva com entusiasmo: “Está chegando a hora de todos os criminosos narco-chavistas. Sua estrutura finalmente entrará em colapso em todo o continente.” Noboa ainda se dirigiu diretamente a Corina Machado e Edmundo González — figuras da oposição venezuelana — afirmando: “Para Corina Machado, Edmundo Gonzalez e o povo venezuelano: é hora de recuperar seu país. Vocês têm um aliado no Equador.”

Já o presidente argentino Javier Milei, um alinhado ideológico de Donald Trump, comemorou com um vídeo no X: “A LIBERDADE SEGUE EM FRENTE. VIDA LONGA À LIBERDADE, CARAMBA!” No mesmo vídeo, Milei chamou Maduro de “ameaça para a região” e apoiou a pressão exercida por Trump sobre Caracas, afirmando que “já passou o tempo de ter uma abordagem tímida sobre este assunto”.


Reações globais: de Moscou a Teerã, passando por Bruxelas

Do outro lado do mundo, a Rússia condenou a operação com veemência:
“Esta manhã, os Estados Unidos cometeram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso é profundamente preocupante e condenável.”
O Ministério russo criticou os “pretextos infundados” utilizados pelos EUA e alertou que “a animosidade ideológica prevaleceu sobre o pragmatismo empresarial e a vontade de construir relacionamentos baseados na confiança e na previsibilidade.”
Moscou defendeu que “a América Latina deve permanecer uma zona de paz, como se declarou em 2014”, e apoiou o pedido de reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU.

A Bielorrússia ecoou esse sentimento. O presidente Alexander Lukashenko, por meio de sua porta-voz Natalia Eismont, “condena categoricamente o ato de agressão americana contra a Venezuela” e teria dito anteriormente, em entrevista a jornalistas norte-americanos: “Será um segundo Vietnã. E os americanos não precisam disso.”

No Irã, o líder supremo aiatolá Ali Khamenei fez um apelo à resistência: “O que importa é que, quando uma pessoa percebe que o inimigo está arrogantemente tentando impor algo ao país, às autoridades, ao governo e à nação, ela deve se opor firmemente ao inimigo e resistir com coragem. Não cederemos ao inimigo.”
Khamenei ainda afirmou, com tom messiânico, que, “confiando em Deus Todo-Poderoso, faremos o inimigo se ajoelhar.”

Na Europa, as posições se dividiram entre princípios e geopolítica. A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a UE “apela à moderação” e que “em todas as circunstâncias, os princípios do direito internacional e a Carta da ONU devem ser respeitados”, embora reitere que “o Sr. Maduro carece de legitimidade”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, endossou essa visão, manifestando “solidariedade ao povo venezuelano” e apoio a “uma transição pacífica e democrática”.

Já na Alemanha, a oposição parlamentar conservadora se dividiu. Roderich Kiesewetter, da União Democrata-Cristã, acusou Trump de destruir a ordem internacional: “Com o presidente Trump, os EUA estão abandonando a ordem baseada em regras que nos moldou desde 1945.”
Seu colega Jürgen Hardt, porém, justificou a ação pelo histórico de Maduro: “Durante muitos anos, Maduro reprimiu a sociedade civil na Venezuela e apoiou o terrorismo e o narcotráfico na região… Do ponto de vista dos direitos humanos, o fim do seu governo é uma boa notícia.”

No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer adotou uma postura mais cautelosa: “Quero primeiro apurar os fatos. Quero falar com o Presidente Trump. Quero falar com os aliados. Posso afirmar com absoluta certeza que não estivemos envolvidos… e sempre digo e acredito que todos devemos respeitar o direito internacional.”
Já Nigel Farage, líder do partido Reforma, reconheceu a ilegalidade da ação, mas especulou que “se fizerem a China e a Rússia repensarem suas ações, talvez seja algo positivo”.

Na Itália, o ex-primeiro-ministro Giuseppe Conte foi categórico: “A agressão americana contra a Venezuela não tem fundamento legal. Estamos diante de uma flagrante violação do direito internacional… Nem a natureza iliberal do governo justifica um ataque a um Estado soberano.”


Direito internacional sob ataque

Especialistas jurídicos também entraram na contenda. Marc Weller, do think tank britânico Chatham House, foi incisivo:
“O direito internacional proíbe o uso da força como meio de política nacional. Salvo mandato do Capítulo VII da ONU, a força só está disponível em resposta a um ataque armado ou, possivelmente, para resgatar uma população sob ameaça iminente de extermínio.”
Weller concluiu: “Claramente, nenhum desses requisitos é cumprido pela operação armada contra a Venezuela. O interesse dos EUA em reprimir o tráfico de drogas ou as alegações de que o governo Maduro era, em essência, uma organização criminosa não oferecem qualquer justificativa legal.”

Países como a Espanha, a Indonésia e Trinidad e Tobago — que afirmou não participar “de nenhuma dessas operações militares em curso” — insistiram na necessidade de desescalada, proteção de civis e respeito à Carta da ONU.

O grupo armado libanês Hezbollah, por sua vez, expressou “total solidariedade à Venezuela – ao seu povo, à sua presidência e ao seu governo – no enfrentamento desta agressão e arrogância americana.”


O que vem agora?

Enquanto o mundo debate a legalidade e a ética da intervenção, uma pergunta paira no ar: onde termina a defesa da democracia e começa a imposição de hegemonia? A Venezuela, há anos mergulhada em crise política, econômica e humanitária, tornou-se palco de uma disputa que vai muito além de suas fronteiras. Se por um lado há alívio com o possível fim do regime de Maduro, por outro há temor de que, com a quebra da ordem internacional, nenhum país — pequeno ou grande — esteja a salvo de uma intervenção unilateral.

Como afirmou o México com clareza: “A América Latina deve permanecer uma zona de paz.” Resta saber se as potências globais estarão dispostas a ouvir — ou se, mais uma vez, escolherão falar com bombas.

Com informações de Reuters*

, , , ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Preà

03/01/2026 - 11h10

Os porcos na lista sao esses, o primeiro jà se foi…

1 – Maduro
2 – Petro
3 – Da Silva


Leia mais

Recentes

Recentes