O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou duramente, neste sábado, as ações militares realizadas pelos Estados Unidos contra a Venezuela, classificando o episódio como um “ato de agressão armada” sem qualquer justificativa plausível no direito internacional. Em comunicado oficial, Moscou afirmou que os argumentos apresentados por Washington para sustentar a ofensiva são infundados e alertou para o risco de uma escalada ainda maior das tensões na América Latina.
Segundo a chancelaria russa, o ataque representa uma grave violação da soberania venezuelana e um precedente perigoso para a estabilidade regional. “Esta manhã, os Estados Unidos realizaram um ato de agressão armada contra a Venezuela. Isso causa profunda preocupação e condenação. Os pretextos citados para justificar tais ações são infundados”, afirmou o ministério em nota divulgada à imprensa internacional.
Solidariedade ao povo venezuelano e apoio à soberania
No comunicado, o governo russo manifestou solidariedade explícita ao povo venezuelano e reafirmou apoio político ao governo do país sul-americano. Moscou declarou que respalda os esforços da liderança venezuelana para proteger a soberania nacional e defender seus interesses diante de pressões externas.
“Reafirmamos nossa solidariedade ao povo venezuelano e nosso apoio ao caminho trilhado por sua liderança bolivariana para salvaguardar os interesses e a soberania da nação”, destacou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. A declaração reforça a posição histórica de Moscou de defesa do princípio da não intervenção e da autodeterminação dos povos.
A Rússia mantém relações diplomáticas e cooperação estratégica com a Venezuela há mais de duas décadas, envolvendo áreas como energia, defesa, comércio e tecnologia. O país tem sido um dos principais aliados internacionais de Caracas em fóruns multilaterais, especialmente diante de sanções impostas pelos Estados Unidos e por países europeus.
Apelo por sessão de emergência no Conselho de Segurança da ONU
O governo russo também endossou formalmente os apelos feitos pela Venezuela e por parceiros latino-americanos para a convocação de uma sessão de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Para Moscou, o órgão máximo da ONU para temas de paz e segurança internacional deve se pronunciar com urgência sobre o episódio.
Segundo a chancelaria, o ataque norte-americano precisa ser analisado à luz da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política de Estados soberanos, salvo em situações muito específicas, como legítima defesa ou autorização expressa do Conselho de Segurança.
Diplomatas russos avaliam que a convocação do conselho é fundamental para evitar interpretações unilaterais e conter o agravamento do conflito, que poderia ter impactos não apenas regionais, mas também globais.
América Latina como zona de paz
No texto, Moscou ressaltou que a América Latina deve permanecer uma zona de paz, conforme compromisso firmado em 2014 por países da região no âmbito da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Para o governo russo, ações militares externas violam esse entendimento e colocam em risco anos de esforços diplomáticos voltados à estabilidade regional.
“A América Latina deve permanecer uma zona de paz, como se autoproclamou em 2014. A Venezuela deve ter garantido o direito de determinar seu próprio destino sem qualquer interferência externa destrutiva, muito menos militar”, afirmou o ministério.
A Rússia argumenta que intervenções armadas motivadas por disputas ideológicas tendem a aprofundar crises humanitárias, enfraquecer instituições e gerar instabilidade prolongada, em vez de promover soluções duradouras.
Críticas à postura dos Estados Unidos e alerta contra escalada
Em tom crítico, a chancelaria russa acusou os Estados Unidos de substituir o diálogo pragmático por uma política de confrontação ideológica. Segundo o comunicado, esse tipo de abordagem compromete a previsibilidade das relações internacionais e mina a confiança entre Estados.
“A hostilidade motivada por ideologia substituiu o engajamento pragmático e a vontade de construir relações previsíveis e baseadas na confiança”, afirmou o ministério. A Rússia acrescentou que o caminho mais seguro para resolver a crise passa por soluções diplomáticas, reiterando disposição para contribuir com esforços de mediação.
Moscou alertou que novos ataques ou medidas militares podem desencadear uma escalada difícil de controlar, com consequências diretas para a segurança regional e internacional.
Situação da embaixada russa em Caracas
O Ministério das Relações Exteriores informou ainda que a embaixada da Rússia em Caracas segue operando normalmente, apesar da ofensiva militar atribuída aos Estados Unidos. Segundo a nota, não há registros de cidadãos russos feridos em território venezuelano até o momento.
O ministério confirmou que autoridades consulares mantêm contato permanente com autoridades locais e com cidadãos russos residentes ou em trânsito no país, monitorando a situação de segurança. A embaixada já havia emitido comunicado anterior reforçando que acompanha de perto os desdobramentos e está preparada para prestar assistência, se necessário.
Repercussão internacional e próximos passos
A manifestação russa amplia a pressão diplomática internacional após o anúncio de ações militares contra a Venezuela. Outros países e organismos multilaterais também acompanham o caso com cautela, enquanto cresce a expectativa em torno de um posicionamento formal das Nações Unidas.
Para analistas internacionais, a reação de Moscou reforça a dimensão geopolítica do episódio e sinaliza que eventuais desdobramentos não se limitarão ao eixo Washington-Caracas. A convocação de uma sessão de emergência do Conselho de Segurança poderá se tornar um novo palco de disputas políticas e diplomáticas, com impacto direto no equilíbrio internacional e no futuro das relações entre grandes potências e a América Latina.


Paulim
03/01/2026 - 11h08
Esse porco tinha autorizaçào de alguem para invadir a Ucrania e tomar o territorio dela ?
Os EUA nao irao tomar territorio de ninguem, a açào durou 5 minutos e ja acabou.