A vice-presidente Delcy Rodríguez afirma que a hierarquia institucional segue intacta e acusa Washington de promover uma ofensiva neocolonial contra a Venezuela
A madrugada deste sábado (3) marcou um dos capítulos mais dramáticos da história recente da América Latina. Após uma ofensiva militar relâmpago em Caracas, forças dos Estados Unidos capturaram o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, levando-os para Nova York a bordo de um navio de guerra. Diante do vácuo de poder e da agressão estrangeira, a vice-presidente Delcy Rodríguez rompeu o silêncio em pronunciamento oficial.
Com semblante sério e ladeada pela cúpula do governo, Rodríguez convocou os ministros e a classe trabalhadora a resistirem ao que classificou como uma tentativa de colonização moderna. Durante a transmissão em rede pública, a vice-presidente enfatizou que a dignidade venezuelana não está à venda. Ela reiterou que, para as instituições locais, a hierarquia permanece inalterada apesar da ofensiva internacional.
“A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro”, afirmou Rodríguez de forma contundente. De acordo com a líder, o episódio não passou de um “sequestro” orquestrado por Washington para desestabilizar a autodeterminação dos povos do sul. Em sua fala, ela buscou transmitir calma aos apoiadores, garantindo que o Estado venezuelano lutará para manter sua independência contra as pressões imperiais vindas do Norte.
Doutrina Monroe e a sombra do neocolonialismo no século XXI
Enquanto Caracas tentava processar o impacto das explosões, o presidente Donald Trump falava diretamente de Mar-a-Lago, na Flórida. O republicano não apenas confirmou a operação militar, como também anunciou que os EUA assumirão a gestão interina do país vizinho. Através de um discurso que resgatou ideologias do século XIX, Trump justificou a invasão como um passo necessário para a segurança do hemisfério.
O mandatário invocou explicitamente a Doutrina Monroe para reafirmar que Washington não aceitará contestações à sua hegemonia na região. Conforme as palavras de Trump, o domínio americano está sendo restaurado de forma “poderosa”. Embora tenha mencionado a intenção de realizar uma transição futura, ele deixou claro que o controle imediato sobre as decisões políticas da Venezuela pertencerá a um grupo designado pela Casa Branca.
Essa postura foi recebida por analistas internacionais como um retrocesso diplomático agressivo. Ao ignorar as vias da Organização das Nações Unidas (ONU), os EUA optaram pela força bruta para remover um líder eleito. Como resultado, a narrativa de “liberdade e justiça” pregada por Trump choca-se com as imagens de navios de guerra cercando a costa de uma nação soberana em busca de seus recursos naturais.
O interesse explícito pelas maiores reservas de petróleo do mundo
A questão energética parece ser o motor principal por trás da mobilização militar de escala inédita. Sem rodeios, Trump declarou que as petroleiras norte-americanas retornarão ao solo venezuelano para “fazer o petróleo fluir”. Ele argumentou que a infraestrutura do país foi “roubada” das empresas dos EUA no passado e que agora será recuperada para gerar lucros sob gestão americana.
Dessa maneira, o presidente estadunidense confirmou as suspeitas do governo chavista sobre as reais motivações da ofensiva. “Nossas gigantescas companhias petrolíferas vão entrar e gastar bilhões para consertar o que o socialismo estragou”, afirmou Trump. Contudo, essa intervenção direta na economia local levanta questões jurídicas globais sobre a propriedade dos recursos minerais de uma nação sob ocupação.
Ademais, Trump revelou que o secretário de Estado, Marco Rubio, já mantém diálogos com Delcy Rodríguez. Surpreendentemente, o presidente descartou a líder opositora María Corina Machado como possível governante, alegando que ela carece de “respeito interno”. Assim, Washington parece estar montando um tabuleiro político onde a soberania popular venezuelana é substituída por conveniências estratégicas e econômicas da Casa Branca.
Detalhes de uma operação militar cinematográfica em Caracas
A captura de Nicolás Maduro foi descrita por Donald Trump como uma missão de precisão absoluta, durando apenas 47 segundos. Segundo o relato, o presidente assistiu a tudo por transmissão direta, comparando a experiência a um “programa televisivo”. O ataque utilizou um poderio esmagador, incluindo o navio anfíbio USS Iwo Jima, posicionado estrategicamente no Caribe desde o final do ano passado.
No entanto, o custo humano e a tensão nas ruas de Caracas pintam um quadro menos “espetacular” do que o narrado por Washington. Relatos de moradores indicam que ao menos sete grandes explosões sacudiram a capital, provocando cortes de energia e pânico generalizado. Vídeos em redes sociais mostram colunas de fumaça saindo de bases militares, enquanto aeronaves de baixa altitude cortavam o céu da cidade durante a madrugada.
Atualmente, o paradeiro exato de Maduro e sua esposa gera incertezas, embora Trump assegure que eles seguem para Nova York. Enquanto isso, o governo venezuelano ativou o decreto de “Comoção Exterior”, convocando a população para a luta armada defensiva. Por consequência, a região entra em um estado de alerta máximo, aguardando os próximos passos de uma crise que desafia as leis internacionais e a paz no continente.


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