O Itamaraty confirmou que a vice-presidenta Delcy Rodríguez assume o comando da Venezuela; Donald Trump projeta uma gestão direta de Washington sobre o território vizinho
A geopolítica da América Latina sofreu um abalo sísmico neste sábado (3). Em um cenário de incertezas e tensão extrema, o governo brasileiro oficializou o reconhecimento de Delcy Rodríguez, atual vice-presidente da Venezuela, como a comandante legítima e interina do país vizinho. A decisão ocorre poucas horas após uma operação militar norte-americana resultar na captura de Nicolás Maduro.
A postura de Brasília, embora pragmática, busca preservar os ritos constitucionais e evitar um vácuo de poder que poderia mergulhar a região em um caos ainda maior. A confirmação veio através da ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, que detalhou a posição do Estado brasileiro durante uma coletiva de imprensa.
“Na ausência do atual presidente Maduro, é a vice. Ela está como presidente interina”, afirmou a ministra, reforçando a linha de sucessão prevista nas normas locais.

A ofensiva de Washington e o espectro do neocolonialismo
A captura de Maduro não foi apenas um ato isolado, mas o ápice de uma intervenção militar direta executada pelos Estados Unidos durante a madrugada. Segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, a operação foi bem-sucedida e o líder venezuelano — que governava o país há décadas — já foi retirado do território nacional.
Contudo, as declarações de Trump acenderam alertas sobre a soberania venezuelana. O republicano afirmou categoricamente que os Estados Unidos irão governar a Venezuela neste período de transição. O plano de Washington inclui, inclusive, o envio de tropas adicionais para assegurar o controle, caso seja necessário. Essa postura levanta questionamentos profundos sobre a autonomia dos povos latino-americanos frente às intervenções das grandes potências do Norte.
Apesar da retórica agressiva de Trump, o controle real sobre o solo venezuelano permanece incerto. Embora a operação noturna tenha provocado bleautes em partes de Caracas e alcançado o esconderijo de Maduro, a estrutura governamental em torno de Delcy Rodríguez parece ainda manter o funcionamento das instituições, resistindo à ideia de uma administração estrangeira direta.
O destino de Maduro e os detalhes da operação
Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram levados para o navio de guerra USS Iwo Jima. O destino final é a cidade de Nova York, onde o ex-presidente será entregue às autoridades judiciais do Distrito Sul. O peso das acusações é grave: o Departamento de Justiça dos EUA imputa a ele crimes de conspiração de narcoterrorismo, importação de cocaína e posse de armas destrutivas.
Enquanto os EUA tratam o caso sob a ótica criminal e de segurança nacional, o Brasil e outros vizinhos regionais observam com cautela os desdobramentos humanitários e políticos. A defesa da autodeterminação dos povos e o respeito aos canais diplomáticos seguem sendo o fiel da balança para o Itamaraty, que tenta mediar uma saída que não transforme a Venezuela em um protetorado norte-americano.


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