A operação militar americana reacende a Doutrina Monroe e expõe fissuras entre Washington e aliados históricos da Europa
A política internacional sofreu um golpe profundo neste sábado com a deflagração da Operação Resolução Absoluta. Em uma ação que ignora o direito internacional, forças militares dos Estados Unidos invadiram Caracas para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores. Embora Washington celebre a precisão da investida, líderes mundiais, como o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, alertam para o perigo de um horizonte de beligerância. Afinal, a queda forçada de um governo eleito por meio de bombardeios estrangeiros ressuscita os períodos mais sombrios do intervencionismo no continente.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, utilizou suas redes sociais para condenar a manobra norte-americana de forma enfática. Mesmo sem reconhecer o regime de Maduro anteriormente, Sánchez afirmou que a Espanha não aceitará uma intervenção que viole as normas globais. O líder espanhol apelou pelo respeito à Carta das Nações Unidas, defendendo uma transição justa e dialogante. Segundo ele, ações unilaterais empurram a região para uma incerteza perigosa.
Sánchez acredita que a solução para as crises políticas deve surgir do debate entre as partes, e não da imposição militar. Contudo, o presidente Donald Trump já anunciou que os Estados Unidos governarão o país sul-americano de forma interina. Essa decisão de Washington de assumir o controle direto de uma nação soberana gera indignação em diversos setores da comunidade internacional.
Detalhes de uma invasão planejada com frieza
O general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, detalhou a complexidade da operação que resultou na captura do casal presidencial. A força conjunta utilizou 150 aeronaves, incluindo bombardeiros e caças, que partiram de 20 bases militares diferentes. De acordo com o general, o planejamento durou meses e contou com o apoio ostensivo das agências de inteligência CIA e NSA. Os militares monitoraram cada detalhe da vida de Maduro, desde seus deslocamentos até seus hábitos mais simples.
A operação começou oficialmente às 22h46 de sexta-feira, quando Trump autorizou o início dos ataques. As tropas de elite chegaram ao complexo onde Maduro estava às 2h01, horário local de Caracas. Houve troca de tiros na região central da capital, mas as forças norte-americanas responderam com poder de fogo esmagador. Segundo o relato oficial, Maduro e sua esposa se renderam sem oferecer resistência diante da superioridade bélica estrangeira.
O braço longo do poderio militar americano
O secretário de Defesa, Peter Hegseth, adotou um tom ameaçador ao comentar o sucesso da missão. Ele destacou a “letalidade” e o “braço longo da justiça americana” como ferramentas centrais da política externa atual. Hegseth afirmou que Maduro “passou do limite” e, por isso, sofreu as consequências imediatas. Para o governo Trump, a invasão serve como um aviso severo a outros adversários globais, como o Irã.
Atualmente, Maduro e Cília Flores seguem custodiados em um navio da Marinha norte-americana em direção a Nova York. Enquanto isso, as forças dos EUA permanecem em alto estado de prontidão na região. O general Caine assegurou que as tropas estão preparadas para projetar poder e proteger os interesses regionais de Washington a qualquer momento. Essa presença militar constante reforça a imagem de uma ocupação que ignora a autonomia do povo venezuelano.
O futuro incerto sob o governo de Washington
A decisão de Trump de governar a Venezuela até uma “transição segura” levanta dúvidas sobre o futuro democrático da região. O governo venezuelano, agora deposto à força, denunciou a agressão como um ato de pirataria internacional e decretou estado de exceção. Entretanto, com o controle militar total estabelecido pelos invasores, a resistência institucional enfrenta desafios monumentais.
A comunidade internacional observa com cautela a promessa de uma “transição adequada” feita por Trump. Muitos analistas temem que a gestão norte-americana foque apenas na exploração de recursos e no controle geopolítico. Afinal, a história mostra que intervenções desse porte raramente priorizam o bem-estar da população civil. O respeito à autodeterminação parece ter sido substituído pela lei do mais forte no tabuleiro sul-americano.
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