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Sánchez rejeita intervenção dos EUA na Venezuela e exige respeito ao direito internacional

Premiê espanhol critica anúncio de Trump e defende solução dialogada centrada no povo venezuelano O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, condenou no último sábado (3) a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e afirmou que seu país não reconhecerá qualquer governança imposta por Washington que viole o direito internacional. A declaração veio horas depois […]

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Pedro Sánchez rejeita a intervenção dos EUA na Venezuela e alerta que a força militar não pode substituir o diálogo nem violar o direito internacional.
Sánchez enfrenta os EUA e denuncia ataque à Venezuela / Reprodução

Premiê espanhol critica anúncio de Trump e defende solução dialogada centrada no povo venezuelano


O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, condenou no último sábado (3) a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela e afirmou que seu país não reconhecerá qualquer governança imposta por Washington que viole o direito internacional. A declaração veio horas depois de Donald Trump anunciar que os EUA assumirão o controle do país sul-americano até que uma “transição segura” esteja concluída — um movimento que Caracas classificou como “agressão imperialista”.

“Espanha não reconheceu o regime de Maduro. Mas também não reconhecerá uma intervenção que viole o direito internacional e empurre a região para um horizonte de incerteza e beligerância”, escreveu Sánchez em sua conta no X. A postura do premiê europeu representa um raro equilíbrio diplomático: ao mesmo tempo em que não endossa o governo de Nicolás Maduro, rejeita veementemente a substituição autoritária por uma potência estrangeira.

Leia também: Europa reage e expõe isolamento dos EUA após ataque

Além disso, Sánchez fez um apelo urgente a todas as partes envolvidas. “Pensem na população civil, respeitem a Carta das Nações Unidas e articulem uma transição justa e dialogante”, pediu. Sua posição ecoa preocupações crescentes entre governos da Europa e da América Latina sobre a normalização de intervenções militares como instrumento de política externa.

Operação “Resolução Absoluta”: EUA revelam detalhes da invasão a Caracas

Enquanto o mundo reage com choque, os Estados Unidos detalharam a magnitude da operação que derrubou o governo venezuelano. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Daniel Caine, descreveu em coletiva de imprensa uma ofensiva militar sem precedentes no Hemisfério Ocidental.

Segundo ele, a missão — batizada de Operação Resolução Absoluta — foi desencadeada às 22h46 do horário do Leste dos EUA, após ordem direta de Donald Trump. “Boa sorte e que Deus os acompanhe”, teria dito o presidente, segundo Caine, com tom reverente.

Ao longo da noite, 150 aeronaves — entre caças, bombardeiros, drones de vigilância e helicópteros — decolaram de 20 bases militares espalhadas pelo continente. Forças especiais chegaram ao “complexo alvo” em Caracas às 2h01, horário local. Lá, enfrentaram tiros, mas responderam, segundo o general, “em legítima defesa, de forma esmagadora”.

Apesar da intensidade do confronto, Caine garantiu que “todas as aeronaves retornaram em segurança” e que “não houve perda de vidas americanas”. Maduro e sua esposa, Cilia Flores, “renderam-se sem resistência” e já estão sob custódia do Departamento de Justiça dos EUA, a bordo de um navio da Marinha rumo a Nova York.

Preparação minuciosa e vigilância total sobre a vida de Maduro

O general revelou que a operação foi planejada durante meses com apoio da CIA e da NSA. Agentes monitoraram não apenas os deslocamentos de Maduro, mas também “onde vivia, para onde viajava, o que comia, o que vestia e quais eram seus animais de estimação”. Esse nível de vigilância, segundo ele, permitiu identificar janelas de oportunidade únicas.

A invasão ocorreu em um momento de alta tensão política. Trump havia aumentado a recompensa por informações sobre Maduro para US$ 50 milhões e posicionado navios de guerra no Caribe desde o fim de 2025, sob o pretexto oficial de combater o narcotráfico. Agora, porém, a Casa Branca admite abertamente que o objetivo era derrubar o regime.

Tom ameaçador e projeção de poder na América Latina

O secretário de Defesa dos EUA, Peter Hegseth, adotou um discurso ainda mais contundente. “A coordenação, a furtividade, a letalidade, a precisão, o braço longo da justiça americana — tudo isso foi exibido plenamente no meio da noite”, afirmou. Ele comparou Maduro ao Irã, dizendo que ambos “passaram do limite e sofreram as consequências”.

Hegseth reforçou que as forças norte-americanas permanecem “em alto estado de prontidão” na região, prontas para “projetar poder” e “proteger interesses regionais”. A declaração alimenta temores de que novas intervenções possam ocorrer, especialmente em países que desafiem a hegemonia de Washington.

Trump, por sua vez, repetiu que os EUA “governarão a Venezuela por algum tempo” até que a transição esteja completa — embora não tenha nomeado quem assumirá o poder nem dado prazos concretos. Ele também sugeriu que Delcy Rodríguez, vice-presidente de Maduro, poderia ter um papel nesse novo arranjo, citando conversas com seu secretário de Estado, Marco Rubio.

Resistência diplomática e o futuro da soberania latino-americana

Diante desse cenário, a posição de Sánchez ganha relevância estratégica. Ao recusar-se a endossar a intervenção, mesmo sem ser aliado de Maduro, a Espanha assume um papel de mediador crítico — e reforça a importância do multilateralismo em tempos de unilateralismo crescente.

Enquanto Caracas decreta estado de exceção e convoca a América Latina à solidariedade, governos progressistas e centristas ao redor do mundo observam com atenção. A pergunta que permanece é se a comunidade internacional permitirá que o século XXI repita os erros do passado: regimes derrubados não por seus povos, mas pelas armas de potências estrangeiras com interesses estratégicos claros.

E, como destacou Sánchez com firmeza, qualquer solução legítima deve nascer do diálogo — não da invasão, do canhão ou da extradição forçada de um chefe de Estado.

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