Relembre os fatos que culminaram no 8 de janeiro
Os ataques de 8 de janeiro de 2023, que completam três anos nesta quinta-feira, foram o ponto culminante de uma trama golpista minuciosamente planejada, conforme revelado pelas investigações da Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os atos não foram um evento espontâneo, mas sim a etapa final de uma sequência de ações que começou a ser esboçada ainda durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, com o objetivo explícito de subverter a ordem democrática e impedir a posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva.
Primeiros movimentos: questionamento e desinformação
A narrativa que culminaria no 8 de janeiro tem raízes no sistemático ataque às instituições democráticas. Já em 18 de julho de 2022, Bolsonaro usou a estrutura do Palácio da Alvorada para reunir embaixadores e repetir acusações infundadas contra o sistema eleitoral brasileiro, tentando deslegitimar o processo que se aproximava. A derrota nas urnas em 30 de outubro de 2022 acionou imediatamente o primeiro mecanismo de pressão: bloqueios de rodovias em todo o país por apoiadores, que chegaram a mais de mil interdições, causando transtornos logísticos.
Estratégia dos acampamentos e planejamento criminoso
A trama migrou para uma estratégia de maior fôlego e conivência oficial. Acampamentos foram montados em frente a quartéis das Forças Armadas em diversas cidades, exigindo uma intervenção militar. O acampamento em frente ao Quartel-General do Exército em Brasília, que contou com aval direto do então presidente, conforme a denúncia da PGR, se tornou o epicentro da conspiração e o ponto de partida para a invasão.
Enquanto isso, nos bastidores do poder, o planejamento para um golpe tomava forma concreta. Em 9 de novembro de 2022, o general Mário Fernandes, então secretário-executivo da Presidência, criou no Palácio do Planalto um documento detalhado intitulado “Planejamento – Punhal Verde Amarelo”, que descrevia um plano para sequestro ou homicídio de autoridades como o ministro do STF Alexandre de Moraes, o presidente eleito Lula e o vice Geraldo Alckmin. Em 7 de dezembro, Bolsonaro chegou a apresentar aos comandantes militares uma minuta de decreto que previa o estabelecimento de um “estado de sítio” como parte do plano para se manter no poder.
Escalada da violência e o dia da invasão
O mês de dezembro foi marcado por uma escalada violenta. Em 12 de dezembro, após a diplomação de Lula, apoiadores tentaram invadir a sede da Polícia Federal em Brasília e incendiaram carros e ônibus. Na véspera de Natal, um artefato explosivo foi colocado em um caminhão-tanque próximo ao Aeroporto de Brasília, em uma tentativa de atentado que só não foi consumada devido a uma falha técnica. Esses eventos elevaram a tensão, mas o forte esquema de segurança para a posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023, ocorreu sem incidentes, criando uma falsa sensação de tranquilidade.
Essa calmaria foi brutalmente desfeita em 8 de janeiro. Por volta das 13h, uma multidão de cerca de 4 mil pessoas partiu do acampamento em frente ao QG do Exército em direção à Praça dos Três Poderes. Antes das 15h, após romper bloqueios policiais, invadiram e depredaram de forma violenta e coordenada o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, em um ato que chocou o Brasil e o mundo e que foi considerado pelo STF como ato de terrorismo. A cena marcou o ápice de uma trama que, segundo as investigações, foi arquitetada desde os gabinetes do poder.
Com informações da Agência Brasil em 08/01/2026