O grande vilão da inflação neste início de 2026 é a energia elétrica residencial.
Com uma alta acumulada de 12,31% nos últimos doze meses, o custo para iluminar a casa e manter os eletrodomésticos funcionando segue como um peso significativo para as famílias brasileiras.
O índice está muito acima da inflação geral de 4,26% registrada no período.
O uso maior de ar-condicionado e ventiladores, em virtude das temperaturas elevadíssimas do verão brasileiro, deve fazer as contas de luz explodirem nesses primeiros três meses do ano. De maneira geral, no entanto, a inflação brasileira está sob controle.
Lembremos que, ao final de 2021, sob o governo de Jair Bolsonaro, a mesma conta de luz acumulava uma alta de 21,21%. A comparação com 2021 é pertinente porque ambos são anos anteriores à eleição presidencial.
A energia elétrica se consolida como um dos principais desafios do governo atual. A solução para isso, naturalmente, seria o lançamento de um grande programa nacional de painéis solares, a maneira mais objetiva e racional de permitir a redução na conta de luz, especialmente para famílias de renda média que consomem energia acima do nível que permite algum tipo de subsídio social do governo.
Entretanto, se a energia ainda assusta, um alívio substancial vem do prato de comida. É nesse ponto que se sustenta uma tese cada vez mais evidente: existe uma forte correlação entre o preço dos alimentos e a aprovação do governo.
A queda nos preços da comida comprada no supermercado, a chamada “alimentação no domicílio”, gera um impacto direto e positivo na percepção popular sobre a economia. A inflação da alimentação no domicílio foi de apenas 1,43% em 2025, uma desaceleração drástica em relação aos 8,23% de 2024.
O grupo completo de “Alimentação e bebidas” viu sua alta anual despencar de 7,69% em 2024 para 2,95% em 2025.
No raio-x do carrinho de compras, os heróis do churrasco e da mesa do dia a dia são notáveis. A picanha, símbolo do poder de compra do brasileiro, viu sua inflação cair de 8,74% em 2024 para apenas 2,82% em 2025.
Esse dado é emblemático porque a picanha virou meme político durante o governo Bolsonaro, quando seu preço disparou e houve quem sugerisse que a população comprasse osso em vez de carne.
As carnes, de forma geral, saíram de um aumento de 20,84% em 2024 para 1,22% em 2025. O frango inteiro desacelerou de 8,25% em 2024 para 1,61% em 2025.
O ovo de galinha, que teve deflação de 4,54% em 2024, voltou a subir e fechou 2025 com alta de 3,99%. Itens básicos como arroz e feijão preto registraram deflação expressiva em 2025, com quedas de 26,56% e 32,38%, respectivamente.
A tilápia, opção mais saudável de proteína, registrou queda de 5,18% nos últimos doze meses, uma tendência que já se observa há algum tempo.
O gás de botijão, outro item de altíssimo impacto social e marco do custo de vida no governo anterior, despencou de uma alta de 7,04% em 2024 para apenas 2,55% em 2025. Assim como a picanha, o botijão virou emblema da crise durante o governo Bolsonaro, quando famílias passaram a cozinhar com lenha por não conseguirem arcar com o preço do gás.
Até a cerveja no bar ficou mais barata em termos relativos: a inflação caiu de 5,83% em 2024 para 3,13% em 2025.
A inflação de serviços, porém, continua pressionando o orçamento. O transporte por aplicativo disparou e acumulou alta de 56,08% em 2025. Custos com plano de saúde (6,42%), creche (5,95%) e pré-escola (7,65%) também mostram que o custo de vida para além da comida permanece elevado.
Se em 2021 os combustíveis assustavam, com a gasolina subindo 47,49% e o etanol 62,23%, o cenário em 2025 é de alívio nessa frente.
O momento econômico revela uma dualidade. De um lado, o alívio da comida e dos combustíveis impulsiona a sensação de melhora no poder de compra. Do outro, a pressão da energia elétrica e dos serviços freia um otimismo maior.
Olhando para 2026, as projeções do Boletim Focus do Banco Central indicam uma inflação ainda menor, o que pode ser impulsionado por uma safra agrícola recorde e um dólar mais comportado. Se essa tendência se confirmar, a tese da “inflação dos alimentos” como um dos principais fatores da popularidade do governo ganhará ainda mais força no último ano do mandato.







Bandoleiro
09/01/2026 - 19h15
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