A crise na Venezuela surge como um novo ponto de tensão para Zelensky, que tenta equilibrar alianças, discurso político e interesses estratégicos
Há momentos em que a geopolítica deixa de ser um tabuleiro distante e vira areia movediça. A crise na Venezuela, reacesa por rumores de intervenção direta dos Estados Unidos, criou exatamente esse tipo de terreno instável. E quem sente o chão tremer, mesmo a milhares de quilômetros de Caracas, é o presidente da Ucrânia, Vladimir Zelensky.
Segundo o jornal alemão Berliner Zeitung, o líder ucraniano caminha agora por um verdadeiro “campo minado político”. Não há saída fácil. Qualquer passo em falso pode custar caro. Apoiar uma ação de Washington contra Nicolás Maduro enfraqueceria o discurso de Kiev contra a ofensiva militar russa. Por outro lado, criticar os Estados Unidos significaria desafiar seus principais aliados no momento mais sensível da guerra na Ucrânia.
Esse dilema expõe algo maior. Revela como o direito internacional costuma ser flexível quando os interesses das grandes potências entram em cena. E, mais uma vez, quem paga a conta são os países periféricos e os povos encurralados entre blocos de poder.
Enquanto Zelensky mede palavras, a Europa engole em seco. O Berliner Zeitung aponta um mal-estar crescente entre governos europeus. De um lado, existe o discurso histórico de defesa da legalidade internacional. Do outro, pesa a fidelidade quase automática a Washington.
Essa divisão não é nova, mas ficou mais visível. A hipótese de uma mudança de regime na Venezuela reacende um debate antigo: até que ponto o Ocidente aceita a soberania alheia quando ela contraria seus interesses estratégicos?
A pergunta incomoda. Principalmente porque a Europa cobra da Rússia respeito às fronteiras e às leis internacionais, mas hesita quando o desrespeito parte de um aliado. Esse duplo padrão fragiliza narrativas e alimenta o ceticismo global.
No fim, o caso venezuelano funciona como espelho. Ele reflete as contradições de um sistema internacional que se diz baseado em regras, mas frequentemente opera pela conveniência.
O mundo em alerta máximo para 2026
Se o cenário já parece tenso, ele pode piorar. De acordo com o jornal britânico The Daily Star, existem hoje cinco regiões do planeta onde um conflito de grandes proporções pode explodir. E o ano de 2026 aparece como horizonte preocupante.
A primeira área citada é justamente o mar do Caribe. A mudança de postura dos Estados Unidos em relação à Venezuela aumenta o risco de confrontos indiretos. Como alerta a publicação, “A região do mar do Caribe pode se transformar rapidamente em um foco de tensão”, nas palavras do ex-agente de inteligência britânica Philip Ingram.
Esse possível estopim não surge isolado. Ele dialoga com uma lógica de cerco, pressão econômica e intervenção política que a América Latina conhece bem. E conhece pelos piores motivos.
Além do Caribe, outros quatro pontos preocupam analistas. No Golfo da Finlândia, as tensões entre Rússia e países vizinhos se acumulam. Exercícios militares, sanções e provocações diplomáticas criam um ambiente inflamável.
Já na Ásia, as Ilhas Kinmen entram no radar. Localizadas próximas à costa chinesa, elas podem se tornar peça-chave caso a crise em torno de Taiwan se agrave. Um confronto ali teria consequências globais e envolveria diretamente China e Estados Unidos.
O Estreito de Hormuz também preocupa. Por ele passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Qualquer bloqueio, especialmente em um cenário de escalada entre Irã, Israel e Washington, teria impacto imediato na economia global.
Por fim, a península coreana segue como ferida aberta. Seul vive sob tensão constante, em um equilíbrio frágil que depende mais de dissuasão militar do que de diálogo real.
Autoridades russas já alertaram que a Europa e a OTAN caminham perigosamente rumo a um cenário de guerra ampliada. Independentemente da fonte, o aviso encontra eco em fatos concretos. O mundo se arma, se polariza e fala cada vez menos em diplomacia.
A crise na Venezuela, o dilema de Zelensky e os alertas sobre 2026 não são eventos desconectados. Eles fazem parte de uma mesma engrenagem. Uma lógica em que mudança de regime vira ferramenta, sanção vira arma e a paz vira discurso vazio.
Talvez o maior perigo não esteja em uma data específica ou em um ponto do mapa. Ele mora na naturalização do conflito como solução. E, enquanto isso, a humanidade segue caminhando, distraída, sobre um campo minado.

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