As reservas internacionais da Rússia atingiram um novo recorde histórico ao alcançar US$ 763,9 bilhões no fim de dezembro de 2025. O patamar inédito reforça a capacidade financeira do país em meio a um ambiente internacional marcado por sanções econômicas, tensões geopolíticas e restrições ao acesso a mercados ocidentais.
Os dados foram divulgados pela agência russa TASS com base em informações oficiais do Banco Central da Rússia. Segundo o regulador, o volume total das reservas aumentou US$ 11,3 bilhões em apenas uma semana, o equivalente a uma alta de 1,5%, considerando o período encerrado em 26 de dezembro de 2025.
Em comunicado, o Banco Central russo atribuiu o crescimento principalmente a fatores contábeis e de mercado. “As reservas internacionais totalizaram US$ 763,9 bilhões ao fim do dia 26 de dezembro de 2025, tendo aumentado em US$ 11,3 bilhões, ou 1,5%, em uma semana, principalmente em razão de uma reavaliação positiva”, informou a instituição, em nota oficial.
O novo valor supera o recorde anterior registrado poucos dias antes, em 19 de dezembro, quando as reservas haviam atingido US$ 752,6 bilhões. A sequência de máximas consecutivas evidencia um movimento consistente de fortalecimento dos ativos externos do país ao longo do fim de 2025.
Composição das reservas russas
As reservas internacionais da Rússia são compostas por ativos externos de alta liquidez sob controle do Banco Central e do governo federal. Entre os principais componentes estão moedas estrangeiras, ouro monetário, Direitos Especiais de Saque (SDRs, na sigla em inglês) e a posição de reserva do país junto ao Fundo Monetário Internacional.
O ouro tem papel relevante nessa estrutura. Nos últimos anos, Moscou ampliou de forma significativa sua participação em ouro físico como parte da estratégia de reduzir a exposição a moedas de países considerados “hostis”. Essa política ganhou força após o início do conflito na Ucrânia e a adoção de sanções financeiras em larga escala por Estados Unidos, União Europeia e aliados.
Sanções e congelamento de ativos
Desde o início da operação militar russa na Ucrânia, em fevereiro de 2022, países ocidentais impuseram sanções severas ao sistema financeiro russo. Entre as medidas mais duras esteve o congelamento de parte das reservas internacionais mantidas no exterior, incluindo ativos em moeda estrangeira e ouro depositados fora do país.
Além disso, foram impostas restrições a transações envolvendo o Banco Central da Rússia, com proibição de operações relacionadas à gestão de ativos do regulador e de negociações com entidades que atuem em seu nome ou sob sua orientação. Essas sanções tinham como objetivo limitar a capacidade de Moscou de utilizar suas reservas para estabilizar a economia e o câmbio.
Apesar dessas restrições, os dados mais recentes indicam que a Rússia conseguiu não apenas preservar, mas ampliar o volume total de suas reservas internacionais, beneficiando-se de fatores como valorização do ouro, ajustes cambiais e reorganização da estrutura de ativos.
Estratégia financeira e resiliência
Analistas avaliam que o crescimento das reservas reflete uma estratégia deliberada do governo russo para fortalecer seu “colchão financeiro” e reduzir vulnerabilidades externas. A manutenção de um elevado nível de reservas é vista como essencial para enfrentar choques econômicos, sustentar a estabilidade do rublo e garantir capacidade de pagamento em um contexto de isolamento parcial dos mercados financeiros globais.
O recorde alcançado no fim de 2025 ocorre em um momento em que Moscou busca ampliar relações comerciais e financeiras com países da Ásia, Oriente Médio, África e América Latina, diversificando parceiros e reduzindo a dependência de centros financeiros ocidentais.
Indicador de força em meio a incertezas
O novo patamar das reservas internacionais é interpretado por autoridades russas como um sinal de solidez macroeconômica, mesmo diante das pressões externas. A sequência de altas ao longo de dezembro reforça a percepção de que, apesar das sanções e do congelamento parcial de ativos, a Rússia mantém capacidade relevante de acumulação e gestão de recursos externos.
Com US$ 763,9 bilhões em reservas, o país se posiciona entre os detentores dos maiores volumes de ativos internacionais do mundo, o que, segundo o Banco Central russo, amplia a margem de manobra da política econômica em um cenário global ainda marcado por elevada volatilidade e incertezas geopolíticas.

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