China ganha acesso a chips H200 da Nvidia, mas avança rumo à independência total
A China demonstra mais uma vez sua resiliência. Apesar das restrições americanas, Pequim agora pode adquirir os chips H200 da Nvidia. No entanto, especialistas afirmam que o país usará essa oportunidade apenas como ponte. A longo prazo, a indústria chinesa prioriza a autossuficiência tecnológica. Essa estratégia frustra os esforços dos EUA para conter o avanço chinês.
Donald Trump altera as regras impostas na era Biden. A partir de quinta-feira, os EUA permitem exportar o H200 para a China. Contudo, há limites: o volume total não pode exceder metade das vendas nos Estados Unidos. O Bureau de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio confirma essa mudança.
Analistas veem nessa decisão um equilíbrio forçado. Trump quer manter lucros para empresas americanas, mas teme o progresso chinês em inteligência artificial. Assim, ele cede parcialmente, enquanto continua com políticas protecionistas.
Aqui, veja o chip H200 da Nvidia, o foco dessa flexibilização:

Demanda imediata impulsiona compras chinesas
Desenvolvedores chineses recebem bem os chips. O H200 é o segundo mais avançado da Nvidia. Muitos já usam modelos compatíveis da empresa americana. Por isso, a integração será simples.
Charles Chang, professor da Universidade Fudan, em Xangai, explica: “A China está atrasada, então o mercado vai querer esses chips”. Ele continua: “Não acho que haverá muitas dúvidas. É mais fácil para as pessoas dizerem ‘vamos comprar esses chips, eles já funcionam com os que temos’”.
Esses chips aceleram setores como veículos autônomos e supercomputadores. A indústria chinesa, faminta por tecnologia de ponta, aproveita a janela aberta.
Pequim não abandona seus planos. Mesmo com o H200 popular, o governo incentiva alternativas nacionais. Autoridades monitoram importações e podem impor cotas ou restrições futuras.
Jayant Menon, do ISEAS – Instituto Yusof Ishak, em Singapura, reforça: “Pequim tem um ‘plano claro para sua indústria de semicondutores, que inclui forte apoio à construção de capacidades independentes’”. Ele conclui: “Qualquer flexibilização nas vendas de chips dos EUA não afetará significativamente os planos ou a capacidade de produção doméstica a longo prazo”.
Victor Gao, do Centro para a China e a Globalização, em Pequim, destaca: “Quanto mais os EUA restringem a China, mais ‘inovadora’ ela se torna”.
Veja como as fábricas chinesas avançam na produção própria de semicondutores:

E a linha de produção moderna em operação:

Restrições americanas aceleram o progresso chinês
A China já avança rápido. Investimentos estatais impulsionam o setor desde 2022. No quarto trimestre passado, mais da metade dos chips de IA em data centers chineses veio de produção local, segundo a TrendForce.
O Conselho Empresarial China-Grã-Bretanha prevê crescimento anual composto de 7,8% até 2034. O mercado pode alcançar US$ 381,24 bilhões.
Alfredo Montufar-Helu, da Ankura Consulting, observa: “É improvável que a China incentive uma dependência que prejudique seus objetivos de segurança a longo prazo”.
Enquanto os EUA tentam manter liderança com leis como a de Acesso Remoto, a China responde com inovação. Restrições americanas só fortalecem a determinação chinesa. O futuro pertence a quem investe em soberania tecnológica, não em barreiras protecionistas.


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