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Canadá conclama nova ordem internacional em discurso no Fórum Econômico Mundial

No Fórum Econômico Mundial em Davos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que a ordem internacional que prevaleceu após a Segunda Guerra Mundial não retornará, e descreveu o cenário global atual como uma “ruptura” permanente, não uma simples transição. Em um discurso direcionado a líderes políticos, empresariais e representantes de organizações internacionais, Carney pediu […]

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Imagem: Reprodução/World Economic Forum

No Fórum Econômico Mundial em Davos, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou que a ordem internacional que prevaleceu após a Segunda Guerra Mundial não retornará, e descreveu o cenário global atual como uma “ruptura” permanente, não uma simples transição. Em um discurso direcionado a líderes políticos, empresariais e representantes de organizações internacionais, Carney pediu que países de porte intermediário ajustem suas estratégias diante de um ambiente em que grandes potências buscam seus interesses por meio de instrumentos econômicos e pressões comerciais, sem depender mais das antigas estruturas multilaterais de cooperação e segurança.

Sem mencionar diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o premiê criticou o uso de mecanismos como tarifas, integração econômica e infraestrutura financeira como formas de coerção política, afirmando que esse padrão de relações fragiliza a confiança entre nações e mina a previsibilidade que caracterizava a velha ordem internacional. Ele advertiu que países que não participarem ativamente das negociações globais correm o risco de ter seus interesses determinados por atores mais poderosos.

Carney ressaltou que, apesar de nações como o Canadá terem se beneficiado do antigo sistema baseado em regras — incluindo a segurança coletiva e a estabilidade proporcionadas por alianças e instituições multilaterais — o contexto atual exige adaptação. A exigência, segundo ele, é de que governos reforcem sua autonomia estratégica para lidar com competição de grandes potências e formas de rivalidade que exploram cadeias de suprimentos, mercados e fluxos financeiros como instrumentos de vantagem política.

O primeiro-ministro também reiterou o apoio de Ottawa à soberania da Groenlândia e da Dinamarca, em um momento de tensão crescente em torno da ilha do Ártico, cuja integridade territorial tem sido questionada em declarações de líderes estrangeiros. Carney afirmou que o Canadá, como membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), apoia o direito das nações de determinar seu próprio futuro e reforçou o compromisso com os princípios de defesa coletiva da aliança militar.

Além de traçar um panorama crítico da conjuntura internacional, Carney apresentou a visão de que a dependência de instituições multilaterais tradicionais, sem a capacidade de responder de forma autônoma às novas dinâmicas de poder, pode deixar países medianos em desvantagem. Ele conclamou governos a reconstruírem coalizões e mecanismos de cooperação que reflitam as realidades de um mundo em que a geopolítica e a economia global estão reconfigurando antigas suposições de segurança e prosperidade.

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Lucas Allabi

Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab

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