Xi Jinping garante a Lula apoio da China em tempos “turbulentos”

Ricardo Stuckert/PR

Presidentes do Brasil e China reiteraram compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas como caminho para estabilidade no mundo

Em conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês, Xi Jinping, disse que seu país apoia a maior economia da América Latina e o Sul Global e pediu que ambas mantenham o papel das Nações Unidas.

“A esse respeito, destacaram as sinergias entre os respectivos projetos nacionais de desenvolvimento, em especial nas áreas de infraestrutura, transição ecológica e tecnologia”, diz a nota da presidência do Brasil sobre a conversa.

Sobre o cenário global, Lula destacou que Brasil e China são países que detêm “papel central na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre comércio”.

“Nesse contexto, os presidentes Lula e Xi reiteraram seu compromisso com o fortalecimento das Nações Unidas como caminho para a defesa da paz e da estabilidade no mundo.”

A agência de notícias estatal da China, a Xinhua, também divulgou informações sobre a conversa entre os dois líderes, que se deu após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela, em artigo publicado no New York Times desta semana.

Segundo a Xinhua, Xi afirmou a Lula que a China e o Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter conjuntamente o papel das Nações Unidas na “atual situação internacional turbulenta”.

“A China está comprometida em ser sempre uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe (ALC), e em avançar juntos na construção da comunidade China-ALC com um futuro compartilhado”, destacou Xi a Lula.

Finalmente, os dois líderes acordaram manter coordenação frequente em temas da agenda bilateral e de interesse regional e global.

América Latina

A ação dos Estados Unidos na Venezuela gerou preocupações entre os países latino-americanos quanto ao risco de intervenções armadas semelhantes em seu território e provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em entrevista ao programa Today, da BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, disse que os EUA estavam agindo com impunidade e os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.

No artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos do seu povo.

“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região”, afirmou.

“É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção.”

Ameaça na Groenlândia

Outra ameaça de Trump, de usar a força para obter a Groenlândia, um território autônomo independente da Dinamarca, também afetou as relações com os aliados de segurança do outro lado do Atlântico.

Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiam a influência da China na América Latina e no Caribe, onde Xi prometeu novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura.

Segundo o líder chinês, a parceria estratégica firmada em 2024 para alinhar a iniciativa do Cinturão e Rota (BRI na sigla em inglês) da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética exemplifica a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global.

Com informações da Agência Gov e Agência Brasil em 23/01/2026

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