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Ex-trumpista afirma que repressão migratória ameaça futuro eleitoral do Partido Republicano

A ofensiva migratória do governo Donald Trump deixou de ser apenas um ponto de desconforto para se tornar politicamente insustentável, na avaliação da senadora estadual republicana da Flórida Ileana Garcia. Ex-aliada próxima do presidente, ela afirma que o Partido Republicano corre o risco de perder as eleições legislativas de meio de mandato caso a Casa […]

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Imagem: COLIN HACKLEY/Florida Politics

A ofensiva migratória do governo Donald Trump deixou de ser apenas um ponto de desconforto para se tornar politicamente insustentável, na avaliação da senadora estadual republicana da Flórida Ileana Garcia. Ex-aliada próxima do presidente, ela afirma que o Partido Republicano corre o risco de perder as eleições legislativas de meio de mandato caso a Casa Branca não reveja rapidamente suas táticas mais duras de fiscalização migratória.

O distanciamento ganhou força após episódios que a afetaram pessoalmente. Em um aeroporto da Flórida, um agente da TSA questionou se Garcia era cidadã americana depois de ouvi-la falar espanhol, apesar de ela ter nascido em Miami. Pela primeira vez, disse temer que seu filho possa ser abordado por agentes federais apenas por parecer latino. Ao mesmo tempo, passou a receber pedidos de eleitores tentando localizar parentes presos pelo ICE.

O ponto de ruptura definitivo, segundo a senadora, foi a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por agentes federais durante um protesto em Minneapolis. A tentativa inicial do governo de retratar Pretti como um “terrorista doméstico”, apesar de vídeos contestarem essa versão, provocou indignação. “Foi longe demais. O que aconteceu no sábado foi repugnante”, afirmou.

Garcia tem peso simbólico dentro do trumpismo latino. Cubano-americana, ela foi uma entusiasta da campanha de Trump em 2016, abandonou a carreira na mídia em espanhol para cofundar o grupo “Latinas for Trump” e depois integrou o primeiro governo do republicano, no Departamento de Segurança Interna.

Naquele período, disse, o foco era o fechamento da fronteira e a construção do muro com o México, políticas que apoiava. Agora, afirma que o governo avançou para práticas que considera excessivas e politicamente destrutivas, como retiradas violentas de pessoas de veículos e tentativas de deportação de crianças desacompanhadas.

Ela atribui a escalada principalmente a Stephen Miller, vice-chefe de gabinete e principal formulador da política migratória. “Acho que Trump vai perder as eleições de meio de mandato por causa de Stephen Miller”, disse. A Casa Branca não respondeu diretamente às críticas, mas reiterou que o presidente não deseja mortes e culpou líderes democratas pelo episódio de Minneapolis.

Apesar das críticas, Garcia disse não estar isentando Trump de responsabilidade. “Não estou absolvendo o presidente”, afirmou, embora tenha ressaltado que ainda mantém apreço pessoal por ele e lembrou de conversas em que Trump se mostrou receptivo à permanência dos chamados “Dreamers” nos Estados Unidos.

A postura da senadora é incomum mesmo entre republicanos hispânicos da Flórida. No Legislativo estadual, ela apoiou medidas de fiscalização migratória, mas votou contra propostas que criminalizavam a entrada irregular no estado e restringiam direitos educacionais de jovens imigrantes.

Em ano eleitoral, Garcia diz não temer retaliações internas. Afirma que recebeu ameaças de morte após classificar as deportações em massa como “inaceitáveis e desumanas”, mas sustenta que o silêncio dentro do partido é mais perigoso. “O que eu temo é alguém parar o meu filho”, disse.

Para a senadora, o desgaste já se reflete nas urnas, citando a recente vitória democrata em Miami após décadas de domínio republicano. Segundo ela, a política migratória deixou de ser apenas um tema ideológico e se tornou um teste moral e eleitoral para o partido — com potencial de definir seu futuro político.

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Lucas Allabi

Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab

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