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Juros bancários disparam em 2025 com Selic alta e inadimplência atinge maior nível desde 2015

A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter a inflação teve impactos profundos sobre o custo do crédito no Brasil ao longo de 2025. Com a taxa Selic mantida em patamar elevado durante praticamente todo o ano, os juros cobrados pelos bancos subiram de forma expressiva, contribuindo para a desaceleração do crédito, o […]

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Edifício-Sede do Banco Central do Brasil em Brasília

A política monetária restritiva adotada pelo Banco Central para conter a inflação teve impactos profundos sobre o custo do crédito no Brasil ao longo de 2025. Com a taxa Selic mantida em patamar elevado durante praticamente todo o ano, os juros cobrados pelos bancos subiram de forma expressiva, contribuindo para a desaceleração do crédito, o aumento da inadimplência e o encarecimento do financiamento para famílias e empresas.

Dados divulgados pela autoridade monetária mostram que a taxa média de juros bancários avançou 6,5 pontos percentuais em 2025, considerando apenas operações com recursos livres — ou seja, excluindo linhas direcionadas como crédito habitacional, rural e financiamentos do BNDES. Trata-se do maior aumento desde 2022, quando os juros médios haviam subido 7,8 pontos percentuais, refletindo outro ciclo de aperto monetário.

Ao longo do ano, a Selic acumulou alta de 2,25 pontos percentuais e alcançou 15% ao ano, o maior nível em quase duas décadas. No entanto, o repasse ao tomador final foi ainda mais intenso. Além de incorporar o custo maior do dinheiro básico, os bancos elevaram os spreads, ampliando a diferença entre a taxa básica da economia e os juros efetivamente cobrados nas operações de crédito.

No segmento empresarial, a taxa média de juros subiu de 21,7% ao ano em dezembro de 2024 para 25% ao ano ao final de 2025, um aumento de 3,3 pontos percentuais. O encarecimento do crédito afetou principalmente pequenas e médias empresas, que dependem mais fortemente de recursos livres e têm menor acesso a fontes alternativas de financiamento.

Entre as pessoas físicas, o impacto foi ainda mais severo. A taxa média de juros bancários saltou de 53,1% ao ano no fim de 2024 para 60,1% ao ano em dezembro de 2025, uma elevação de 7 pontos percentuais. O avanço reflete tanto o aperto monetário quanto a maior percepção de risco por parte das instituições financeiras, em um ambiente de renda pressionada e maior comprometimento do orçamento das famílias.

Algumas modalidades se destacaram pelo custo elevado. No cheque especial, os juros médios cobrados de pessoas físicas subiram de 134,8% ao ano para 138,6% ao ano ao longo de 2025, aumento de 3,8 pontos percentuais. Embora o produto seja utilizado de forma pontual por parte dos consumidores, seu custo elevado o mantém entre as linhas mais onerosas do sistema financeiro.

Já no cartão de crédito rotativo houve um recuo dos juros, ainda que o patamar permaneça extremamente alto. A taxa média caiu de 451,6% ao ano no final de 2024 para 438% ao ano em dezembro de 2025, redução de 13,6 pontos percentuais. Mesmo com a queda, o rotativo segue como a linha de crédito mais cara do país, com custo cerca de 30 vezes superior à Selic.

Desde janeiro, passou a valer uma nova regra que limita o valor total da dívida no crédito rotativo a, no máximo, o dobro do saldo original, desconsiderando o IOF. A medida se aplica apenas a débitos contraídos a partir da vigência da norma e busca evitar o crescimento exponencial das dívidas quando o consumidor não paga integralmente a fatura do cartão na data de vencimento.

O encarecimento do crédito teve reflexos diretos sobre o ritmo de expansão do sistema financeiro. Segundo o Banco Central, o estoque total de crédito bancário cresceu 10,2% em 2025, alcançando R$ 7,12 trilhões. O resultado representa uma desaceleração em relação a 2024, quando o crescimento havia sido de 11,5%, já considerando valores ajustados pela inflação.

A desaceleração era esperada pela autoridade monetária diante do nível elevado da Selic e da estratégia de esfriar a economia para conter pressões inflacionárias. Para 2026, o Banco Central projeta uma expansão ainda menor do crédito, estimada em 8,6%, sinalizando a continuidade de um ambiente financeiro mais restritivo no curto prazo.

Paralelamente, a inadimplência avançou de forma significativa e atingiu um dos níveis mais altos da série histórica iniciada em março de 2011. A taxa média de atraso nos pagamentos subiu de 3% no fim de 2024 para 4,1% ao final de 2025, refletindo o impacto combinado de juros elevados, renda comprimida e menor capacidade de renegociação de dívidas.

Entre as pessoas físicas, a inadimplência passou de 3,5% para 5% no mesmo período, alta de 1,5 ponto percentual. No segmento empresarial, o índice subiu de 2% para 2,5%, avanço de 0,5 ponto percentual. Embora o patamar das empresas permaneça inferior ao das famílias, o movimento indica deterioração gradual das condições financeiras também no setor produtivo.

O cenário reforça o custo social e econômico do ciclo de juros elevados. Embora a política monetária restritiva tenha contribuído para a desaceleração da inflação — que encerrou 2025 dentro do teto da meta —, seus efeitos colaterais sobre o crédito e a inadimplência seguem no centro do debate econômico. Com o Banco Central sinalizando a possibilidade de iniciar um ciclo de flexibilização a partir de 2026, a evolução dos juros bancários e do endividamento será um dos principais indicadores acompanhados por mercado, empresas e consumidores.

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