O governo da Rússia advertiu nesta quinta-feira que uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra o Irã pode provocar instabilidade ampla no Oriente Médio e gerar efeitos considerados perigosos para a segurança regional. Moscou afirmou que, apesar do aumento das tensões, ainda vê espaço para uma saída negociada envolvendo o programa nuclear iraniano.
A declaração foi feita pelo porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em resposta às recentes manifestações do presidente norte-americano, Donald Trump, que voltou a pressionar Teerã a aceitar negociações sobre armas nucleares sob a ameaça de uma possível ofensiva militar. Segundo Peskov, o recurso à força não resolveria as divergências e poderia agravar o cenário geopolítico na região.
Para o governo russo, os canais diplomáticos entre Estados Unidos e Irã permanecem abertos e não foram esgotados. Peskov afirmou que a prioridade deveria ser o fortalecimento dos mecanismos de negociação, com apelos à contenção por parte de todos os envolvidos. Ele ressaltou que medidas coercitivas tendem a ampliar o conflito, em vez de oferecer uma solução duradoura.
O porta-voz alertou que qualquer ação militar poderia desestabilizar o já frágil sistema de segurança do Oriente Médio, produzindo efeitos que extrapolariam o confronto direto entre Washington e Teerã. Na avaliação de Moscou, o uso da força teria potencial para gerar caos regional e consequências difíceis de controlar.
As declarações russas ocorrem em um contexto de crescente alinhamento entre Moscou e Teerã. Desde o início da guerra na Ucrânia, os dois países aprofundaram sua cooperação política e estratégica, culminando na assinatura de um tratado de parceria de longo prazo, com validade de 20 anos, firmado em janeiro de 2025.