O jornalista Don Lemon, ex-âncora da CNN Internacional, foi preso em Los Angeles semanas após sua participação em um protesto contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Minnesota. A prisão ocorreu na noite de quinta-feira (29), segundo informou sua defesa.
O episódio que motivou a ação ocorreu no início do mês, quando dezenas de manifestantes contrários à política migratória invadiram a Igreja Cities, em St. Paul, durante a realização de um culto. A ação interrompeu a cerimônia religiosa e gerou momentos de tensão no local. Lemon estava entre as pessoas presentes e, de acordo com seus advogados, atuava exclusivamente como jornalista, registrando os acontecimentos.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (30), o advogado Abbe Lowell afirmou que Lemon foi detido por agentes federais enquanto estava em Los Angeles cobrindo a cerimônia do Grammy. Segundo ele, a atuação do jornalista em Minnesota estaria protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que garante a liberdade de imprensa e de expressão.
A defesa sustenta que a prisão representa uma reação desproporcional do governo federal e acusa o Departamento de Justiça de priorizar a detenção de um jornalista em vez de apurar denúncias mais amplas relacionadas à atuação das forças de segurança durante os protestos. Lowell classificou o caso como um ataque direto à liberdade de imprensa e afirmou que Lemon contestará as acusações judicialmente.
O próprio jornalista declarou que não participava da manifestação como ativista. Em um vídeo publicado posteriormente em seu canal no YouTube, Lemon afirma que estava apenas documentando o ocorrido e chegou a dizer explicitamente que não fazia parte do grupo de manifestantes.
Apesar disso, autoridades do Departamento de Justiça indicaram publicamente que Lemon poderá ser indiciado. Segundo esse entendimento, a presença do jornalista em uma propriedade privada sem autorização e a interrupção de um culto religioso poderiam configurar violação de direitos constitucionais dos fiéis, independentemente de sua condição profissional.
A procuradora-geral Pam Bondi comentou o episódio durante visita a Minneapolis, descrevendo o protesto na igreja como “horrível” em entrevista à Fox News. Embora não tenha citado Lemon nominalmente, sua fala reforçou a posição do governo de que o ato ultrapassou limites legais.
O caso ocorre em um momento de forte mobilização contra as políticas migratórias do governo Trump, com protestos, greves e questionamentos judiciais sobre a atuação do ICE. A prisão de um jornalista conhecido acrescenta uma nova dimensão ao debate, colocando em confronto argumentos sobre segurança, direito à propriedade, liberdade religiosa e proteção constitucional ao trabalho da imprensa.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!