Governo iraniano diz estar aberto à diplomacia, mas descarta concessões na defesa

O governo do Irã sinalizou nesta sexta-feira (30) disposição para manter canais de diálogo com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que reafirmou que não abrirá mão de sua capacidade de defesa. A posição foi expressa pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, após dias de escalada retórica entre Teerã e Washington, marcada por ameaças e demonstrações de força militar.

Em declarações divulgadas pela mídia estatal, Pezeshkian afirmou que o Irã não busca um conflito e está aberto a negociações, mas deixou claro que qualquer ataque ao país será respondido de forma imediata. Segundo ele, a postura defensiva é considerada inegociável diante do que o governo iraniano avalia como pressões externas crescentes.

A fala ocorreu após uma conversa do presidente iraniano com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, na qual Pezeshkian abordou diretamente as declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O líder iraniano disse não desejar uma guerra, mas reiterou que Teerã reagirá de maneira decisiva caso seja alvo de agressões.

Também nesta sexta-feira, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, declarou durante visita oficial à Turquia que o país está preparado para negociar com os Estados Unidos sobre um eventual acordo nuclear. Ele ressaltou, porém, que qualquer negociação precisaria ser conduzida em bases consideradas “justas e equitativas” pelo Irã. Segundo Araqchi, não há, até o momento, planejamento concreto para uma reunião entre os dois governos.

O ministro das Relações Exteriores destacou ainda que o Irã pretende preservar e ampliar suas capacidades de defesa, consideradas estratégicas pelo governo. Ele afirmou que o país se prepara tanto para um cenário diplomático quanto para uma eventual escalada militar, expressando a expectativa de que Washington adote uma postura mais racional.

As declarações ocorrem em meio a acusações recorrentes dos Estados Unidos de que o Irã estaria desenvolvendo armas nucleares, algo que Teerã nega. Autoridades iranianas sustentam que o programa nuclear tem fins defensivos e civis, embora o país tenha restringido inspeções da agência da ONU responsável pelo monitoramento nuclear.

A tensão entre os dois países aumentou após declarações públicas de Trump, que mencionou o envio de uma grande força militar ao Oriente Médio e relembrou bombardeios realizados em instalações nucleares iranianas no ano anterior, em operação conduzida pelos Estados Unidos em parceria com Israel. O presidente americano afirmou que novas ações poderiam ocorrer caso não haja avanços diplomáticos.

Em resposta, autoridades iranianas classificaram qualquer ataque, mesmo limitado, como o início de uma guerra. Um conselheiro sênior do líder supremo Ali Khamenei afirmou que a reação iraniana seria imediata e abrangente. A missão do Irã junto à ONU também reiterou que o país aceita o diálogo, mas não abrirá mão do direito à autodefesa.

Além do embate com Washington, o Irã ampliou o tom contra a União Europeia após o bloco incluir a Guarda Revolucionária iraniana em sua lista de organizações terroristas. Um alto funcionário de segurança do país afirmou que Teerã poderá adotar medidas equivalentes, classificando forças armadas de países europeus como terroristas.

Nesse contexto de crescente tensão regional, a Guarda Revolucionária anunciou exercícios militares com munição real no Estreito de Ormuz, área estratégica para o comércio global de petróleo.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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