A escalada militar entre Estados Unidos e Irã ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (30), após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que uma armada dos EUA segue em direção ao Irã e que a força mobilizada seria superior àquela enviada anteriormente à costa da Venezuela. A declaração foi acompanhada, no entanto, por sinais contraditórios de possível abertura diplomática entre os dois países.
Falando a jornalistas no Salão Oval, Trump disse considerar o cenário “muito complicado” e afirmou ter estabelecido um prazo para que Teerã aceite um acordo nuclear proposto por Washington. Segundo ele, o governo iraniano conhece esse limite, embora não tenha detalhado datas ou condições. Ao mesmo tempo, o presidente norte-americano afirmou acreditar que o Irã estaria disposto a negociar.
As falas ocorrem em meio a um período de forte tensão bilateral, marcado por ameaças de ação militar dos EUA e pela recusa do Irã em aceitar termos que limitem seu programa de enriquecimento de urânio. Washington sustenta que o programa representa risco de proliferação nuclear, enquanto Teerã afirma que suas atividades têm fins exclusivamente civis e energéticos.
Poucas horas antes das declarações de Trump, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian adotou um tom mais moderado ao afirmar que o Irã “acolhe o diálogo” e não busca um confronto armado. Segundo a mídia estatal iraniana, ele tratou do tema em conversa com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, ressaltando, porém, que o país reagirá de forma imediata e decisiva caso seja alvo de ataques.
Apesar do discurso mais conciliador, autoridades iranianas reforçaram que não abrirão mão de sua capacidade de defesa. Em paralelo, a Guarda Revolucionária anunciou a realização de manobras militares, interpretadas por analistas como um sinal de prontidão diante das ameaças vindas de Washington.
A crise atual também está ligada à repressão a protestos internos no Irã, iniciados em dezembro e intensificados em janeiro. Organizações de direitos humanos estimam que mais de 6 mil pessoas tenham morrido em ações das forças de segurança. Trump chegou a citar esses episódios ao justificar possíveis ofensivas, embora posteriormente tenha concentrado sua argumentação na questão nuclear.
Nos bastidores, o governo dos EUA avalia diferentes cenários. Reportagens da imprensa norte-americana indicam que o presidente analisa opções que vão desde bombardeios a instalações nucleares e militares até operações encobertas e ataques direcionados a lideranças do regime. Também são discutidas estratégias para pressionar o governo iraniano internamente, estimulando novos protestos.
Autoridades ouvidas por veículos internacionais afirmam que nenhuma decisão final foi tomada até o momento. Segundo essas fontes, Trump ainda não autorizou uma ação militar direta, apesar de o leque de alternativas em estudo ser mais amplo do que em momentos anteriores da crise.
O histórico recente pesa nas negociações. Estados Unidos e Irã chegaram a firmar um acordo nuclear durante o governo Barack Obama, mas o próprio Trump retirou o país do pacto em 2018, alegando que Teerã financiava grupos considerados terroristas por Washington. Desde então, as tentativas de reconstruir um entendimento têm sido marcadas por avanços pontuais e sucessivos impasses.
Enquanto isso, o envio de navios de guerra ao Oriente Médio e as declarações públicas de ambos os lados mantêm o clima de incerteza. Entre a ameaça de confronto e a possibilidade de diálogo, a relação entre EUA e Irã segue em um equilíbrio instável, com impactos potenciais para a segurança regional e internacional.

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